Inteligência Artificial unifica dados para prever falhas em ativos críticos da planta em Tocantins

Inteligência Artificial unifica dados para prever falhas em ativos críticos da planta em Tocantins

Na operação de uma mina, o tempo de máquina parada é um dos maiores gargalos de produtividade. Equipamentos como moinhos de bolas e britadores exigem alta disponibilidade, mas o diagnóstico de seus problemas costumava ser um quebra-cabeça de dados espalhados em diferentes sistemas. Para solucionar essa fragmentação, a equipe da Aura Almas Mineração, de Tocantins, desenvolveu o Sistema Inteligente de Análise de Falhas (SIAF), uma plataforma que utiliza inteligência artificial generativa e aprendizado de máquina para centralizar o histórico de manutenção e prever quebras antes que ocorram. O projeto é um dos vencedores do 28º Prêmio de Excelência da Indústria Minero-Metalúrgica, que será entregue nos dias 10 e 11 de junho, no Minascentro, em Belo Horizonte, durante o 17º Workshop Opex.

Até a implementação do SIAF, engenheiros de confiabilidade enfrentavam o desafio dos “silos de informação”. As ordens de serviço ficavam no ERP, os dados de vibração em plataformas de sensores e as variáveis de processo em historiadores industriais. O resultado era um processo de análise de causa raiz (RCA) artesanal, dependente de planilhas de Excel e da experiência individual de cada técnico. Com o novo sistema, desenvolvido 100% internamente, 13 módulos especializados foram integrados para converter esses dados brutos em diagnósticos técnicos estruturados.

INVESTIGAÇÃO GUIADA POR IA

O diferencial tecnológico do SIAF reside no uso de modelos de linguagem de grande escala (LLMs). O sistema não apenas compila dados, mas conduz uma investigação interativa através do módulo “5 Porquês”. O engenheiro questiona as causas de uma falha e a inteligência artificial responde com análises baseadas nos dados reais do equipamento, como telemetria de sensores e histórico de intervenções anteriores.

Ao final da interação, a IA gera automaticamente uma saída estruturada que inclui o diagrama de Ishikawa (6M), cronologia da falha, níveis de risco e recomendações de ações preventivas. Essa automação elimina a necessidade de preenchimento manual de relatórios complexos, garantindo que o conhecimento institucional seja preservado de forma padronizada.

Além da análise de falhas que já ocorreram, a plataforma atua na frente preditiva. Utilizando algoritmos de Machine Learning, como o Random Forest, o sistema calcula a probabilidade de um ativo falhar dentro de uma janela temporal configurável. Para isso, o SIAF processa o histórico de “Tempo para Falha” (TTF) e classifica os equipamentos em um ranking de criticidade que vai de “baixa” a “crítica”.

A integração em tempo real é outro pilar do projeto. O sistema se conecta nativamente a plataformas de monitoramento de condição, como o Dynamox, acessando dados de vibração e temperatura de 16 pontos estratégicos nas áreas de britagem, lixiviação e moagem. Paralelamente, o módulo de dados de processo (PI System) monitora mais de 170 variáveis, aplicando detecção automática de anomalias e tendências para identificar desvios operacionais.

FLUXO OPERACIONAL DE PONTA A PONTA

O uso da plataforma pelo corpo técnico segue um fluxo estruturado em seis etapas. Começa com a ingestão automática de dados e a avaliação de sua qualidade, onde o sistema identifica campos incompletos ou inconsistentes. Em seguida, o engenheiro informa o TAG do equipamento e o sistema realiza uma busca por similaridade textual para resgatar falhas parecidas ocorridas no passado.

Após a investigação com o auxílio da IA e o cálculo de indicadores de confiabilidade (como MTBF e MTTR), o processo termina com a exportação de relatórios técnicos em PDF ou Excel. O resultado final, que inclui a geração automática de matrizes FMEA (Análise de Modos de Falha e Seus Efeitos), alimenta diretamente o plano de manutenção preventiva da planta, substituindo critérios subjetivos por decisões orientadas por dados.

SOBRE A MINA

Aura Almas é uma operação de lavra a céu aberto com processamento de minério por meio do sistema CIL e está localizado no Greenstone Belt de Almas, uma sequência vulcano-sedimentar paleoproterozóica. Almas é um dos maiores e menos explorados Greenstone Belts no Brasil. A Aura possui 198.471 hectares de direitos minerais na região. Os três principais depósitos de ouro do Projeto Almas – Paiol, Cata Funda e Vira Saia – estão ao longo de um corredor de 15 km de comprimento do Almas Greenstone Belt. Sua produção em 2026 foi de 56.980 onças de ouro e seu guidance de Produção para 2026 é de 57.000 – 63.000 onças de ouro.