Cash Flow Control eleva receita em 33% ao integrar gestão de custos e “senso de dono
A unidade da Nexa Resources em Aripuanã (MT), operação polimetálica que produz concentrados de zinco, chumbo e cobre, alcançou um novo patamar de eficiência operacional e previsibilidade financeira através do programa Cash Flow Control (CFC). A iniciativa, que integra a gestão de custos, investimentos (Capex) e receitas, permitiu que a unidade saltasse de um cenário de volatilidade durante o ramp-up para um crescimento estruturado de 33,6% na receita ao longo de 2025. O projeto é um dos agraciados pelo Prêmio de Excelência da Indústria Minero-Metalúrgica 2026, que acontece nos dias 10 e 11 de junho, no Minascentro, em Belo Horizonte, durante o 17º Workshop Opex.
O desafio central em Aripuanã era comum a grandes projetos de mineração em fase de transição para a operação: o elevado cash cost e a baixa integração entre as áreas produtivas e financeiras. Segundo o projeto, os desvios orçamentários eram tratados de forma reativa, com foco em justificativas externas.
A estratégia nomeou líderes técnicos para gerir pacotes financeiros que, muitas vezes, não faziam parte de sua rotina direta.
“Tivemos o cuidado de escolher pessoas de outros processos. Por exemplo, temos um engenheiro de ventilação que é o guardião do pacote de energia”, explica Lídia César, consultora financeira da Nexa e uma das autoras do projeto. Segundo ela, o objetivo é garantir que uma pessoa “de fora” tenha o distanciamento necessário para criticar o processo e buscar a eficiência máxima.
Conforme o projeto, o guardião atua como o dono do custo. Ele monitora pacotes estratégicos, que incluem energia, combustíveis, manutenção e insumos de mina e planta, e deve explicar desvios com base em causas raízes, e não em sintomas. Se há um desvio superior a 5% ou acima de R$ 100 mil, entra em cena o Formulário de Análise de Desvios (FAD), uma ferramenta que exige planos de ação robustos.
O programa foi estruturado em cinco pilares, sendo eles organização de pacotes, governança quinzenal, análise técnica de desvios, formação Green Belt para os guardiões e integração direta entre custo e receita. A última frente permitiu que a unidade monitorasse de perto fatores que impactam a margem, como teores de alimentação, recuperações metalúrgicas e penalidades por contaminantes.

RESULTADOS
A taxa de alimentação da planta subiu de 230 para 245 toneladas por hora. Além disso, houve uma melhora significativa na disponibilidade física dos equipamentos e na recuperação dos metais (zinco, chumbo e cobre). No campo, a aplicação da metodologia Lean Seis Sigma permitiu, por exemplo, que o guardião do pacote de energia identificasse oportunidades de otimização diretamente nas subestações, reduzindo a variabilidade do consumo elétrico.
Para Lídia César, a mudança mais profunda foi cultural. O programa visou substituir o que a consultora chama de “vitimismo” (a tendência de culpar fatores como o clima ou erros de orçamento) pelo protagonismo técnico. “O programa veio para gerar uma mentalidade de performance. Os custos precisam estar sob controle para gerarmos fluxo de caixa sustentável”, afirma.
Para sustentar essa cultura de “accountability”, a Nexa utiliza os “Zincoins”, uma moeda digital interna. Os colaboradores que implementam ideias de melhoria e redução de custos acumulam esses créditos, que podem ser trocados por produtos, eletrodomésticos e até viagens em uma plataforma online. O reconhecimento é complementado por premiações formais conduzidas pela diretoria de operações para os guardiões com melhor desempenho.
O impacto no Fluxo de Caixa Operacional (OCF) demonstrou que o controle de Opex e Capex, quando aliado ao aumento de produtividade, transforma a saúde econômica do ativo. Ao final de 2025, a unidade Aripuanã não apenas estabilizou seus custos, como também aumentou sua acuracidade de forecast, permitindo que a companhia tomasse decisões de investimento mais seguras e baseadas em dados reais de campo.
O modelo agora se mostra replicável para outras unidades minerais. De acordo com o estudo de caso, a metodologia não depende de tecnologias proprietárias complexas, mas de disciplina na governança, transparência de dados e na transferência da responsabilidade financeira para quem está na linha de frente da operação.
Sobre a mina
Localizada no Mato Grosso, a unidade da Nexa é uma operação subterrânea polimetálica voltada à extração de zinco, cobre e chumbo, além de prata como subproduto. O projeto teve seus estudos iniciais realizados em 1993, mas a implantação começou efetivamente em 2019. A operação foi iniciada em julho de 2022 e atingiu sua fase comercial no final daquele mesmo ano.
Um dos principais diferenciais técnicos da unidade é a gestão de resíduos, que utiliza tecnologia para operar sem a necessidade de barragens de rejeitos. Atualmente, a mina sustenta cerca de 2.100 empregos diretos, dos quais metade é ocupada por mão de obra local. No aspecto social, a operação soma mais de R$ 50 milhões investidos em programas de desenvolvimento regional e mantém canais de diálogo estruturados com as comunidades locais e povos originários da região.

