Vale investirá R$ 70 bilhões no Programa Novo Carajás até 2030
A Vale prevê investir R$ 70 bilhões no Programa Novo Carajás entre 2025 e 2030, com foco na expansão da produção de minério de ferro e cobre no Sistema Norte, no Pará. A iniciativa concentra investimentos principalmente na região de Carajás e busca ampliar a oferta de minerais considerados estratégicos para a siderurgia de baixa emissão de carbono e a transição energética.
Atualmente, a mineradora realiza estudos geológicos para definir onde serão aplicados os investimentos previstos no programa.
“Temos cinco anos para definir e iniciar a implantação. Estamos estudando onde é mais fácil, mais rápido, com menor energia, já aproveitando alguma instalação existente”, afirmou Gildiney Sales, diretor do Corredor Norte da Vale, durante encontro com jornalistas realizado em Parauapebas (PA).
O Programa Novo Carajás reúne minas em operação, projetos de expansão e novos alvos minerais da companhia na região.
Programa Novo Carajás prevê produção de 200 milhões de toneladas de minério de ferro
Carajás abriga o maior complexo de produção de minério de ferro da Vale.
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A companhia prevê que o Sistema Norte alcance um ritmo de produção de aproximadamente 200 milhões de toneladas por ano (Mtpa) até 2030.
O crescimento deverá contar com um adicional de 20 Mt relacionado à expansão da mina de Serra Sul (S11D), além de iniciativas destinadas a compensar a exaustão de minas atualmente em operação.
Em 2024, o Sistema Norte produziu 177,5 milhões de toneladas de minério de ferro.
Desse volume, aproximadamente 94,5 milhões de toneladas foram provenientes de Serra Norte, incluindo Serra Leste, enquanto cerca de 83 milhões de toneladas foram produzidas pelo complexo S11D.
O volume representou mais da metade das 328 milhões de toneladas de minério de ferro produzidas pela Vale em 2024.
Expansão do S11D alcança 73% de avanço físico
Um dos projetos associados à expansão da produção está localizado em Serra Sul.
Com 73% de avanço físico informado pela companhia, o empreendimento contempla a abertura de novas áreas de lavra e a duplicação do Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD).
Também estão previstas novas linhas de beneficiamento, ampliação das áreas de estocagem e expansão dos equipamentos utilizados nas operações de mina.
O projeto reforça a capacidade do S11D, complexo que utiliza sistemas de transporte por correias em diferentes etapas de sua operação.
Vale prevê ampliar produção de cobre em 32% em Carajás
O cobre ocupa outro eixo estratégico do Programa Novo Carajás.
A Vale prevê crescimento de 32% na produção do metal na região, chegando a aproximadamente 350 mil toneladas por ano.
Em 2024, a produção de cobre no Sistema Norte alcançou 265,2 mil toneladas, segundo dados divulgados pela mineradora.
No Pará, a Vale mantém operações relacionadas a cobre e níquel em ativos como Sossego, Salobo e Onça Puma.
A expansão ocorre em um cenário de aumento da importância estratégica do cobre para redes elétricas, sistemas de geração de energia e diferentes tecnologias associadas à eletrificação.
Minério de alta qualidade ganha importância para siderurgia de baixo carbono
Além de aumentar os volumes produzidos, o Programa Novo Carajás busca ampliar a produção de minério de ferro de alta qualidade.
Esse tipo de minério ganha importância diante dos esforços da indústria siderúrgica para reduzir suas emissões de carbono.
Segundo a Vale, matérias-primas de maior qualidade podem aumentar a eficiência dos processos siderúrgicos e contribuir para a redução das emissões na produção do aço.
“Carajás é um caso de sucesso de parceria entre público e privado, voltada para a proteção da floresta onde produzimos, com processos de mineração a seco e tecnologias inovadoras, cerca de 60% do minério que o Brasil exporta”, afirmou Gustavo Pimenta, CEO da Vale.
Segundo o executivo, o Novo Carajás tem potencial para ampliar a participação brasileira no fornecimento internacional de minerais críticos e fortalecer a posição da companhia diante da expansão de uma economia de menor emissão de carbono.
Programa pode ampliar exportações do Pará
A Vale estima que os investimentos também terão impacto econômico relevante no Pará.
De acordo com projeções divulgadas pela companhia, o Programa Novo Carajás poderá representar uma contribuição entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões por ano para o PIB do estado.
Mantidas as condições consideradas pela empresa nas projeções, a produção futura também poderia proporcionar um acréscimo de aproximadamente R$ 15 bilhões nas exportações paraenses.
O programa reúne ainda investimentos em tecnologia, saúde e segurança, manutenção de equipamentos, operações e sustentabilidade.
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Mineração circular integra estratégia da Vale em Carajás
Outra frente dos investimentos está relacionada ao reaproveitamento de materiais anteriormente classificados como rejeitos.
Um dos projetos é o Gelado, em Carajás, que utiliza rejeitos para produzir novamente minério de ferro.
A Vale prevê alcançar 6 milhões de toneladas por ano (Mtpa) por meio do reaproveitamento de rejeitos no projeto.
Até 2030, a companhia tem como meta fazer com que 10% de sua produção total de minério de ferro seja proveniente de produtos associados à mineração circular.
Segundo a mineradora, a estratégia contribui para reduzir a geração de novos rejeitos e produzir materiais com menor pegada de carbono.
Carajás ganha espaço na estratégia de minerais críticos da Vale
Mais de quatro décadas depois do início da produção mineral em larga escala em Carajás, a região entra em uma nova etapa de investimentos.
O Programa Novo Carajás combina a expansão de ativos existentes, novos projetos minerais, aumento da capacidade de beneficiamento e investimentos em tecnologias destinadas a elevar a eficiência das operações.
Ao mesmo tempo, a crescente demanda por cobre e minério de ferro de alta qualidade coloca o complexo no centro de uma transformação mais ampla da mineração.
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Para a Vale, o desafio até 2030 será aumentar a produção em uma região que já responde por mais da metade de seu minério de ferro, ao mesmo tempo em que amplia eficiência operacional, aproveitamento de materiais e produção de minerais estratégicos para uma economia de menor emissão de carbono.



