Gerdau avança na ampliação de Miguel Burnier, com investimento de R$ 3,2 bilhões

Gerdau avança na ampliação de Miguel Burnier, com investimento de R$ 3,2 bilhões

Projeto de mineração em Ouro Preto atinge 91% de avanço físico e prevê capacidade de 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano a partir de 2027.

A Gerdau atingiu 91% de avanço físico no projeto de ampliação da planta de mineração de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG), e se aproxima do início do ramp-up, período de aumento progressivo da produção.

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A companhia investiu R$ 3,2 bilhões entre 2023 e 2026 no projeto, que envolve ampliação da capacidade produtiva, modernização tecnológica e adoção de novas soluções para processamento e disposição de rejeitos.

Quando estiver em plena capacidade, a chamada Plataforma de Mineração Sustentável de Miguel Burnier deverá produzir 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano a partir de 2027, segundo as projeções da Gerdau.

O projeto inclui ainda empilhamento a seco de rejeitos e um mineroduto de 13 km, conectando a operação de mineração à usina siderúrgica de Ouro Branco.

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Miguel Burnier terá capacidade para produzir 5,5 milhões de toneladas por ano

A expansão permitirá à Gerdau elevar a produção de minério de ferro destinado tanto ao abastecimento de suas próprias operações siderúrgicas quanto ao mercado.

Das 5,5 milhões de toneladas anuais previstas para Miguel Burnier, aproximadamente 3 milhões de toneladas serão destinadas à usina de Ouro Branco (MG).

As outras 2,5 milhões de toneladas deverão ficar disponíveis para comercialização.

Essa configuração reforça a integração entre mineração e siderurgia dentro das operações da Gerdau em Minas Gerais.

Minério de Miguel Burnier possui 65% de ferro

A operação produzirá pellet feed com teor de aproximadamente 65% de ferro, segundo a companhia.

Minérios de maior teor possuem importância crescente para a indústria siderúrgica por permitirem maior concentração de ferro na matéria-prima utilizada nos processos industriais.

A qualidade do produto também pode influenciar sua competitividade comercial e as possibilidades de utilização em diferentes rotas siderúrgicas.

Projeto utilizará 100% de empilhamento a seco de rejeitos

Um dos principais componentes do projeto é o sistema de disposição de rejeitos.

Segundo a Gerdau, a nova estrutura de Miguel Burnier foi projetada para utilizar 100% de empilhamento a seco, sem depender de barragem de rejeitos para a nova produção prevista no empreendimento.

Nesse processo, o rejeito passa por etapas destinadas à redução de sua umidade antes de ser transportado e disposto de maneira controlada.

A solução integra as mudanças que vêm ocorrendo na gestão de rejeitos da mineração brasileira, com aumento da utilização de tecnologias alternativas aos sistemas convencionais de disposição em barragens.

Mineroduto de 13 km conectará Miguel Burnier a Ouro Branco

A ampliação também envolveu a construção de um mineroduto de aproximadamente 13 km, ligando a operação de Miguel Burnier à unidade da Gerdau em Ouro Branco.

A estrutura reforça a integração logística entre a produção mineral e a operação siderúrgica.

Com aproximadamente 3 milhões de toneladas da futura produção anual destinadas a Ouro Branco, essa conexão passa a integrar a infraestrutura necessária para abastecer a siderúrgica com minério produzido pela própria companhia.

Ramp-up da operação terá duração prevista de 12 meses

Com 91% das obras concluídas, o projeto se aproxima da fase de ramp-up.

O processo corresponde ao período no qual a operação aumenta gradualmente sua produção até alcançar os níveis previstos no projeto.

No caso de Miguel Burnier, a Gerdau estima que essa etapa tenha duração de aproximadamente 12 meses, até a consolidação da nova capacidade produtiva.

A expectativa da companhia é atingir a capacidade de 5,5 milhões de toneladas anuais a partir de 2027.

Gerdau prevê R$ 4,7 bilhões em investimentos em 2026

Além da expansão de Miguel Burnier, a Gerdau prevê R$ 4,7 bilhões em investimentos em 2026.

O valor é inferior aos R$ 6,1 bilhões investidos pela companhia em 2025. Dos recursos previstos para 2026, aproximadamente R$ 3 bilhões serão destinados a projetos de manutenção.

Em 2025, cerca de 77% do Capex da Gerdau foi direcionado às operações brasileiras.

Entre os projetos realizados no país estavam, além dos investimentos em Miguel Burnier, a conclusão da nova linha de laminação de bobinas a quente em Ouro Branco e iniciativas de modernização das estruturas da planta de Maracanaú (CE).

Gerdau concentra mineração em Miguel Burnier após venda de Várzea do Lopes

A expansão de Miguel Burnier ocorre também em um momento de reorganização dos ativos minerais da companhia em Minas Gerais.

Em 2025, a Gerdau vendeu sua operação de Várzea do Lopes, em Itabirito (MG), para o Grupo Avante.

Com o avanço do projeto de R$ 3,2 bilhões em Ouro Preto, Miguel Burnier ganha maior relevância dentro da estratégia de fornecimento de minério de ferro para as operações siderúrgicas da empresa.

A combinação entre minério de alto teor, integração com Ouro Branco, mineroduto e empilhamento a seco de rejeitos coloca o projeto entre os principais investimentos recentes da companhia em sua cadeia integrada de mineração e siderurgia no Brasil.