Wetlands construídos simplificam gestão de efluentes

Wetlands construídos simplificam gestão de efluentes

A Mosaic implementou no Complexo de Mineração de Tapira (CMT), em Minas Gerais, um sistema de tratamento de efluentes que utiliza processos biológicos naturais para purificar resíduos sanitários. O projeto será um dos homenageados pelo Prêmio de Excelência da Indústria Minero-Metalúrgica 2026, que acontece nos dias 10 e 11 de junho, no Minascentro, em Belo Horizonte.

A iniciativa surgiu para modernizar o saneamento nos canteiros de obras da unidade. Em vez do modelo tradicional, que exige a retirada constante de resíduos por caminhões-vácuo, a empresa optou por uma estrutura autônoma e passiva, que não consome energia elétrica e reduz o impacto ambiental direto na região.

O projeto foi estruturado em três fases fundamentais para garantir a segurança do processo. Na etapa inicial, os engenheiros realizaram estudos de viabilidade técnica que incluíram a análise da permeabilidade do solo, o nível do lençol freático e o volume de efluentes gerados. Com esses dados, foi desenhado um fluxo que começa com uma caixa gradeada para filtrar sólidos grosseiros e segue para biodigestores anaeróbios, onde ocorre o tratamento primário.

Na fase de execução, a área do sistema foi totalmente impermeabilizada com mantas de polietileno de alta densidade para evitar infiltrações indesejadas no solo. O diferencial da tecnologia está no Wetland Construído Horizontal Subsuperficial: leito onde foram plantadas mudas de taboa. Essa vegetação atua na remoção da matéria orgânica através de suas raízes, funcionando como um filtro biológico de alta eficiência.

Após passar pelo leito de plantas, a água tratada segue para valas de infiltração, retornando ao solo de forma segura. Válvulas de controle fo-Válvulas de controle foram instaladas para regular o tempo de permanência do líquido no sistema, garantindo que o tratamento seja concluído antes da liberação final.

MONITORAMENTO E IMPACTO OPERACIONAL

Para assegurar a eficiência da tecnologia, a companhia realiza um monitoramento ambiental trimestral. São analisados 14 parâmetros de controle, seguindo as normas regulatórias de Minas Gerais. As avaliações focam na redução da carga orgânica, medida por indicadores como a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), garantindo que a água devolvida ao meio ambiente esteja em conformidade com a legislação.

Os resultados práticos mostram que a operação eliminou a necessidade de transporte rodoviário de resíduos e o consumo de eletricidade nas bombas de tratamento. Além da economia financeira de aproximadamente R$ 150 mil por ano em cada canteiro, a medida evita a emissão de 3 toneladas de CO₂ anualmente. A solução agora serve como referência técnica para outras unidades industriais que buscam alternativas sustentáveis de saneamento em áreas isoladas.