Inovação e inteligência artificial dão suporte à gestão de ruído no Complexo Vargem Grande
A mineração em áreas urbanas apresenta desafios técnicos e operacionais significativos. As operações são compostas por equipamentos móveis de grande porte, correias transportadoras, processos de britagem e atividades auxiliares os quais contribuem para um ambiente acústico complexo. Esses itens influenciados pela topografia local e fatores climáticos e meteorológicos, como a velocidade, direção do vento e densidade do ar, impactam diretamente na propagação sonora.
No Complexo Vargem Grande, localizado em Minas Gerais, as ocorrências de incômodo da população e as restrições operacionais decorrentes do ruído tornaram-se fatores críticos para a continuidade das atividades.
As abordagens tradicionais, baseadas apenas em medições de pressão sonora (decibéis – dB), não permitiam distinguir a natureza nem a origem das fontes ruidosas. Esse cenário evidenciou a necessidade de uma solução integrada que combinasse governança e fluxo de tratativas; ferramentas para compreensão aprofundada do problema; e tecnologias capazes de identificar e classificar fontes sonoras de forma objetiva.
Assim, foi conduzido um projeto que seguiu a metodologia E2E (end-to-end), adotada pelo Hub de Inovação do Complexo Vargem Grande como modelo padrão, para desenvolvimento de iniciativas de inovação aplicadas à área operacional.
O projeto teve início a partir da aplicação estruturada da abordagem de design thinking, método para enfrentar problemas complexos e sistêmicos. Essa escolha se deu pela necessidade de compreender o ruído não apenas como um parâmetro técnico, mas como um fenômeno que envolve percepção humana, relacionamento com comunidades, governança interna e impactos operacionais.
Assim, workshops de design thinking foram estruturados com o apoio metodológico do Hub. Inicialmente, foi construído um mapa de atores, que permitiu identificar e classificar os principais públicos envolvidos ou impactados pelo ruído, incluindo comunidades do entorno, órgãos ambientais, áreas internas, empresas adjacentes e fornecedores. Em seguida, foi realizada a definição do desafio, consolidando as principais “dores” identificadas ao longo das discussões.
Com base nas dores mapeadas, foram gerados e priorizados conceitos de solução, considerando impacto, viabilidade técnica e potencial de replicação. Três grandes frentes foram priorizadas: Governança – criação de um comitê multidisciplinar de análise de ruídos, definição de papéis, responsabilidades e fluxo de tratativas pós-reclamação, incluindo indicadores e relatórios sistematizados; Engenharia – estudos de mitigação física, como barreiras acústicas modulares, enclausuramentos e ajustes operacionais; e Inovação – busca por soluções tecnológicas para identificação e classificação de fontes ruidosas.
Paralelamente ao desenvolvimento, foi estruturado um modelo de governança para o tema reclamação de ruído. O comitê de análise passou a reunir áreas operacionais, ambientais e manutenção, com o objetivo de analisar cada reclamação, identificar responsabilidades e definir ações corretivas ou preventivas.
Como resultado direto, observou-se, nos últimos três anos, uma redução aproximada de 64,2% nas reclamações de ruído e de 73,7% nas horas de paradas operacionais, consolidando uma tendência de melhoria contínua na percepção comunitária e na efetividade das ações de controle implementadas.
O case de redução do impacto de ruído no Complexo Vargem Grande demonstra que desafios ambientais complexos exigem abordagens integradas e inovadoras.
Sobre a mina
Um dos maiores complexos de minério de ferro operado pela Vale, a Vargem Grande fica localizada em Nova Lima (MG). O complexo com cerca de 30 km de extensão, cerca de 1.500 trabalhadores e mais de 150 equipamentos e máquinas, tem operações de lavra e beneficiamento e recentemente passou por um processo de expansão. O projeto conta com seis minas: Tamanduá, Horizontes, Abóboras, Pico, Galinheiro e Sapecado. A capacidade, com o fim do ramp up, é de produção anual de 15 milhões de toneladas/ano.

