Transição para diesel aditivado reduz consumo e manutenção na frota de Salobo, no Pará

Transição para diesel aditivado reduz consumo e manutenção  na frota de Salobo, no Pará

Localizado no Pará, o Complexo de Salobo é uma das principais operações de cobre da Vale Metais Básicos e a maior reserva mineral de cobre do país. Historicamente, a unidade sempre utilizou o diesel S500 na sua frota móvel pesada, especialmente caminhões fora de estrada e equipamentos de apoio. Entretanto, a evolução das normas ambientais brasileiras, em especial a Resolução CONAMA nº 433/2011 e resoluções complementares da ANP, estabelece limites mais restritivos de emissões para motores diesel, direcionando o uso preferencial do diesel S10 como combustível de referência, o que fez com que o Complexo pensasse na transição desse combustível.

Além do aspecto regulatório, a equipe de Salobo observou a necessidade de mitigar problemas operacionais recorrentes associados à qualidade do diesel S500, como maior incidência de obstrução de filtros, formação de depósitos e impacto negativo na eficiência de combustão, sobretudo em cenários de aumento do teor obrigatório de biodiesel para B14 e B15.

Diante desse contexto, a equipe do Complexo de Salobo propôs a transição do diesel S500 para o diesel S10 aditivado premium, contemplando uma abordagem estruturada de testes laboratoriais, validação em campo e monitoramento de indicadores técnicos e operacionais. O objetivo central foi avaliar riscos, ganhos e viabilidade técnica da substituição, garantindo segurança operacional, confiabilidade dos ativos e benefícios ambientais mensuráveis.

COMO O PROJETO FOI DESENVOLVIDO

O projeto foi estruturado com a participação integrada das áreas de Operação, Engenharia, Suprimentos e Gestão de Combustíveis, contando com o envolvimento direto da liderança de Salobo. Foram definidas fases claras de estudo de viabilidade, testes laboratoriais, testes em frota e planejamento de transição em escala.

Inicialmente, realizou-se a análise comparativa das especificações físico- químicas do diesel S500, diesel S10 e diesel S10 aditivado, considerando parâmetros como teor de enxofre, número de cetano, densidade, viscosidade, teor de água e estabilidade à oxidação. O diesel S10 aditivado apresentou número de cetano significativamente superior, fator diretamente associado à melhoria do processo de ignição e combustão.

Foram conduzidos testes laboratoriais em parceria com a Cummins, avaliando potência, consumo específico e eficiência energética sob diferentes faixas de carga. Os resultados demonstraram redução média de consumo horário quando comparado o diesel S10 aditivado ao S500, com variações positivas principalmente nas faixas de carga mais representativas da operação de mina.

RESULTADOS

Após os testes, os resultados demonstraram uma redução de consumo de combustível de 3,62%, com registros de ganhos de até 7% em determinadas faixas operacionais. Adicionalmente, observou-se uma melhoria da eficiência do processo de combustão, atribuída ao maior número de cetano do diesel S10 aditivado, o que favorece uma ignição mais rápida e homogênea, reduzindo atrasos de combustão e perdas energéticas.

No aspecto de confiabilidade, a transição para o diesel S10 aditivado resultou em redução do bloqueio prematuro de filtros e em menor incidência de falhas relacionadas à contaminação e à formação de partículas, especialmente em cenários com maior teor de biodiesel: houve redução de 165 horas para 3 horas de manutenção do sistema de combustível.

Os dados de monitoramento indicaram melhoria no desempenho do sistema de filtragem, refletindo diretamente na estabilidade operacional dos equipamentos e na redução de intervenções corretivas.

Nos ganhos econômicos, com base nos volumes anuais e nos preços unitários apresentados, a substituição do diesel S500 pelo diesel S10 resulta em uma economia anual estimada de R$ 4.891.520,00, equivalente a USD 841.913,94. Quando considerada a migração do diesel S500 para o diesel S10 premium aditivado os ganhos financeiros são ainda mais expressivos, alcançando uma economia anual estimada de R$ 9.273.600,00, correspondente a USD 1.596.144,58.

Já os resultados ambientais são expressivos e diretamente relacionados à redução do consumo de combustível e à melhoria da eficiência do processo de combustão. Conforme os dados apresentados no projeto, a transição proporciona uma redução aproximada de 4.000 toneladas de CO₂ equivalente, representando um impacto positivo relevante na pegada de carbono da operação. Esse volume de emissões evitadas é comparável ao plantio de mais de 25 mil árvores ou à retirada de aproximadamente 900 veículos de passeio das ruas durante um ano, evidenciando a contribuição do projeto para a sustentabilidade ambiental.