Transição energética na mineração: eletrificação, PPA e baterias avançam nas operações

Transição energética na mineração: eletrificação, PPA e baterias avançam nas operações

Eletrificação de equipamentos, energia renovável, autoprodução, contratos de longo prazo e armazenamento em baterias estão entre os caminhos para reduzir emissões das operações minerais.

A transição energética na mineração ainda enfrenta uma barreira importante: o volume de investimentos necessário para substituir equipamentos, ampliar a infraestrutura elétrica e modernizar plantas e minas.

Diante desse cenário, a eletrificação das operações tende a ocorrer de maneira gradual, começando pelos processos que apresentam maior potencial de redução de emissões e melhor retorno econômico.

Para Flávia Daher, diretora Comercial e Trading da Elera Renováveis, o planejamento dessa transição é determinante para tornar os investimentos economicamente viáveis.

“Um primeiro passo importante é identificar as etapas do processo com maior potencial de redução de emissões e melhor retorno econômico, priorizando projetos que apresentem ganhos mais rápidos”, afirma.

A estratégia pode envolver desde a substituição de equipamentos movidos a combustíveis fósseis até novos modelos de contratação de energia renovável e sistemas de armazenamento em baterias.

Por onde começar a transição energética na mineração?

Para a executiva, a eletrificação completa de uma operação mineral não precisa ocorrer de uma única vez.

O primeiro movimento pode ser identificar equipamentos e processos nos quais a substituição de combustíveis fósseis por eletricidade apresente maior viabilidade técnica e econômica.

Algumas mineradoras, segundo Daher, têm iniciado esse processo pela substituição gradual de suas frotas.

“À medida que a tecnologia evolui e os custos diminuem, espera-se uma expansão gradual da eletrificação para outras etapas da operação”, afirma.

Essa abordagem permite distribuir os investimentos ao longo do tempo e avaliar os resultados de cada etapa antes de avançar para novos processos.

Infraestrutura elétrica é um dos desafios da eletrificação das minas

Trocar um equipamento a diesel por uma alternativa elétrica representa apenas uma parte da transformação.

A eletrificação pode exigir mudanças na própria infraestrutura energética das operações, incluindo capacidade de fornecimento, distribuição interna de eletricidade e sistemas necessários para atender equipamentos de maior potência.

Por isso, a transição precisa considerar simultaneamente equipamentos, infraestrutura elétrica e disponibilidade de energia.

Segundo Daher, a combinação entre planejamento de longo prazo, financiamento e fornecimento de energia limpa será necessária para acelerar essa transformação.

Linhas de financiamento destinadas a projetos de transição energética e descarbonização também podem ajudar a viabilizar os investimentos.

Energia renovável é fundamental para descarbonizar a mineração

A origem da eletricidade utilizada pelas operações é outro componente importante da estratégia.

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Ao substituir equipamentos movidos a combustíveis fósseis por alternativas elétricas, as mineradoras passam a depender ainda mais do fornecimento de energia.

Quando essa eletricidade é proveniente de fontes renováveis, como solar, eólica e hídrica, a eletrificação pode contribuir para a redução das emissões associadas às operações.

Nesse cenário, mineradoras precisam decidir também como contratar ou produzir a energia necessária para suas atividades.

Entre as alternativas estão a autoprodução de energia e os PPAs (Power Purchase Agreements).

Autoprodução ou PPA: qual modelo funciona para a mineração?

A escolha depende principalmente do perfil de consumo de energia, disponibilidade de capital, estratégia financeira e objetivos de longo prazo de cada operação.

Para grandes mineradoras com consumo elevado e relativamente previsível, a autoprodução de energia pode apresentar vantagens.

Nesse modelo, a companhia participa da geração da energia que consome.

“Além de garantir previsibilidade de custos energéticos no longo prazo, a mineradora passa a ter participação na geração da própria energia e pode se beneficiar da redução de determinados encargos setoriais sobre a parcela autoproduzida, aumentando sua competitividade”, explica Daher.

O modelo exige, entretanto, uma estratégia de investimento diferente daquela encontrada na simples contratação de energia.

PPA permite contratar energia renovável sem investir diretamente na geração

Os PPAs representam outra alternativa para mineradoras que desejam contratar energia renovável sem necessariamente investir diretamente na construção ou aquisição de ativos de geração.

São contratos de compra de energia que podem ser estruturados para períodos mais longos, oferecendo maior previsibilidade sobre determinados componentes do custo energético.

“Essa modalidade oferece flexibilidade, menor comprometimento de capital e contratos estruturados para proporcionar segurança de suprimento e previsibilidade de preços”, afirma a executiva.

Para algumas empresas, a solução pode estar na combinação dos dois modelos.

Uma mineradora pode utilizar autoprodução para parte de sua demanda e PPAs para complementar o fornecimento, estruturando uma estratégia híbrida de acordo com seu perfil operacional e financeiro.

Baterias começam a ganhar espaço na infraestrutura energética das minas

O armazenamento de energia é outra tecnologia que pode ganhar importância à medida que as operações aumentam o consumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis.

Sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos internacionalmente como BESS (Battery Energy Storage Systems), permitem armazenar eletricidade para utilização em outros momentos.

Segundo Daher, aplicações internacionais mostram que a tecnologia já está sendo utilizada por grandes operações minerais.

“As aplicações com bateria já utilizadas por grandes mineradoras da Austrália e do Chile, por exemplo, mostram que o armazenamento permite aumentar a participação de fontes renováveis, reduzir o consumo de diesel, melhorar a estabilidade da operação e acelerar a descarbonização do setor”, afirma.

A redução dos custos das baterias pode ampliar sua utilização em projetos minerais de grande porte.

Como as baterias ajudam uma mina com energia solar ou eólica?

Fontes como solar e eólica possuem geração variável ao longo do tempo.

O armazenamento permite guardar parte da energia disponível em determinados períodos para utilização posterior, dependendo da configuração do sistema.

Em uma operação mineral, essa capacidade pode ser combinada com geração renovável e outras fontes de energia para aumentar a flexibilidade do sistema elétrico.

Em determinadas aplicações, baterias também podem contribuir para reduzir a utilização de geração a diesel e melhorar a gestão da demanda de energia.

A configuração adequada, entretanto, depende das características específicas de cada mina ou planta.

Transição energética da mineração tende a combinar diferentes soluções

Não existe uma única tecnologia capaz de descarbonizar toda a mineração.

A transformação tende a ocorrer pela combinação de diferentes estratégias: eletrificação de equipamentos, expansão da infraestrutura elétrica, contratação de energia renovável, autoprodução, PPAs e armazenamento em baterias.

O desafio das mineradoras será determinar quais tecnologias devem ser implantadas primeiro e quais apresentam melhor relação entre investimento, redução de emissões e retorno econômico.

Nesse processo, a transição energética deixa de ser apenas uma decisão sobre a origem da eletricidade e passa a fazer parte do próprio planejamento de longo prazo das operações minerais.