Estudo correlaciona texturas da bauxita na lavra, otimizando o processo industrial
Apesar da ampla literatura sobre a gênese, mineralogia e geoquímica da bauxita, ainda existe um vazio significativo no entendimento geometalúrgico do minério — especialmente no que diz respeito à integração entre texturas, propriedades físico-químicas e desempenho nos processos de lavra e beneficiamento.
Este trabalho propõe um modelo geometalúrgico integrado para a bauxita extraída da região de Porto Trombetas (PA), estruturado a partir da classificação textural (composição física do solo). O estudo correlaciona texturas com parâmetros essenciais de processo, oferecendo avanços concretos na previsão de desempenho industrial, no apoio à modelagem geológica e na identificação de oportunidades de otimização operacional.
Foram investigadas quatro texturas — porcelanática (PO), aureolar (AU), box-work (BW) e granular (GR) — nos platôs lavrados pela MRN, totalizando 148 amostras submetidas a ensaios físicos, químicos, mineralógicos e microestruturais, incluindo densidade, umidade, porosidade, secagem assistida e tenacidade.
As texturas aureolar e porcelanática apresentaram melhor desempenho de secagem e maior ganho de qualidade, enquanto as texturas granulares e box-work (revestido de quartzo) mostraram maior geração de finos, maior retenção de umidade e maior abrasividade.
A textura aureolar, apesar de apresentar baixa porosidade total, possui elevada conectividade entre os poros, o que favorece a difusão da umidade e explica sua rápida secagem. Entretanto, o aumento da porosidade nem sempre resulta em melhor desempenho, pois uma elevada tortuosidade pode dificultar o escoamento da água.
As texturas com maior conectividade de poros, como a box-work, retêm mais umidade de forma estável; texturas mais compactas, como aureolar e porcelanática, mantêm baixos teores e menor variabilidade; e a granular, pela heterogeneidade, apresenta comportamento intermediário, porém crítico para o controle operacional da lavra e do beneficiamento.
As análises granuloquímicas mostram ainda que os finos gerados apresentam teores distintos de sílica reativa (SIR), indicando que ajustes na ciclonagem ou na estratégia de blendagem podem melhorar a recuperação mássica e a segregação de sílica, especialmente para as texturas aureolar e porcelanática.
O ganho de qualidade definido pela redução relativa de SIR com mínima perda mássica, mostrou-se diretamente proporcional à tenacidade e à densidade do material, sendo maior nas texturas aureolar e porcelanática. Texturas menos densas apresentaram maior perda mássica e menor ganho de qualidade.
Com o objetivo de estimar possíveis ganhos no beneficiamento desenvolveu-se um modelo preditivo inicial que demonstrou ser possível reduzir o consumo de água por meio da redistribuição planejada das lavras de bauxita de acordo com as texturas ao longo do mês/ano, resultando em maior eficiência operacional da planta.
Os resultados demonstram que a classificação textural é uma ferramenta robusta e aplicável à geometalurgia da bauxita, permitindo antecipar o comportamento do minério, ajustar rotas de processo, otimizar consumo energético, controlar a geração de finos e minimizar perdas associadas à sílica reativa.
Embora os estudos ainda estejam em andamento, os dados iniciais indicam que o uso da textura como variável preditiva oferece um caminho promissor para melhor desempenho industrial, maior eficiência operacional e benefícios ambientais, reforçando seu potencial para contribuir com uma mineração de bauxita mais sustentável.
Sobre a mina
A Mineração Rio do Norte (MRN) foi criada em 1967 a partir da descoberta das expressivas reservas de bauxita da região do rio Trombetas, no oeste do Pará, consolidando-se como um dos mais relevantes projetos minerários do Brasil. Suas operações tiveram início em 1979, em Porto Trombetas (PA), que contempla mina, planta de beneficiamento, sistema ferroviário e porto dedicado.
A produção de ROM (run of mine) sustenta uma capacidade anual de cerca de 12 milhões de toneladas de bauxita, que abastece o mercado nacional e internacional. Atualmente, a MRN é a maior produtora de bauxita do país.
Em abril último, a MRN obtém Licença de Instalação do Projeto Novas Minas, estendo as operações locais até 2041. O investimento total previsto é de R$ 9 bilhões. A meta de produção anual de bauxita no projeto é de 12,5 milhões de toneladas.


