Fotografia obtém maior acurácia em levantamentos estruturais e litológicos na mina
O mapeamento estrutural é fundamental para a caracterização de maciços rochosos, mas o método convencional de levantamento topográfico apresenta limitações severas. Na mina Ipueira, o suporte primário com concreto projetado é aplicado imediatamente após a escavação, impedindo o acesso seguro para medições diretas das faces rochosas “in natura”.
Essa restrição reduz de forma significativa o número de observações. Adicionalmente, a presença de magnetita nas rochas encaixantes provoca interferências magnéticas, induzindo erros sistemáticos em leituras de bússolas geológicas.
Nesse contexto, a fotogrametria surge como uma alternativa viável, para validar a acurácia de dados estruturais na mina subterrânea, visando a superar as limitações de acesso e segurança do método tradicional.
O processo de criação dos modelos é iniciado a partir das fotografias com smartphone do local. Essas imagens são transportadas para o software ShapeMetriX e são criadas as nuvens de ponto, representando os modelos digitais.
A elevada capacidade de resolução dos modelos, mesmo com uma câmera de resolução limitada e fotos retiradas com distâncias que variam de 8 a 12 metros da face final, é um ponto importante da iniciativa. Além disso, o sólido gerado a partir da nuvem de pontos possui uma alta definição, proporcionando ao usuário clareza e segurança na escolha de planos de descontinuidade e contatos litológicos.
Com isso, aplicação da fotogrametria na mina permite um refinamento significativo na identificação de falhas que controlam os deslocamentos do corpo mineralizado. A alta precisão no georreferenciamento dessas estruturas confere maior previsibilidade à posição dos contatos geológicos, permitindo atualizações do modelo litológico de curto prazo com precisão.
A eliminação da necessidade de medições manuais com bússola e representação em croquis permite a redução do tempo da atividade da equipe em cerca de 60% e a subjetividade na representação espacial das descontinuidades. Conclui-se que a técnica oferece maior densidade de dados e segurança, mitigando vieses estatísticos inerentes ao método tradicional.
Sobre a mina
A Ferbasa atua na extração de cromita em dois grupamentos mineiros, situados na região centro-norte do estado da Bahia. Suas principais minas são a Coitezeiro, em Campo Formoso (BA), e Ipueira, localizada no município de Andorinha (BA). Em Campo Formoso, as operações se iniciaram em 1961, pelo método de lavra a céu aberto, que continua sendo utilizado. Já as operações em Andorinha (BA) foram iniciadas em 1973 para a produção de minério de cromo, com lavra a céu aberto e, mais tarde, através de métodos subterrâneos. A maior parte da produção de minério supre a demanda da metalurgia, em Pojuca (BA). Em 2025, a produção de ferrocromo e ferrosilício da empresa chegou a 301 mil toneladas/ano – a produção bruta ultrapassa 1 milhão de toneladas/ano.


