Pesquisa amplia entendimento sobre minérios de alto teor em Carajás e no Quadrilátero Ferrífero

Pesquisa amplia entendimento sobre minérios de alto teor em Carajás e no Quadrilátero Ferrífero

O conhecimento sobre a formação dos principais depósitos de minério de ferro do Brasil ganhou novos avanços a partir de pesquisas desenvolvidas em uma ampla colaboração entre universidades, empresas e instituições de pesquisa. Os resultados foram apresentados pela geóloga Rosaline C. F. de Silva, do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais, durante o Simexmin 2026, realizado em Ouro Preto.

A palestra, intitulada “Avanços no conhecimento da mineralização de ferro em depósitos selecionados nas províncias minerais Carajás e Quadrilátero Ferrífero”, reuniu resultados de estudos conduzidos no âmbito de um projeto de colaboração técnico-científica que envolve diversas universidades brasileiras, a Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), responsável pela gestão da iniciativa, a Vale e outras instituições.

Coordenadora do projeto de metalogênese do ferro, Rosaline destacou que os trabalhos vêm sendo desenvolvidos por meio de pesquisas de mestrado, doutorado e trabalhos de conclusão de curso. O foco principal está na compreensão da transição entre as formações ferríferas, rochas que hospedam os depósitos minerais, e os corpos de minério de alto teor.

Segundo a pesquisadora, os estudos mais recentes têm ajudado a esclarecer a origem dos chamados minérios hipogênicos, que se formam em profundidade e podem representar as raízes de depósitos mais superficiais já conhecidos.

“As pesquisas em andamento revelam o entendimento da gênese de corpos de minério de alto teor, chamados hipogênicos, principalmente em profundidade, como raízes de corpos mais superficiais”, afirmou.

Guias para a exploração mineral

A compreensão dos processos que transformam formações ferríferas em minérios de alto teor tem impacto direto na atividade exploratória. De acordo com Rosaline, conhecer essa evolução geológica permite identificar características que podem servir como indicadores para a descoberta de novas mineralizações.

“Compreender essa transição é essencial para o entendimento da gênese dos minérios de alto teor e pode servir como guia exploratório para novas descobertas, especialmente em profundidade”, explicou.

A pesquisadora ressaltou que as pesquisas também podem oferecer suporte em diferentes etapas da cadeia mineral, desde a geração de alvos exploratórios até a caracterização dos minérios e de seus contaminantes.

“Os estudos podem auxiliar na geração de guias prospectivos e em etapas que envolvem caracterização de minérios, contaminantes e química mineral, entre outros aspectos.”

Ambientes geológicos distintos

Embora abriguem algumas das maiores reservas de minério de ferro do mundo, as províncias minerais de Carajás e do Quadrilátero Ferrífero apresentam diferenças importantes em sua formação geológica. Segundo Rosaline, as formações ferríferas bandadas de Carajás são mais antigas e estão associadas a ambientes vulcanogênicos do período Arqueano. Já no Quadrilátero Ferrífero, as rochas hospedeiras se formaram posteriormente, durante o Paleoproterozoico, em ambientes sedimentares de plataforma.

Apesar dessas diferenças, os mecanismos responsáveis pela geração dos minérios de alto teor apresentam semelhanças. “Os processos são semelhantes, com formação hipogênica frequentemente controlada por estruturas geológicas e posteriormente modificada por processos supergênicos, que deram origem aos grandes depósitos de ferro observados nas duas províncias”.

Integração entre universidade e indústria

Outro destaque da apresentação foi o modelo de cooperação adotado pelo projeto. Para Rosaline, a aproximação entre universidades e empresas tem papel fundamental no avanço do conhecimento científico aplicado à mineração.

“Essa parceria entre universidade e indústria é essencial para acelerar o avanço do conhecimento científico. Além da geração de conhecimento, ela contribui para a formação de profissionais, especialmente na pós-graduação”, disse.

A pesquisadora observou ainda que iniciativas desse tipo já são consolidadas em países com forte tradição mineral, como a Austrália, e ajudam a aproximar a pesquisa acadêmica dos desafios enfrentados pela indústria.

Potencial em profundidade

Mesmo em regiões amplamente estudadas, como Carajás e o Quadrilátero Ferrífero, ainda há espaço para novas descobertas. Na avaliação de Rosaline, o principal potencial está na continuidade dos corpos mineralizados em maiores profundidades.

“Acredito que ainda existam oportunidades importantes, especialmente relacionadas à extensão dos corpos de minério em profundidade”, afirmou.