Eluição Zadra: otimização do circuito aumenta a recuperação de ouro
A eluição Zadra é uma das principais tecnologias utilizadas na recuperação de ouro adsorvido em carvão ativado após a etapa de lixiviação. O desempenho desse processo influencia diretamente a recuperação metalúrgica, o tempo de processamento e os custos operacionais das plantas de beneficiamento.
Um projeto desenvolvido na unidade Fazenda Brasileiro Desenvolvimento Mineral, da Leagold Mining, demonstrou que a otimização dos parâmetros operacionais do circuito de eluição permitiu elevar significativamente a eficiência do processo, reduzindo o tempo de ciclo e aumentando a produtividade da planta.
Como funciona o processo de eluição Zadra?
Após a adsorção do ouro no carvão ativado, o metal precisa ser removido para seguir às etapas de recuperação eletrolítica.
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No processo Zadra sob pressão, uma solução contendo hidróxido de sódio (NaOH) e cianeto de sódio (NaCN) circula através do leito de carvão sob altas temperaturas e pressão controlada, promovendo a dessorção do ouro.
O método é amplamente empregado em plantas de beneficiamento devido à elevada eficiência na recuperação do metal.
Principais variáveis do circuito
O desempenho da eluição depende do controle rigoroso de diferentes parâmetros operacionais.
Entre os principais estão:
- temperatura da solução;
- pressão de operação;
- vazão do eletrólito;
- concentração de NaCN;
- concentração de NaOH;
- taxa de circulação da solução (BV/h).
A combinação adequada dessas variáveis reduz o tempo de eluição e aumenta a recuperação do ouro.
Temperatura é o fator mais importante
Segundo o estudo, a temperatura é a variável que mais influencia a eficiência da eluição.
Como temperaturas elevadas aceleram a remoção do ouro do carvão ativado, torna-se necessário operar sob pressão para manter a solução em estado líquido durante todo o processo.
Esse controle permite maior estabilidade operacional e melhor desempenho metalúrgico.
Vazão influencia o tempo de ciclo
Outro fator decisivo é a vazão do eletrólito.
Nos sistemas Zadra, esse parâmetro costuma ser expresso em bed volumes por hora (BV/h), representando a relação entre a vazão da solução e o volume de carvão presente na coluna.
Projetos convencionais operam normalmente entre 2 e 4 BV/h, enquanto operações com maior carregamento de ouro podem exigir vazões superiores para manter elevados índices de recuperação.
Desafios identificados
Antes da implementação das melhorias, a operação apresentava:
- tempo elevado de eluição;
- baixa recuperação do ouro;
- elevado teor de ouro no carvão descarregado;
- grande variabilidade operacional;
- alto inventário de ouro no circuito;
- menor flexibilidade no planejamento da produção.
Esses fatores impactavam diretamente a produtividade e os custos da planta.
Resultados obtidos
Após a otimização do circuito, foram alcançados ganhos importantes:
- aumento da eficiência da eluição de 75,4% para 85,9%;
- redução do tempo de eluição de 11 horas para 8 horas;
- reutilização da solução de processo;
- economia anual de aproximadamente R$ 287 mil em reagentes;
- redução do inventário de ouro;
- diminuição das perdas associadas aos finos de carvão;
- aumento da movimentação mensal de carvão em cerca de 33 toneladas;
- maior flexibilidade operacional e no planejamento da mina.
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Os resultados demonstram como ajustes operacionais podem gerar ganhos expressivos sem necessidade de grandes investimentos em novos equipamentos.
Melhoria contínua aumenta a eficiência do beneficiamento
Projetos de melhoria contínua em circuitos metalúrgicos permitem otimizar a recuperação do ouro, reduzir custos e aumentar a confiabilidade operacional.
O estudo realizado na Fazenda Brasileiro Desenvolvimento Mineral mostra que o monitoramento sistemático dos parâmetros de eluição e a revisão das condições operacionais podem elevar significativamente o desempenho de plantas que utilizam carvão ativado na recuperação de ouro.
Sobre os autores
O trabalho foi desenvolvido por profissionais da Leagold Mining:
- Antônio Venâncio do Rosário — Gerente Geral
- Antonio Amancio Filho — Engenheiro de Processos
- Anderson Luiz Malagi
- Damião Freitas de Araújo — Supervisor de Produção
- Gabriel Sapucaia dos Santos — Gerente de Planta
- Handerson Alves Silva — Engenheiro de Processos Sênior
- Idalmar Souza Teixeira — Engenheiro Responsável pela Manutenção
- Elias do Nascimento Zorzan — Coordenador de Engenharia de Manutenção e Projetos

