Jaguar Mining eleva recuperação de ouro refratário de 55% para 67%

Jaguar Mining eleva recuperação de ouro refratário de 55% para 67%

Um projeto desenvolvido pela Jaguar Mining conseguiu elevar de 55% para cerca de 67% a recuperação de ouro de minério refratário no Projeto Faina, localizado a 500 metros a noroeste da operação da Unidade MTL, em Conceição do Pará (MG).

Os resultados do trabalho, de autoria da engenheira química Juliana Abreu de Freitas, foram apresentados no Procemin-Geomet 2026, 22ª Conferência Internacional de Processamento de Minerais e Geometalurgia, realizada entre 7 e 9 de julho, em Santiago, no Chile.

Intitulado “Optimizing Direct Leaching of Refractory Gold Through Mineralogical Insights and Process Adjustment”, em tradução livre, “Otimização da lixiviação direta de ouro refratário por meio de conhecimentos mineralógicos e ajustes de processo”, o estudo ganhou espaço em um dos principais fóruns técnicos do setor mineral, que reuniu representantes de mais de 20 países.

Projeto aumenta recuperação de ouro sem grandes investimentos

O trabalho nasceu de um desafio concreto da operação: aumentar o aproveitamento do ouro presente no minério refratário de Faina.

Por suas características mineralógicas, esse tipo de minério apresenta maior complexidade para a recuperação do metal por processos convencionais. A solução encontrada pela equipe, porém, não exigiu grandes investimentos em novos equipamentos, concentrando-se em ajustes no processo industrial.

“Tínhamos uma recuperação prevista de 55% e conseguimos atingir 67%, bem acima do planejado. Quando aumentamos a recuperação do material alimentado, reduzimos a quantidade de ouro que permanece no resíduo. O principal ganho é a otimização da produção”, explica Juliana.

Um dos principais aspectos do projeto foi justamente a utilização do conhecimento sobre o comportamento mineralógico do minério para orientar a otimização das condições de processamento.

Moagem mais fina contribuiu para recuperação do ouro

Os estudos começaram ainda em 2022/2023, com testes em laboratório destinados a compreender melhor o comportamento do minério e identificar alternativas para aumentar a quantidade de ouro recuperada.

O caminho encontrado pela equipe combinou o conhecimento das características mineralógicas do minério com ajustes no processamento.

Entre as mudanças realizadas esteve uma moagem mais fina do material, acompanhada pela otimização de parâmetros operacionais.

A proposta avançou posteriormente do laboratório para a escala industrial. Foram realizados sucessivos testes na planta e os resultados de cada experiência serviram como base para novos ajustes.

“Esse projeto tem como base vários anos de estudos. Fizemos diferentes testes industriais e, a cada teste, fomos aprendendo mais. O trabalho apresentado no congresso foi o que teve o melhor resultado até aquele momento”, afirma Juliana.

Testes avançaram do laboratório para a planta industrial

O estudo apresentado no Chile corresponde a um dos testes industriais realizados em 2024 e que, naquele momento, alcançou o melhor desempenho entre as experiências conduzidas pela equipe.

A pesquisa, entretanto, teve continuidade.

Com a retomada das operações da Jaguar Mining, em março de 2026, novos testes de processamento começaram a ser realizados. Segundo Juliana, os resultados permanecem próximos do patamar de 67% de recuperação, enquanto a equipe continua avaliando ajustes capazes de ampliar a eficiência.

“Continuamos usando a mesma técnica e buscando novas mudanças que sejam positivas”, afirma.

O processo permite que os resultados obtidos na planta alimentem novos estudos e ajustes, estabelecendo uma dinâmica contínua de aprendizado e melhoria operacional.

Para Juliana, a participação no Procemin-Geomet 2026 reforça a importância de transformar desafios encontrados na rotina industrial em conhecimento técnico capaz de gerar melhorias para a própria operação.