Supervisão humana continuará necessária’, diz diretor da Arcadis sobre avanço da IA na mineração
A inteligência artificial vem ganhando espaço na mineração e promete transformar desde atividades rotineiras até a tomada de decisões estratégicas. Apesar do avanço das ferramentas digitais, a tecnologia ainda deve ser vista como um apoio ao trabalho humano, e não como um substituto. Essa é a avaliação de Leonardo Lima, diretor de Mineração da Arcadis, durante o painel Innovation in Action: Transforming Brazil’s Mining through Technology & Sustainability, realizado no Critical Minerals Summit, em Belo Horizonte.
Segundo o executivo, a IA já faz parte da rotina da empresa, mas seu uso exige critérios bem definidos e acompanhamento constante. “Não se pode jamais entregar qualquer coisa derivada 100% da IA. Será necessário, na minha visão, para sempre, a supervisão humana”, afirmou.
Atualmente, cerca de 75% dos colaboradores da Arcadis na América Latina utilizam alguma ferramenta de inteligência artificial no dia a dia. Para Leonardo Lima, o setor ainda atravessa uma fase de amadurecimento, em que empresas experimentam diferentes soluções antes de direcionar a tecnologia para aplicações específicas.
“O primeiro passo é fazer as pessoas se ambientarem com as ferramentas. Depois, começamos a direcionar a inteligência artificial para aquilo que realmente gera valor para o negócio”, explicou.
Na avaliação do diretor, a IA tem potencial para contribuir principalmente em áreas como segurança operacional, análise de grandes volumes de dados e apoio à tomada de decisões. No entanto, ele destaca que o sucesso da tecnologia depende da qualidade das informações disponíveis.
“Primeiro é preciso trabalhar uma base de dados robusta, definir claramente quais objetivos se quer alcançar e, a partir disso, utilizar a inteligência artificial para tomar decisões melhores e aumentar a eficiência”, disse.
Embora o debate sobre IA esteja em evidência, Leonardo Lima ressalta que inovação não se resume à adoção dessa tecnologia. Segundo ele, soluções de automação, digitalização de processos e outras ferramentas já vêm entregando ganhos relevantes para a mineração.
“Nem tudo precisa ser inteligência artificial. Muitas vezes, uma solução digital mais simples ou um processo automatizado já entrega exatamente o resultado esperado”, afirmou.
Durante o painel, o executivo também relacionou inovação à agenda de sustentabilidade. Para ele, incorporar essas duas frentes desde a concepção dos empreendimentos pode reduzir prazos de desenvolvimento e tornar os projetos mais competitivos.
Minerais críticos
Leonardo Lima destacou que a demanda mundial por minerais críticos e essenciais cresce impulsionada pela transição energética, mas alertou que a expansão da produção precisa
ocorrer de forma responsável. “O mundo tem pressa para colocar esses minerais no mercado, mas isso não pode ser feito de qualquer jeito”, afirmou.
O executivo defende que a combinação entre inovação tecnológica e práticas sustentáveis será decisiva para acelerar projetos de mineração sem comprometer aspectos ambientais, sociais e de governança.
Além da inteligência artificial, a Arcadis desenvolve projetos voltados à descarbonização, conservação ambiental e legado social. Entre os exemplos citados pelo diretor estão iniciativas para substituição de combustíveis fósseis por fontes menos emissoras e estudos para recuperação de minerais críticos presentes em barragens de rejeitos, unindo ganhos econômicos à redução de riscos ambientais.

