Vale reduz consumo de diesel em 5% com IA e melhorias nas vias do Complexo de Mariana
Telemetria, mapas de calor e machine learning orientaram mais de 100 intervenções nas rotas de caminhões fora de estrada, com ganho de 6,3% na produtividade.
A Vale reduziu em média 5% o consumo específico de diesel dos caminhões fora de estrada no Complexo de Mariana, em Minas Gerais, após utilizar telemetria e modelos de machine learning para identificar trechos das vias com maior impacto sobre a eficiência da frota.
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O programa orientou mais de 100 intervenções nas vias de transporte a partir de mapas de calor de vibração e intensidade de consumo de combustível.
Além da economia de diesel, a companhia registrou aumento de 9% na velocidade média dos ciclos e ganho de 6,3% na produtividade, medida em toneladas por hora.
Segundo a análise da equipe responsável pelo projeto, os ganhos também representam potencial para uma redução de até 9% da frota de transporte, mantendo a mesma massa movimentada. Esse percentual representa uma possibilidade operacional calculada a partir dos resultados, e não necessariamente uma redução de frota já realizada.
Telemetria identifica trechos que aumentam consumo dos caminhões
A estratégia parte do princípio de que as condições das vias utilizadas pelos caminhões fora de estrada interferem diretamente no desempenho da operação.
Irregularidades, inclinações e outros fatores podem aumentar vibrações, reduzir a velocidade e elevar o consumo de combustível.
Para identificar esses pontos, a Vale desenvolveu um framework de priorização de intervenções baseado em mapas de calor de vibração e consumo de diesel.
Os segmentos considerados críticos pelos modelos foram posteriormente validados por inspeções em campo.
Com isso, a manutenção das vias passou a ser direcionada por dados obtidos diretamente durante a operação dos equipamentos.
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Caminhões CAT 789D foram monitorados em alta resolução
O estudo analisou caminhões fora de estrada CAT 789D equipados com instrumentação de telemetria da Cascadia Scientific.
Os equipamentos registraram informações por meio de medidores de vazão com precisão indicada de ±0,1%, acelerômetro de nove eixos e GPS RTK.
Essa combinação permitiu relacionar características das rotas ao comportamento dos caminhões e ao consumo de combustível.
Os dados foram utilizados para produzir mapas capazes de mostrar onde estavam concentradas as maiores vibrações e os maiores níveis de consumo.
Machine learning estima consumo esperado em cada viagem
Além da telemetria, o projeto utilizou machine learning para analisar o desempenho dos caminhões.
Modelos do tipo Gradient Boosted Trees foram empregados para estimar o consumo esperado de combustível em cada viagem, controlando variáveis como distância percorrida, inclinação da rota e carga transportada.
A diferença entre o consumo efetivamente registrado e aquele estimado pelo modelo foi então transformada em indicadores percentuais.
A equipe também utilizou valores SHAP, técnica que permite interpretar modelos de machine learning e identificar quanto cada variável contribui para determinado resultado.
Dessa maneira, o sistema não apenas apontava diferenças de desempenho, mas ajudava a compreender quais fatores estavam associados a elas.
Rotas apresentaram similaridade de 95,7%
Um dos desafios da análise era determinar se os resultados obtidos com os caminhões monitorados poderiam representar o comportamento da frota em condições semelhantes.
Para isso, a equipe comparou características das rotas utilizando a métrica Histogram Intersection.
O método avaliou a sobreposição entre distribuições relacionadas a distância e inclinação das rotas.
A análise alcançou similaridade global de 95,7% entre as rotas monitoradas e não monitoradas, resultado utilizado pela equipe para sustentar a representatividade das análises para a frota considerada no estudo.
Consumo de diesel caiu 5% após intervenções
Depois de mais de 100 intervenções nas vias, a análise dos ciclos registrou redução média de 5% no consumo específico de diesel.
Segundo os autores do trabalho, o resultado ficou dentro do intervalo de 4% a 10% encontrado na literatura técnica considerada pelo estudo para intervenções equivalentes.
A melhoria das condições das vias também permitiu que os caminhões operassem com maior velocidade média.
O indicador aumentou 9% após as intervenções, considerando os ajustes de similaridade entre as rotas.
Produtividade aumentou 6,3%
O ganho de velocidade teve reflexo sobre outro indicador importante da operação: a produtividade.
A movimentação medida em toneladas por hora aumentou 6,3%.
A equipe avaliou ainda um cenário alternativo no qual o ganho de produtividade poderia ser convertido em redução da quantidade de equipamentos necessários para realizar a mesma movimentação.
Nesse cenário, os resultados indicaram potencial de hibernação de até 9% da frota de transporte, mantendo a massa transportada nos mesmos parâmetros anteriores às intervenções.
Isso significa que o ganho não precisa necessariamente ser utilizado apenas para aumentar a produção: ele também pode representar uma oportunidade de otimização da quantidade de equipamentos em operação.
Melhores vias também podem contribuir para a descarbonização
A redução do consumo de diesel adiciona uma dimensão ambiental ao ganho operacional.
Caminhões fora de estrada estão entre os equipamentos de maior consumo energético de uma operação mineral. Assim, diminuir o combustível necessário para movimentar a mesma quantidade de material contribui para reduzir as emissões associadas ao transporte.
O projeto mostra que a descarbonização da mineração não depende exclusivamente da substituição dos equipamentos a diesel por alternativas elétricas ou outros combustíveis.
Melhorias de infraestrutura, manutenção de vias, telemetria e inteligência artificial também podem reduzir o consumo energético da frota existente.
IA transforma manutenção de vias em ferramenta de produtividade
A experiência do Complexo de Mariana demonstra uma aplicação prática da inteligência artificial na mineração que conecta manutenção, produtividade e eficiência energética.
Em vez de definir as intervenções apenas a partir de inspeções convencionais, a operação utiliza dados produzidos pelos próprios caminhões para localizar os trechos que exercem maior impacto sobre seu desempenho.
Os principais resultados reportados após mais de 100 intervenções foram:
- 5% de redução média no consumo específico de diesel;
- 9% de aumento na velocidade média;
- 6,3% de ganho de produtividade;
- 95,7% de similaridade entre as rotas analisadas;
- potencial de redução de até 9% da frota, mantendo a mesma movimentação.
Segundo a equipe responsável pelo estudo, a metodologia apresenta potencial de aplicação em outras operações da Vale e também pode servir como referência para outras mineradoras.
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O projeto evidencia como telemetria, machine learning e manutenção orientada por dados podem transformar uma atividade aparentemente convencional — a conservação das vias de mina — em uma ferramenta para elevar produtividade e reduzir consumo de combustível.

