Pesquisa aponta sustentabilidade e eficiência energética para o futuro da mineração; Infraestrutura ainda é gargalo no País
Com a publicação do Plano Nacional de Mineração 2050, ficou ainda mais visível o destaque que o Brasil vem ganhando no setor mineral e as demandas de transformação para a evolução do País neste mercado. Entre os principais pontos do documento, lançado na última semana, está a elevação da participação brasileira no mercado global de minerais críticos (lítio, nióbio, cobre e grafita, entre outros) dos atuais 8% para 12% a 13%; aumento da participação da mineração no PIB brasileiro de 3,3% para 4,5%, com investimentos saltando de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,7 bilhões.
Nesse sentido, a Aggreko, líder global em soluções customizadas de energia e temperatura, também publicou uma pesquisa contando que o Brasil está como um dos protagonistas nesse cenário para ampliar a relevância internacional do bloco latino-americano, com potencial para atrair US$ 76,9 bilhões, cerca de R$ 390 bilhões, em investimentos no setor até 2030. A análise faz parte do estudo inédito “A Nova Equação da Mineração na América Latina: As Fronteiras Invisíveis entre Energia e Operações”, lançado pela empresa na última semana, em São Paulo.
O relatório reúne entrevistas em profundidade com executivos e especialistas de grandes mineradoras na Argentina, Brasil, Chile, Equador, México e Peru, evidenciando a importância da segurança energética para a segurança e expansão das companhias e os gargalos que impedem esse desenvolvimento, como a logística, infraestrutura e regulação (obtenção de licenças ambientais).
De acordo com o levantamento, 66% dos líderes entrevistados associam o futuro energético do setor diretamente à sustentabilidade, ao uso de fontes renováveis e à eficiência operacional. Em paralelo, 40% destacaram a existência de barreiras operacionais e /ou econômicas à transição.
“No caso das minas subterrâneas, por exemplo, se acaba a energia, como você tira as pessoas lá embaixo? Por isso, a energia também impacta diretamente na segurança dos trabalhadores, não só na questão produtiva ou operacional”, ressaltou Fernando Tanaka, diretor de vendas de mineração da Aggreko no Brasil.
Tanaka defendeu a adoção de soluções híbridas para que as companhias possam evitar a queda de energia e comentou sobre os estudos dos geradores a etanol. “Como não temos sol o dia todo, precisamos de outra opção para evitar falhas. Por isso, sempre defendo que as empresas precisam adotar soluções híbridas”, reforçou o diretor, que opinou sobre as demais alternativas. “Os desafios do gerador a etanol são sobre a eficiência. Por outro lado, tem o benefício dele ter menos emissões, por isso, digo que essa solução ainda está em desenvolvimento. Porém, nós sempre buscamos por opções que gastem cada vez menos combustíveis, e o etanol se consome mais, porque ele por si só, pelo seu tipo de molécula, acaba gastando mais que o diesel”.
Sobre novas fontes orgânicas, como por exemplo empresas que estão testando caroço de açaí ou óleo de mamona e até outros insumos energéticos como biomassa, Tanaka ponderou: “São soluções válidas, mas adicionais, não acredito que sejam suficientes para sustentar toda uma indústria. É preciso criarmos novas fontes e tecnologias sim, mas, é também preciso ter a garantia da energia”.
Quanto ao convencimento do cliente para optar por soluções mais sustentáveis, Débora Lemes Tavares, Head de Saúde, Segurança e Sustentabilidade da Aggreko, contou que sempre buscam por opções com menor impacto ambiental, porém personalizadas para cada cliente.
“Toda oportunidade de novos projetos nós estudamos soluções híbridas, limpas e com tecnologia mais eficiente, e isso é desenhado junto com o cliente para chegarmos o mais próximo da opção mais sustentável. Nós temos um cliente no Equador, por exemplo, que tinha interesse em soluções mais sustentáveis e tivemos que buscar entre os fornecedores uma alternativa para a realidade dele. Encontramos então no Canadá um kit chamado Addgas, com baixo custo, que instala-se no gerador e ele injeta um gás no tanque de combustível reduzindo até 40% de emissão. Ou seja, às vezes temos que buscar soluções com ‘o carro andando’ mesmo, isso varia muito de cada cliente”.
Débora enfatizou que, no caso da mineração, ainda é preciso quebrar alguns paradigmas. “As mineradoras não podem escolher o local que vão atuar, elas precisam trabalhar onde está o produto que elas vão comercializar. Então, ela vai enfrentar os desafios daquela localidade, seja de infraestrutura ou questões sociais sobre as comunidades próximas e buscar soluções para isso. A gente tem é que parar de pensar que só existe impacto negativo, e pensar que também existe o positivo, e assim, dentro dessas possibilidades, estudar o que se pode fazer para pouco a pouco, com conquistas contínuas e sustentáveis, aderir às soluções para a transição energética”.
Desafios logísticos e sociais na Amazônia
Durante a apresentação da pesquisa, dentre os cases já atendidos pela Aggreko, Tanaka destacou os desafios de atender clientes situados na região da Amazônia, devido a falta de infraestrutura em localidades onde o acesso só é possível pelos rios.
“Tudo lá é longe e não tem mobilidade e nem profissionais próximos para nos atender. Temos que deslocar prestadores de serviços por 2h a 3h de barco para resolver alguma urgência para o cliente. Outro exemplo, é como que eu transporto um gerador que pesa cerca de 18 toneladas em um barco? Enfim, são dificuldades e particularidades daquela região que ainda precisa muito se desenvolver. Não adianta termos diversas reservas e outros potenciais industriais, se não temos infraestrutura para evoluí-las. Isso ainda é um gargalo não só na mineração, mas em todos os setores do nosso País”.
Além dos desafios logísticos, Débora lembrou da diferença social na região, onde a Aggreko atua não só com fornecimento de geradores para grandes indústrias, mas também com projetos voltados para as comunidades.
“Nós temos dois projetos, sendo um deles mais institucional, realizado globalmente, que consiste em uma ação conjunta realizada em dois dias do ano com todos os funcionários e terceirizados. Nesses dias eles participam de projetos voluntários em cada uma das regiões em que a empresa está situada. Através desse programa, já fizemos pinturas e reestruturação de escolas e hospitais, workshops para crianças, entre outras iniciativas”, contou Débora.
A Head também detalhou que fomentam o empreendedorismo em localidades remotas. “Outro programa é um que realizamos mais próximo das comunidades, sempre onde tem interferência direta de um dos nossos produtos. Geralmente, fazemos através de parcerias com lideranças e a prefeitura local. Por meio dele, ofertamos um módulo ou qualificação para desenvolvimento dos moradores, para que possam trabalhar na Aggreko. No Amazonas, estamos com um projeto mais amplo, buscando contemplar as comunidades de Tefé e Tabatinga, onde estamos trabalhando com pequenos produtores rurais para que eles possam desenvolver suas habilidades, como por exemplo o reaproveitamento do açaí – já doamos freezer e proporcionamos capacitação para uma família. A ideia é que com o nosso apoio aquele produtor possa desenvolver sua própria empresa”.

