‘É preciso pensar na sustentabilidade desde a origem’, diz diretor da Arcadis

‘É preciso pensar na sustentabilidade desde a origem’, diz diretor da Arcadis

Leonardo Lima, diretor de mineração da Arcadis, afirma que a sustentabilidade na mineração não se tornou uma questão somente estratégica, mas um habilitador de negócios. “Na verdade, se tornou uma condicionante para se ter um negócio”, ressalta.

Ele lembra, no entanto, que uma empresa que traz a questão da sustentabilidade desde sua origem, na fase de engenharia conceitual e da pré-viabilidade do projeto, apresenta uma credibilidade muito grande tanto para a sociedade quando para os órgãos ambientais.

“O principal desafio da mineração é assumir objetivos de longo prazo consistentes e aumentar a transparência para as metas de sustentabilidade”, afirma.

Ele avalia que o setor de mineração hoje é um dos que mais protege o meio ambiente e gera mais benefício para as comunidades no entorno de suas operações. “O desafio do setor é mostrar a realidade de que ele vem trabalhando em temas sociais e ambientais, e desde da origem pensar em resultados de longo-prazo”, diz.

Dentro do âmbito da sustentabilidade estão a transição energética e a descarbonização. Para Leonardo Lima, neste aspecto, é preciso que a mineração se atente corretamente tanto à exploração quando à expansão.

“Para a transição energética acontecer, vai se precisar muito do minério”, diz. Mas, por outro lado, ele vê a necessidade da indústria caminhar para uma indústria com mais baixa emissão de carbono. O diretor lembra que tudo era feito de forma desconexa, algo que não se pode mais acontecer.

Sobre os minerais críticos, tema que tomou conta da mineração, o executivo da Arcadis vê nova era de prosperidade no setor, mas é preciso “fazer acontecer a produção já que as reservas existem”.

Ele ressalta que uma das discussões principais hoje sobre o assunto é o beneficiamento aqui ou no exterior das terras raras exploradas no País. Isso, de acordo com o diretor, é um ponto que pode ou não atrasar o desenvolvimento do segmento no Brasil.

“Minerais críticos têm demanda e funcionalidade, mas não tem um mercado desenvolvido”, aponta. Leonardo vê uma equação ainda a ser resolvida no setor mineral, que é quem vai comprar os produtos e em que escala, para saber como financiar os projetos de minerais críticos. “Quem financiar, quer a garantia que o dinheiro vai voltar. A incerteza é como tirar do papel os projetos”, ressalta.