UFMG transforma rejeitos de mineração em cimento sustentável para construção civil
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais desenvolveram uma tecnologia capaz de transformar rejeitos de mineração em cimento e argamassa de alta qualidade, criando uma solução inovadora para dois grandes desafios do país: a destinação sustentável de resíduos minerais e a redução do impacto ambiental da indústria da construção civil.
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O projeto utiliza rejeitos provenientes de uma barragem da Gerdau, na região de Ouro Preto, em Minas Gerais, para produzir materiais que já estão sendo testados em uma casa experimental totalmente sustentável.
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Rejeitos de mineração viram cimento de alta qualidade
Segundo o professor Evandro Moraes da Gama, da Escola de Engenharia da UFMG, o rejeito é composto por:
- areia;
- ferro;
- pozolana.
A pozolana é um material mineral com propriedades cimentícias que, quando combinada adequadamente, permite a produção de um cimento de elevado desempenho.
“É um cimento de altíssima qualidade”, destaca o pesquisador.
Além do cimento, os resíduos também são utilizados na fabricação de argamassa para assentamento de blocos e revestimentos cerâmicos.
Casa sustentável comprova viabilidade da tecnologia
Para demonstrar o potencial da inovação, a UFMG construiu uma residência experimental de 48 metros quadrados, utilizando aproximadamente 20 toneladas de rejeitos de mineração.
Na casa, foram produzidos com o material reciclado:
- paredes;
- piso;
- teto;
- bancada da cozinha;
- argamassa;
- elementos de acabamento.
O projeto conta com sete cômodos e incorpora diversas soluções sustentáveis.
Construção 100% sustentável
Além do uso de cimento produzido com rejeitos, a residência apresenta outros recursos ambientais, como:
- sistema ecológico de tratamento de esgoto;
- geração de energia solar;
- pavimento permeável no quintal;
- aproveitamento adequado da água da chuva.
A iniciativa demonstra que resíduos considerados passivos ambientais podem ser transformados em insumos de alto valor agregado.
Tecnologia reduz custos e consumo de energia
Um dos grandes diferenciais da tecnologia é o baixo custo de implantação industrial.
Segundo os pesquisadores, uma planta para produção desse cimento pode custar cerca de 10% do valor de uma fábrica convencional, principalmente devido ao menor consumo de energia térmica no processo.
Isso torna a solução economicamente atrativa para a indústria da construção e para empresas de mineração que buscam alternativas sustentáveis para seus rejeitos.
Gerdau apoia projeto de economia circular
O gerente de Sustentabilidade da Gerdau, Francisco de Assis Couto, destaca que o projeto comprova a possibilidade de reaproveitamento responsável dos resíduos.
“Com essa casa, mostramos à sociedade que é possível ter um aproveitamento sustentável dos rejeitos de mineração.”
A iniciativa se insere no conceito de economia circular, em que resíduos passam a ser utilizados como matéria-prima em novos processos produtivos.
Aplicações e benefícios para mineração e construção civil
O uso de rejeitos de mineração na produção de cimento pode gerar diversos benefícios:
- redução da necessidade de barragens de rejeitos;
- diminuição do impacto ambiental;
- menor emissão de carbono em comparação ao cimento tradicional;
- redução de custos industriais;
- geração de novos negócios sustentáveis.
A tecnologia também reforça a integração entre mineração, pesquisa acadêmica e construção civil.
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Brasil pode liderar soluções sustentáveis para rejeitos
Com uma das maiores indústrias minerais do mundo, o Brasil possui enorme potencial para desenvolver tecnologias capazes de agregar valor aos rejeitos de mineração.
Projetos como o da UFMG mostram que a inovação pode transformar passivos ambientais em soluções para habitação, infraestrutura e sustentabilidade.





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