Mineração Morro do Ipê inicia a descaracterização de mais 2 barragens

Mineração Morro do Ipê inicia a descaracterização de mais 2 barragens

A Mineração Morro do Ipê, localizada numa área que abrange três municípios – Igarapé, Brumadinho e São Joaquim de Bicas – da Região Metropolitana de Belo Horizonte, possui três barragens sem operação. Uma estrutura já tem avanço de obras de descaracterização em mais de 60% e outras duas entraram em trabalho de eliminação em abril.

A barragem B2 Tico-Tico é que se encontra em avançado processo de descaracterização, previsto de encerrar em 2027 – com mais dois anos de monitoramento ativo. Antes do trabalho de descaracterização, a estrutura mantinha um volume de 2.080.662 m³ de rejeito. As outras duas barragens em início descaracterização são a B1 Auxiliar e a B1 Ipê, com volumes de 4.258.447 m³ e 1.237.000 m³ de rejeitos, respectivamente.

A revista Minérios & Minerales esteva na planta da Mineração Morro do Ipê para conhecer o projeto de descaracterização de suas estruturas. De acordo com Cristiano Parreiras, diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da mineradora, foram gastos pela empresa cerca de R$ 100 milhões somente para fazer sondagens, instrumentação e montagem do Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG) das barragens. O custo do total das obras de descaracterização está orçado em cerca de 200 milhões.

“São todas alteadas pelo método a montante. Então, são estruturas que têm a obrigatoriedade de serem descaracterizadas, conforme a lei”, ressalta. “Quando chegamos aqui não se tinha conhecimento das estruturas, não existia os projetos originais e informação sobre o tipo de rejeito que foi armazenado e qual o método construtivo”, justifica ele o fato de a empresa ter feito um meticuloso trabalho de levantamento de dados sobre as barragens antes de iniciar as obras de descaracterização.

SERRA AZUL

A Mineração Morro do Ipê adquiriu o site há nove anos da MMX, a última operadora dessa planta de minério de ferro. Ao assumir a operação, o site já contava com as três barragens – o processo hoje na mineradora é de empilhamento do rejeito a seco. A localização da planta é na chamada região de Serra Azul, que é a porção leste do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais.

Cristiano conta que o método de descaracterização das barragens B2 Tico-Tico e B1 Ipê é de remoção do material e reaproveitamento. Já na estrutura B1 Auxiliar a descaracterização se dará pelo método de contrapilhamento.

A B2 Tico-Tico ficou mais de 20 anos sem operação e o material depositado nela era ainda rico em minério, o que permitiu o reprocessamento do material. Segundo Parreiras, o reaproveitamento do minério na barragem B2 é muito parecido com o da lavra, em torno de 50%. “A gente produz sínter feed a partir do material extraído dela”, diz.

Após a remoção total do rejeito, será preciso estabilizar o solo e taludes no qual estava a barragem para evitar futuros carreamentos. O processo de remoção inclui retirada física do material, readequação do canal extravasor (para escoar excesso de água na área em execução na medida em que avança a descaracterização) e o rebaixamento progressivo da crista da barragem.

Os rejeitos das barragens B2 e B1 Ipê apresentam teores de ferro consideráveis para aproveitamento econômico, em função de serem estruturas antigas – por essa razão, os materiais são removidos dos reservatórios das barragens e reaproveitados nas usinas de beneficiamento Tico Tico e Ipê, respectivamente.

MONITORAMENTO E DESAFIO

A descaracterização da B1 Auxiliar começará pelas execuções do canal de desvio, para que não receba mais água, e reforço da estrutura para selamento futuro do reservatório. A barragem, a mais nova entre as três do site, recebeu rejeito proveniente de tecnologia de beneficiamento de minério mais moderna, com aproveitamento melhor do mineral, não proporcionando o reaproveitamento do material ali depositado como ocorreu na B2 Tico-Tico.

“A Barragem B1 Auxiliar é a maior de todas. O material lá não tem valor econômico de aproveitamento. Por isso é que sua descaracterização será feita pelo método de contrapilhamento, reforçando a estrutura de forma que elimine qualquer risco na área”, detalha o executivo.

O Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG) da Mineração Morro do Ipê opera 24 horas por dia para acompanhamento das estruturas. O centro monitora em tempo real diversos instrumentos instalados nas estruturas, como sismógrafos, prismas ópticos, câmeras de videomonitoramento e radares, que realizam leituras e oferecem dados em tempo real à equipe do CMG. Uma ferramenta faz a compilação de todos os dados instalados nas estruturas.

Só a B1 Auxiliar tem 70 prismas posicionados e mais 3 de referência. Já a B1 Ipê tem 30 prismas instalados e 3 de referência. Os prismas medem deformações, recalques e movimentações de superfície com alta precisão.

A descaracterização das barragens B1 Auxiliar e a B1 Ipê tem previsão de encerramento dos trabalhos em 2029.

O grande desafio dos projetos de eliminação das estruturas de rejeitos são seus acessos. “A barragem B2 deixou de ser utilizada em 2007. Ela é uma barragem relativamente pequena, mas tem a complexidade de acessá-la”, diz Cristiano.

Para facilitar as obras de descaracterização na B1 Auxiliar, foram feitas aquisições de terra na proximidade para poder facilitar os trabalhos e dar mais segurança ao projeto.

Empresas envolvidas: Geoprime, Terracota Geotecnia, R3 Mineração e Construção.

Conheça Cristiano Parreiras

Com mais de 20 anos de carreira no setor minero-siderúrgico, atuou em grandes empresas e entidades. Na Ferrous Resources, foi diretor de Meio Ambiente e de Relacionamento Institucional, e no Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra) atuou como diretor-administrativo. Além de diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Mineração Morro do Ipê, Parreiras é diretor pleno na Associaç