Projeto Borborema: Aura Minerals Usa Água de Reúso para Extração de Ouro no RN

Projeto Borborema: Aura Minerals Usa Água de Reúso para Extração de Ouro no RN


No coração do semiárido nordestino, um projeto de engenharia sustentável está transformando o paradigma da escassez hídrica na mineração nacional. No município de Currais Novos (RN), o efluente sanitário urbano está sendo processado e utilizado diretamente na planta industrial de beneficiamento de minério.

A iniciativa pioneira interliga a Aura Minerals, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) e a prefeitura local. Juntas, as entidades viabilizaram a conversão de efluentes urbanos em insumo estratégico para o Projeto Borborema, focado na extração de ouro.

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A operação cumpre as diretrizes da Cultura Aura 360 e estabelece um novo padrão socioambiental para a mineração em áreas de restrição hídrica severa.

Engenharia Hídrica: Circuito Fechado e Adutora de Efluentes

A nova unidade industrial de extração de ouro do Projeto Borborema foi projetada para mitigar totalmente o impacto sobre os mananciais hídricos locais. O sistema opera por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) que realiza a captação e o tratamento do esgoto bruto a partir da Estação Elevatória de Esgoto (EEE) Caça e Pesca.

A engenharia do sistema hídrico da planta baseia-se em dois pilares:

  1. Circuito Fechado de Recirculação: Cerca de 90% de toda a água utilizada no processo de beneficiamento do ouro é recirculada continuamente dentro da própria planta.
  2. Aporte de Água de Reúso: Os 10% restantes necessários para compensar perdas por evaporação são supridos integralmente por efluente sanitário tratado, eliminando a captação em açudes da região.

Ao todo, a mineradora capta 1.680 m³ por dia de esgoto bruto, o que corresponde a 65% do efluente sanitário coletado na área urbana de Currais Novos. Uma adutora dedicada e uma estação elevatória com capacidade de 80 m³/h transportam o insumo tratado diretamente para as instalações da mina.

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O investimento total para a implementação da adutora e dos sistemas de tratamento somou R$ 48,4 milhões, assegurando o abastecimento contínuo da planta mesmo durante os ciclos severos de seca que atingem o Seridó Potiguar.

Desempenho Operacional e Reservas do Projeto Borborema

Seis meses após o início de suas operações e após 19 meses de construção, a mina de Borborema alcançou sua fase de produção comercial de forma consolidada, sem o registro de acidentes com afastamento.

          [ETAPAS DA OPERAÇÃO EM BORBOREMA]
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[Lavra a Céu Aberto: Corpo de Minério de 3,5 km]
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[Processamento Industrial: 4.500 Toneladas/Dia]
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[Beneficiamento Hídrico: 100% Água de Reúso e Chuva]
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[Recuperação Metalúrgica Consistente: Até 92%]

A planta opera atualmente com processamento regular de 4.500 toneladas diárias de minério. A taxa de recuperação metalúrgica do circuito situa-se de forma consistente acima de 90%, atingindo picos de até 92% sem apresentar restrições ou problemas metalúrgicos complexos.

Indicadores Técnicos e ReservasDados Consolidados do Projeto
Volume de Produção Anual Previsto83 mil onças de ouro por ano
Vendas Iniciais ComputadasMais de 10.000 onças de ouro comercializadas
Reservas Minerais Provadas812 mil onças de ouro
Recursos Minerais Indicados1,18 milhão de onças de ouro (excluindo reservas)
Extensão do Corpo de Minério3,5 km de comprimento contínuo (espessura de 30m a 50m)
Vida Útil Inicial (Fase 1)10 anos de operação a céu aberto

Desenvolvimento Regional e o Efeito Multiplicador Econômico

Além dos ganhos ambientais atrelados ao descarte zero de efluentes brutos, o empreendimento promove forte impacto socioeconômico no Seridó Potiguar. A operação gerou 1.000 postos de trabalho diretos. No setor mineral, estima-se que a cada vaga direta aberta, até 5 empregos indiretos sejam criados na cadeia produtiva.

A política de suprimentos e recursos humanos prioriza o desenvolvimento local:

  • Fornecedores Locais: Cerca de 83% das empresas fornecedoras parceiras são estabelecidas no próprio município de Currais Novos.
  • Mão de Obra da Região: Moradores locais preenchem 68% de todo o quadro de colaboradores da mineradora.

Este fluxo contínuo de salários e benefícios injetados diretamente na comunidade cria um efeito multiplicador cambial. O comércio varejista e o setor de serviços experimentam um crescimento robusto, consolidando pequenos negócios e atraindo novos investimentos estruturais para o interior do estado.

O Cenário do Saneamento e as Perspectivas do São Francisco

Embora a parceria corporativa solucione a demanda hídrica industrial e trate uma parcela expressiva do efluente urbano, Currais Novos ainda enfrenta desafios de infraestrutura urbana. Dados consolidados indicam que o esgoto de quase 13 mil moradores ainda não passa por redes de coleta e mais de 11 mil pessoas carecem de acesso regular à água tratada.

A expectativa para a universalização do saneamento na região está atrelada à conclusão das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco, prevista para os próximos anos. A chegada das águas deve expandir a rede coletora de esgoto do Seridó, ampliando o volume de efluentes disponíveis para reúso de processos industriais.

O modelo implementado na extração de ouro já atrai o interesse de outras indústrias, como a cimenteira Elo, e serve de referência para municípios vizinhos que buscam estruturar novos arranjos sustentáveis em regiões áridas.