As Principais Siderúrgicas e Mineradoras Disputam a Mina J. Mendes
As principais siderúrgicas brasileiras e duas das maiores mineradoras do mundo estão na fase final da disputa pelo controle da J. Mendes, a maior mina de ferro independente — não vinculada a grandes conglomerados — do Brasil.
Localizada no município de Mateus Leme, na região do Quadrilátero Ferrífero (MG), a mina está avaliada em aproximadamente R$ 2,5 bilhões. O processo de leilão atraiu gigantes internacionais e nacionais do setor mineral e metalúrgico.
Empresas no Páreo e a Mudança Estratégica do Setor
Entre as mineradoras que disputam o ativo estão a BHP Billiton (maior mineradora do mundo) e a Vale (segunda maior). A grande surpresa do certame foi a forte presença de empresas do segmento siderúrgico, incluindo a ArcelorMittal (líder global do setor) e as brasileiras CSN, Gerdau e Usiminas.
A alta procura pela J. Mendes é impulsionada pela valorização do minério de ferro no mercado internacional, alavancada pelo elevado consumo chinês. Com o aumento das cotações da matéria-prima, as siderúrgicas alteraram suas estratégias operacionais, buscando garantir suprimento próprio por meio da aquisição de minas.
- CSN: Já conta com a mina de Casa de Pedra (MG).
- ArcelorMittal: Vem expandindo ativos minerários próprios.
- Gerdau e Usiminas: Buscam sua primeira grande inserção na extração de minério de ferro.
Capacidade Produtiva e o Ativo em Negociação
A J. Mendes é considerada a mina mais valiosa em comercialização no país. Sua estrutura operacional e reservas apresentam os seguintes indicadores:
- Produção anual: 6 milhões de toneladas de minério de ferro.
- Principal produto: Sinter-feed (minério em pequenas granulações, de alta demanda na siderurgia).
- Proprietário: José Mendes Nogueira.
Além da J. Mendes, o empresário detém outras quatro reservas e empresas minerárias na região: a Siderúrgica Oeste de Minas S.A. (Somisa) — que opera focada em mineração —, a Global, a J8 e a Pau de Vinho.
A Concentração Mineral na Região de Serra Azul
A J. Mendes é a quinta jazida de ferro da região de Serra Azul, no Quadrilátero Ferrífero, a passar por processos de aquisição ou troca de controle corporativo em 2007. A região abriga grandes reservas que antes contavam com ritmo moderado de exploração.
O histórico de movimentações recentes na Serra Azul inclui:
- Mina Itatiaiuçu: Adquirida pelo fundo de investimentos London Mining (com operações na Groenlândia e Serra Leoa).
- AVG Mineração: Comprada pela Anglo American e pela MMX (do empresário Eike Batista) por US$ 275 milhões.
- Minerminas: Adquirida pela MMX, acrescentando reservas estimadas em 35 milhões de toneladas.
- CFM: Comprada pela CSN pelo montante de US$ 440 milhões.
- Viga Mineração: Adquirida por US$ 250 milhões pela Ferrous Resources do Brasil (controlada por fundos dos EUA, Austrália e Inglaterra), adicionando 500 milhões de toneladas em reservas.
Das sete mineradoras atuantes na Serra Azul, apenas a Minerita e a MBL permanecem sob o controle de empresários locais. Juntas, as duas empresas produzem 400 milhões de toneladas de minério por ano e negociam com o governo de Minas Gerais o apoio para implantar um polo siderúrgico e uma aciaria na região.
