Novos projetos destacam Brazil Iron, Ero Copper e Aclara– mas IBRAM alerta para riscos ao setor

Novos projetos destacam Brazil Iron, Ero Copper e Aclara– mas IBRAM alerta para riscos ao setor

A indústria mineral brasileira deve receber US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, impulsionada por projetos de minério de ferro, cobre, terras raras e outros minerais estratégicos. A estimativa, apresentada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), mantém o setor em trajetória de expansão, mas a entidade alerta que a competitividade da mineração pode ser comprometida pela regulamentação do imposto seletivo e por incertezas jurídicas que afetam novos empreendimentos.

Durante coletiva para apresentar o desempenho da mineração no primeiro semestre de 2026, o presidente do IBRAM, Pablo Cesário, afirmou que a carteira de investimentos permanece estimada em US$ 76,9 bilhões, dos quais US$ 21,3 bilhões serão destinados a projetos de minerais críticos, como cobre, níquel, terras raras, grafita, lítio, nióbio e zinco. Segundo ele, a manutenção desse ciclo depende de previsibilidade regulatória, segurança jurídica e mecanismos de financiamento de longo prazo.

Entre os empreendimentos previstos estão projetos considerados estratégicos para ampliar a produção mineral brasileira. Na Bahia, a Brazil Iron desenvolve um projeto integrado de minério de ferro com investimento estimado em US$ 5,7 bilhões, voltado à produção de ferro briquetado a quente (HBI), insumo utilizado na fabricação de aço de menor emissão de carbono.

No Pará, a Ero Copper, em parceria com a Vale Base Metals, prepara um projeto de cobre e ouro na região de Carajás, com investimento previsto de US$ 1,3 bilhão. A expectativa é ampliar a oferta de cobre, mineral cuja demanda cresce em função da eletrificação da economia e da expansão das tecnologias de transição energética.

Já em Goiás, a canadense Aclara planeja investir US$ 780 milhões em um projeto de terras raras, grupo de minerais considerados essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, veículos elétricos e equipamentos de alta tecnologia. O empreendimento integra o movimento de fortalecimento da cadeia de minerais críticos no Brasil.

Segundo Cesário, o país reúne vantagens competitivas que podem atrair novos investimentos diante da reorganização das cadeias globais de suprimentos. “O Brasil é visto como um parceiro confiável e um ambiente de estabilidade para o desenvolvimento de projetos minerais”, afirmou.

Apesar das perspectivas positivas, o presidente do IBRAM voltou a defender que a alíquota do imposto seletivo incidente sobre a mineração seja fixada em zero durante a regulamentação da reforma tributária. Para ele, a cobrança representa, na prática, um imposto sobre as exportações de minério de ferro, reduzindo a competitividade do produto brasileiro diante de concorrentes como a Austrália. “O imposto seletivo foi criado para desestimular o consumo de determinados produtos. Não existe exemplo no mundo de aplicação desse tributo sobre a mineração. No nosso caso, ele funciona como um imposto de exportação e reduz a atratividade para novos investimentos”, afirmou.

Outra preocupação apresentada pela entidade é a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da Lei nº 5.709, que trata da aquisição de terras por empresas com capital estrangeiro. Segundo o IBRAM, a indefinição sobre os efeitos do julgamento gera insegurança jurídica para companhias que dependem de áreas destinadas tanto à operação mineral quanto às compensações ambientais.

Além do ambiente regulatório, o setor acompanha os impactos da crise internacional no fornecimento de enxofre. De acordo com o IBRAM, o preço do insumo aumentou mais de 1.200% desde 2024 em razão das restrições logísticas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio. O produto é essencial para a fabricação de ácido sulfúrico, utilizado na mineração, na produção de fertilizantes, no saneamento e na indústria química, e sua escassez preocupa diversos segmentos produtivos.

No primeiro semestre deste ano,o setor registrou faturamento de R$ 150,7 bilhões, alta de 8,2% sobre o mesmo período de 2025, enquanto as exportações minerais alcançaram US$ 25,1 bilhões, crescimento de 24,1%. O superávit comercial da mineração chegou a US$ 20,3 bilhões, equivalente a 48% do saldo da balança comercial brasileira, reforçando a importância da atividade para a economia nacional.

Para o IBRAM, preservar a competitividade do setor será determinante para que a carteira de investimentos prevista para os próximos anos se transforme em novos projetos, geração de empregos e ampliação da produção mineral brasileira.

Brazil Iron

A Brazil Iron é uma mineradora privada com sede no Reino Unido e atuação no Brasil por meio da Brazil Iron Mineração. A estratégia da companhia é desenvolver uma cadeia integrada de minério de ferro de alto teor, pelotas e ferro briquetado a quente (HBI), utilizando energia renovável e, futuramente, hidrogênio verde para reduzir as emissões da produção siderúrgica. Os principais projetos da Brazil Iron estão concentrados na Chapada Diamantina (BA) e fazem parte do chamado Projeto Ferro Verde.

Investimento estimado: cerca de US$ 5,7 bilhões

Localização: região de Piatã, Abaíra e Jussiape, na Bahia.

Recurso mineral: 1,70 bilhão de toneladas de minério de ferro (padrão NI 43-101)

Produção planejada: 7,5 milhões t/ano de concentrado para pelotas; 5 milhões t/ano de HBI (Hot Briquetted Iron); expansão prevista para até 20 milhões t/ano até 2035.

Ero Copper

Com sede em Vancouver (Canadá), a Ero Copper é uma empresa listada nas bolsas de Toronto e Nova York. Seu foco é a produção de cobre e ouro no Brasil, onde opera as minas Caraíba (BA), Tucumã (PA) e Xavantina (MT), além de desenvolver novos projetos na Província Mineral de Carajás. Projeto Furnas (Pará) O principal projeto em desenvolvimento da companhia é o Projeto Furnas, de cobre e ouro. Localização: Província Mineral de Carajás (PA), cerca de 50 km da mina Salobo e 190 km da operação Tucumã.

Área: aproximadamente 2.400 hectares.

Controle: acordo com a Vale Base Metals que permite à Ero adquirir 60% de participação.

Vida útil inicial: 24 anos.

Produção média prevista: aproximadamente 108 mil toneladas de cobre equivalente por ano nos primeiros 15 anos; média de 81 mil toneladas/ano ao longo da vida útil.

Aclara

A Aclara Resources é uma empresa canadense dedicada à produção de terras raras pesadas, minerais considerados críticos para veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica e equipamentos de alta tecnologia. A estratégia da companhia envolve mineração, separação química e produção de ligas metálicas para ímãs permanentes. A empresa desenvolve dois depósitos de argilas iônicas – um no Brasil e outro no Chile – além de uma planta de separação nos Estados Unidos.

Penco Module (Chile) , localizado na Região do Biobío, é o principal projeto da companhia no Chile.

Área do projeto: 600 hectares.

Início previsto de operação: 2027

Produção média anual: 811 toneladas de óxidos de terras raras

Licenciamento: Avaliação de Impacto Ambiental aprovada em junho de 2026. Reconhecimento: incluído entre os 25 projetos estratégicos do Plano de Fortalecimento Industrial do governo chileno para a região do Biobío.