Geometalurgia e Otimização de Processos nas Minas de Cuiabá e Lamego

O Greenstone Belt Rio das Velhas, localizado no Quadrilátero Ferrífero (MG), é o principal distrito aurífero do Brasil. Neste cenário, as operações subterrâneas de Cuiabá e Lamego, geridas pela AngloGold Ashanti, destacam-se pela aplicação de conceitos avançados de geometalurgia para integrar a geologia à planta de beneficiamento, maximizando a produtividade e a previsibilidade econômica.

O Papel da Geometalurgia na Mineração Moderna

A abordagem multidisciplinar da geometalurgia busca minimizar incertezas na determinação econômica dos recursos. Ao integrar dados de geologia, planejamento de lavra e recuperação metalúrgica, é possível:

  • Mitigar riscos operacionais;
  • Estabilizar processos de tratamento;
  • Melhorar o aproveitamento de reservas minerais complexas.

Desafios Metalúrgicos nos Corpos de Minério “Narrow Veins”

Com o aumento da extração nos corpos Galinheiro e Balancão (conhecidos como Narrow Veins), a alta variabilidade e a baixa previsibilidade tornaram-se desafios. A variação no teor de enxofre e na dureza do minério impactava diretamente a flotação e a recuperação final.

Para solucionar esses gargalos, foi implementado o Comitê Ore Control, uma rotina sistemática que confronta o plano de lavra semanal com as expectativas de performance metalúrgica, utilizando dados de ensaios em escala de bancada e caracterização mineralógica avançada.

Parâmetros e Testes Geometalúrgicos

A implantação do processo, iniciada em 2015, utiliza o software MLA (Mineral Liberation Analyzer) e microscopia eletrônica para correlacionar a mineralogia com o desempenho industrial. Os principais indicadores monitorados são:

  • Recuperação de Ouro e Enxofre: Em todas as etapas do beneficiamento.
  • Work Index: Avaliação da dureza e moabilidade (influenciada por quartzo, pirita e filossilicatos).
  • Cinética de Flotação: Identificação de sulfetos com tendência à oxidação.
  • Lixiviação: Impactos da temperatura de calcinação e presença de arsenopirita na região de Serrotinho.

Resultados Práticos e Ganhos de Recuperação

A aplicação da geometalurgia na planta de Queiroz proporcionou ganhos expressivos através de ajustes técnicos precisos:

  1. Otimização de Reagentes: Inclusão de coletores específicos para sulfetos de cinética lenta.
  2. Seletividade na Flotação: Substituição de espumantes para aumentar a recuperação de partículas finas de ouro.
  3. Controle de Oxidação: Alteração na dosagem de ativadores para melhorar a performance das superfícies minerais.

Conclusão

A integração entre mina e usina através da geometalurgia não apenas quebra barreiras operacionais, mas garante a estabilidade necessária para enfrentar a variabilidade natural dos depósitos de ouro de classe mundial.

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Autores: Tiago Silva e Mariana Lemos.