CASE desenvolve pá carregadeira a etanol para operações em usinas de açúcar e álcool

CASE desenvolve pá carregadeira a etanol para operações em usinas de açúcar e álcool

Conceito baseado na pá carregadeira 721E busca substituir o diesel por etanol produzido pelas próprias usinas e será apresentado na Agrishow.

A CASE Construction Equipment desenvolveu uma pá carregadeira movida a etanol para operações no setor sucroenergético. Baseada na plataforma da 721E, a máquina foi adaptada para atividades realizadas dentro das usinas, incluindo a movimentação de materiais de baixa densidade, como o bagaço de cana.

O equipamento será apresentado durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), entre 27 de abril e 1º de maio, ainda como conceito. Segundo a fabricante, a máquina encontra-se em fase de testes e não há previsão imediata de comercialização.

A proposta é permitir que as usinas utilizem na operação de máquinas pesadas um combustível renovável que já faz parte de seu próprio processo produtivo: o etanol.

Pá carregadeira 721E troca diesel pelo etanol

O projeto utiliza como base a pá carregadeira CASE 721E, mas incorpora uma motorização desenvolvida para permitir a operação com etanol.

A aplicação tem uma característica particular no setor sucroenergético. As próprias usinas que utilizam máquinas para movimentação de materiais estão entre as produtoras do combustível necessário para abastecê-las.

Com isso, a CASE busca reduzir a dependência do diesel nas operações internas das unidades produtoras de açúcar, etanol e bioenergia.

Segundo a companhia, o diesel representa atualmente entre 16% e 20% dos custos operacionais desse tipo de atividade.

Além do potencial impacto sobre os custos, a substituição do combustível fóssil faz parte da estratégia de redução das emissões de gases de efeito estufa das operações.

Etanol conecta produção agrícola e operação industrial

Para Henrique Sá, líder da CASE Construction Equipment para a América Latina, o desenvolvimento está relacionado ao papel do setor sucroenergético na transição para matrizes energéticas de menor emissão.

A iniciativa também aproxima as estratégias da CASE e da Case IH, ambas marcas da CNH.

Enquanto a Case IH desenvolve máquinas agrícolas abastecidas com etanol, a CASE estuda a aplicação do combustível em equipamentos utilizados na movimentação de materiais e em outras atividades dentro das usinas.

Dessa forma, o etanol poderia ser empregado tanto nas operações agrícolas quanto em etapas posteriores da cadeia produtiva.

Segundo Anderson Nascimento, gerente de Produto da CNH, o Brasil possui cerca de 400 usinas em operação, além da perspectiva de expansão relacionada à produção de etanol de milho.

Esse cenário motivou o desenvolvimento de uma solução capaz de aproveitar um combustível já disponível dentro da própria cadeia.

Máquina foi adaptada para movimentar bagaço de cana

A mudança de combustível não é a única adaptação realizada na 721E.

A pá carregadeira foi configurada especificamente para trabalhar com materiais de baixa densidade, como o bagaço de cana-de-açúcar.

A máquina recebeu uma caçamba de maior capacidade, buscando aumentar o volume movimentado em cada ciclo.

Também foram especificados pneus adequados às condições encontradas nos pátios das usinas, onde as máquinas podem operar sobre superfícies irregulares e áreas com acúmulo de materiais leves.

A configuração busca melhorar tração, estabilidade e produtividade nas operações de carregamento e movimentação.

Case IH também testa máquinas agrícolas movidas a etanol

O desenvolvimento da pá carregadeira acompanha outros projetos da CNH voltados ao uso do etanol como combustível para máquinas.

Na Case IH, um dos projetos é a colhedora de cana Austoft 9000, equipada com motor de ciclo Otto abastecido com etanol.

Outro equipamento citado pela companhia é o trator Puma 230, também desenvolvido para operar com o biocombustível e, segundo a fabricante, oferecer desempenho equivalente ao modelo a diesel.

A estratégia busca ampliar as possibilidades de utilização do etanol em diferentes etapas da produção agrícola e das operações realizadas dentro das usinas.

Etanol pode avançar sobre máquinas pesadas?

O desenvolvimento da 721E coloca em discussão uma aplicação do etanol que vai além dos automóveis e veículos comerciais.

Máquinas pesadas utilizadas em mineração, construção, agricultura e operações industriais ainda possuem forte dependência do diesel.

No setor sucroenergético, entretanto, existe uma condição particular: o combustível alternativo pode ser produzido no mesmo complexo em que as máquinas são utilizadas.

Isso cria a possibilidade de reduzir o consumo de combustível fóssil sem depender exclusivamente da eletrificação dos equipamentos.

A viabilidade econômica e operacional dessa substituição dependerá dos resultados dos testes da máquina, consumo efetivo, desempenho, disponibilidade do combustível e custos de operação e manutenção.

Como a 721E a etanol permanece em fase conceitual, esses indicadores ainda serão determinantes para avaliar uma eventual produção comercial do equipamento.

CASE leva outros equipamentos para a Agrishow

Além do conceito movido a etanol, a CASE apresentará na Agrishow máquinas já utilizadas em diferentes operações do agronegócio.

Entre elas estão a pá carregadeira 621E, utilizada na movimentação de grãos, silagem e ração; a escavadeira hidráulica CX220C, aplicada em infraestrutura rural e construção de silos; e a miniescavadeira CX35D, destinada a operações que demandam equipamentos compactos e diferentes implementos.

Também integram o portfólio apresentado a retroescavadeira 580N S2 HD, a motoniveladora 865B Série 2 e a minicarregadeira SV300B.

As aplicações incluem abertura de valas, manutenção de propriedades, construção e conservação de estradas rurais, curvas de nível, limpeza, roçagem e apoio a sistemas de irrigação.

Os equipamentos contam ainda com recursos de telemetria para acompanhamento remoto e gerenciamento da frota.

Na Agrishow, porém, a principal novidade tecnológica da marca será o conceito da pá carregadeira CASE 721E movida a etanol, que levará para as máquinas de construção uma alternativa energética já presente em larga escala no agronegócio brasileiro.