Brasil e Austrália: Alianças em minerais críticos e inovação superam concorrência em minério de ferro
Investimento de empresas australianas no país chegou a AUD 13 bilhões, impulsionado por terras raras, lítio e nióbio, segundo a embaixadora Sophie Davies.
Historicamente vistos como concorrentes no mercado global de minério de ferro, Brasil e Austrália vêm consolidando uma agenda de cooperação voltada à transição energética e ao desenvolvimento tecnológico. A relação, que completou recentemente 80 anos, ganha novo fôlego com a corrida pelos minerais críticos e com a troca de soluções em mineração autônoma.
Em entrevista à revista Minérios & Minerales, a embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, afirmou que cresce o interesse das mineradoras australianas pelo país. O movimento é puxado pelo potencial brasileiro em minerais estratégicos como nióbio, lítio e terras raras, das quais o Brasil tem a segunda maior reserva do mundo.
“As empresas australianas estão explorando fortemente nesse sentido, porque, como sabemos, o Brasil se tornou um país importantíssimo para o setor de minerais críticos. As empresas australianas querem ser parte dessa história, porque sabemos que elas vêm com seus padrões altos de ESG. E elas veem aqui um entorno excelente para fazer exploração e desenvolver seus projetos com parceiros locais”, destaca.
Investimento australiano chega a AUD 13 bilhões
O volume de capital reflete esse interesse. Segundo a embaixadora, o estoque de investimentos australianos no Brasil passou de cerca de AUD 10,5 bilhões em 2022 para AUD 13 bilhões atualmente.
Para Davies, a confiança dos investidores se apoia na maturidade das instituições brasileiras e em avanços regulatórios. “Vemos uma jurisdição segura porque aqui temos o apoio de um sistema forte e instituições com regulamentação clara. A reforma tributária também é vista como um passo importante para retirar barreiras e incentivar ainda mais o aporte de empresas australianas”, afirma.
Tecnologia australiana em minas autônomas
A transferência de tecnologia é um dos pilares da cooperação. A Austrália é referência global em operações remotas e minas autônomas, tecnologias que começam a ganhar escala no Brasil. A embaixadora citou a sinergia entre grandes players, como a BHP e a Vale. Segundo ela, a troca de experiência entre engenheiros e o uso de softwares de monitoramento remoto mostram como a expertise australiana pode elevar a produtividade e a segurança nas operações brasileiras.
Para aproximar os dois mercados, a Austrade, agência de promoção comercial do governo australiano com escritório em São Paulo, assessora empresas interessadas em trazer equipamentos e novas tecnologias para o setor mineral.
Processamento local e valor agregado
De acordo com Davies, os critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) orientam os novos empreendimentos, e o foco vai além da extração: o objetivo é processar os minerais e fornecer produtos finais para as cadeias globais de baterias e energia limpa.
Os dois países têm adotado políticas para estimular o processamento local. A estratégia australiana Future Made in Australia e a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são vistas como caminhos paralelos que podem se reforçar.
“Temos uma estratégia específica, a Future Made in Australia, para desenvolver o setor de minerais críticos, e isso está no centro do desenvolvimento do setor na Austrália. Vemos no Brasil algo similar, com estratégias específicas para desenvolver o setor de minerais”, destaca a embaixadora.
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