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19 de outubro de 2021

Uso de tecnossolos na reabilitação de áreas impactadas

Francisco Ruiz, doutorando do Programa de Solos e Nutrição de Plantas da ESALQ-USP, e Tiago Osório Ferreira, professor do Departamento de Ciência do Solo e Nutrição de Plantas desenvolveram esse estudo para a Calcário Amaral Machado.

De acordo com um estudo recente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada, é previsto que, no período entre 2010 e 2030, mais de 11 bilhões de toneladas de resíduos de minas sejam geradas somente no Brasil.

Dados da Agência Nacional de Mineração – ANM indicam que existem atualmente mais de 100.000 áreas sob pesquisa mineral, mais de 30.000 minas ativas e 817 barragens no Brasil, que armazenam aproximadamente 3,4 bilhões de m3 de rejeitos.

Nesse contexto, os tecnossolos aparecem como alternativas inteligentes não apenas para dar um destino adequado aos rejeitos, mas também para criar um novo solo, permitindo a revegetação e a recuperação de cavas exauridas ou abandonadas.

Os tecnossolos consistem em solos criados, intencionalmente ou não, pelo homem. Em diversos países da Europa, os tecnossolo vêm sendo utilizados há alguns anos para recuperar, de forma bastante eficaz, áreas degradas por mineração.

Nesse sentido, a empresa mineradora de Calcário Amaral Machado, de Saltinho (SP), decidiu fazer o mesmo com suas cavas exauridas. O procedimento consistiu em despejar os rejeitos de volta às cavas e revegetá-las.

Um estudo conduzido pelo doutorando Francisco Ruiz, intitulado “Weathering and incipient pedogenesis of Technosols constucted from dolomitic limestone mine spoils”, do grupo de pesquisa em Geoquímica de Solos (sob orientação do Prof. Dr. Tiago Osório Ferreira), do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ-USP), avaliou a rapidez e a qualidade com que esses tecnossolos estão se formando.

A mineradora ao longo das últimas décadas construiu três tecnossolos onde atualmente estão sendo cultivadas cana-de-açúcar, há quatro e oito anos, e pastagem há mais de 20 anos. Os resultados foram surpreendentes: quando comparados aos solos naturais do entorno quanto a aspectos ligados à fertilidade e conteúdo de matéria orgânica, os tecnossolos apresentaram desempenho muito superior.

Considerando que são necessários cerca de 400 anos para se formar 1 cm de solo em condições naturais, a taxa de formação dos tecnossolos foi bastante superior, com 10 cm de solo fértil formados em apenas 20 anos. O principal impedimento, no entanto, reside na parte física. A elevada pedregosidade dos tecnossolos dificulta a retenção de água, o que impede que os tecnossolos produzam tão bem como os solos naturais, ainda que as produtividades sejam similares.

Os resultados observados nos tecnossolos foram inesperados. Em especial, o tecnossolo desenvolvido sob pastagem apresentou um conteúdo médio de carbono orgânico em superfície (0-30 cm) de 8.5%. Esse número é cinco vezes superior à média de carbono encontrada em solos naturais brasileiros.

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