Mosaic já alimenta 13% de “minério de oportunidade” à usina do Complexo de Tapira

Mosaic já alimenta 13% de “minério de oportunidade” à usina do Complexo de Tapira

A reinterpretação geológica e o uso de tecnologias de caracterização avançada permitiram ao Complexo Mineral de Tapira, no Alto Paranaíba (MG), identificar o chamado “minério de oportunidade”. Em 2024, esse material já representou 13% da massa alimentada na usina, contribuindo para recordes de rendimento mássico e aumentando a longevidade das operações da Mosaic Fertilizantes.

Evolução Tecnológica e Reinterpretação Geológica

Segundo o geólogo especialista Marco Aurélio Sequetto Pereira, as minas iniciadas nas décadas de 70 e 80 operavam com limitações tecnológicas de caracterização mineral. Hoje, ferramentas como Difração de Raio X (DRX), microscopia eletrônica e softwares de visualização 3D permitem decifrar a complexidade dos complexos alcalinos carbonatíticos.

A nova modelagem dividiu a mina em dois grandes setores:

  1. Setor Silicático: Composto pela série bebedourítica (clinopiroxenitos, peridotitos, magnetititos, entre outros).
  2. Setor Carbonatítico: Séries carbonatíticas e foscoríticas com intensa interação magmática e metassomatismo.

Caracterização do Setor Silicático

Estudos detalhados identificaram dois tipos principais de bebedouritos no setor silicático, fundamentais para a nova estratégia de lavra:

  • Diopsídio bebedourito: Predomínio de piroxênios (40-60%), flogopita e biotita, com silicatos acessórios (melilita, granadas e titanita).
  • Apatita bebedourito: Caráter cumulático, com variação modal de óxidos, perovskita, magnetita e fluorapatita.

O Conceito de “Minério de Oportunidade”

Historicamente, o teor de corte em Tapira é balizado pela Relação Cálcio/Fósforo (RCP). Materiais com RCP elevado eram descartados como estéril devido à dificuldade de flotação da apatita na presença de carbonatos.

Contudo, a análise da partição do cálcio revelou que, no setor silicático, o alto cálcio não vinha de carbonatos (ausentes ou <5%), mas sim de silicatos como o diopsídio, granadas e perovskita.

  • Testes de Bancada: Entre 2021 e 2023, mais de 1.500 testes comprovaram que esse material, embora fora do “teor de corte” tradicional, oferece ótimos rendimentos mássicos e altas recuperações metalúrgicas.

Ganhos Operacionais e Sustentabilidade

A introdução do minério de oportunidade na dieta da usina trouxe benefícios que vão além da recuperação de P2O5:

  • Performance de Britagem: Material mais granulado e com baixa umidade.
  • Fator Blend: Aumento da produtividade e estabilidade na alimentação da usina.
  • Redução de Contaminantes: Menor presença de ferro, magnetita e lamas de processo no concentrado.
  • Eficiência de Lavra: Redução da relação minério/estéril (RME), aproveitando materiais do fundo da cava.

Resultados Industriais

Os testes industriais começaram em setembro de 2023 com 5% de participação, evoluindo para até 20% na formação das pilhas. Em 2024, a média de 13% de participação foi um fator decisivo para o desempenho recorde da unidade.

Perspectiva: Novos estudos estão em curso para validar essa massa adicional ao longo de todo o LOM (Life of Mine), garantindo uma operação mais rentável e sustentável para a Mosaic em Minas Gerais.