Serra Azul adota tela piramidal no peneiramento

A instalação de telas piramidais em peneiramento de minério de ferro é uma inovação desenvolvida na Mina Serra Azul, da ArcelorMittal, em Itatiaiuçu (MG).
A solução proposta, com telas com formato de rampa e piramidais, busca o aumento da capacidade de desaguamento da peneira. O principal objetivo desta implantação era eliminar a utilização de baias para desaguamento do subproduto proveniente da separação de alta intensidade, o que gerava um custo alto com a retomada deste material – com máquinas e caminhões – e também com a movimentação de equipamentos no pátio de carregamento, onde era necessário fazer a blindagem dos subprodutos para atender a especificação química e granulométrica.

Esta tecnologia também melhora a capacidade de drenagem da peneira, entregando um produto final com menor teor de umidade e aumento da recuperação mássica do material fino. O trabalho foi desenvolvido por Luana Gonçalves Guimarães, técnica em beneficiamento na ArcelorMittal, Hélio Roncally Diniz Silva, técnico em beneficiamento na Arcelor Mittal e Elton Carlos de Souza gerente de Beneficiamento e Mina na ArceloMittal. Da equipe da Schenck Process, empresa australiana fabricante das telas piramidais, estão envolvidos os profissionais Ricardo Rodrigues de Souza, Gabor Cezaretti, Luciano Leite e Marco Fujiwara.

A mina Serra Azul, em operação desde 1974, foi comprada em 2008 pela ArcelorMittal. Ela possui uma área licenciada de 620 ha e base de recursos de 1,2 bilhão de t de ROM (minério bruto). A mina produz o minério de ferro sinter feed (SF) com capacidade de 3,5 milhões de t/ano, atendendo as demandas do mercado interno e externo; e o lump ore com capacidade instalada de 680 mil t/ano, atendendo as demandas das empresas do grupo.

Além da mina de minério de ferro, a planta compreende beneficiamento, que consiste nas operações de fragmentação e britagem, classificação dos materiais dentro da faixa adequada de tamanho, concentração (seletividade de materiais), e separação sólido/líquido (recuperação da água utilizada nas operações e disposição de rejeitos).

Os equipamentos concentradores utilizados são jigues mecânicos, espirais, separadores magnéticos de média intensidade, separadores magnéticos de alta intensidade (jhones), hidrociclones e peneiramento.

Segundo Leonardo Xavier, gerente de manutenção da planta, os últimos quatro anos foram de melhoria de disponibilidade física e do parâmetro chamado overall equipment eff ective (OEE), incluindo no planejamento, na qualificação da mão de obra, na efetividade de paradas, no beneficiamento e na redução de consumo de energia. “Os custos de produção caíram até 40% nos últimos três anos com as melhorias”, afirma. Os números de trabalhadores na planta de Serra Azul são 325 próprios e 118 terceirizados.

METODOLOGIA

Sobre a instalação de telas piramidais no peneiramento de minério de ferro, foi realizado um estudo prévio de modificações necessárias para a adaptação aos novos módulos de peneiramento. Basicamente, foi necessário:
• Realizar a padronização das dimensões das telas 300 X 300 X 40 mm do deck (planas, rampas e piramidais)
• Instalação de inversor na peneira
• Instalação do novo layout de alimentação da peneira para melhor distribuição do material
• Modificação no sistema de fixação das telas, instalando pinos
• Instalação de telas 100% injetadas
• Reposicionamento das longarinas para um espaçamento de 300 mm entre elas, e retirada das telas de desaguamento lateral, substituindo-as por barras de proteção em poliuretano
• Redução da inclinação para -1º, ajustando o contrapeso para 90% e a velocidade em 1020 rpm conforme manual do fabricante da peneira

BENEFÍCIOS DAS TELAS PIRAMIDAIS
• Maior área de peneiramento aberta dos módulos:
– Tela plana de 0,2 mm: 4,13%
– Tela rampa de 0,5 mm: 12,8%
– Tela piramidal de 0,3 mm: 18,0%
• As telas piramidais são produzidas em máquinas injetoras e o processo utiliza como matéria-prima poliuretano térmico (TPU)
• Elevada precisão dimensional, inclusive das aberturas das malhas
• Acabamento superficial sem necessidade de retrabalhos
• Microestrutura única e homogênea, sem falhas, bolhas ou emendas
• Telas de alta precisão
• Qualidade e durabilidade superior em relação à tela fundida convencional
• Homogeneidade da qualidade final Planta de beneficiamento de Serra Azul em Itatiaiuçu (MG)

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