Vale retoma operação na mina Capanema com R$ 67 Bi de investimentos previstos até 2030

Vale retoma operação na mina Capanema com R$ 67 Bi de investimentos previstos até 2030

Depois de ficar 22 anos desativada, a mina Capanema, em Ouro Preto (MG), foi reativada pela Vale na última quinta-feira, dia 04. De acordo com a mineradora, serão investidos R$ 67 bilhões até 2030 para garantir produção com menos barragens. A planta será responsável por 5% de toda a produção nacional da empresa.

Capanema vai operar a umidade natural, sem o uso de água no processamento do mineral e
sem gerar rejeito, eliminando a necessidade de barragem. O novo modelo contempla, ainda, cinco caminhões fora de estrada autônomos e soluções de circularidade, com o reprocessamento de minério de ferro contido em uma antiga pilha de estéril. A mina vai adicionar aproximadamente 15 milhões de toneladas por ano (Mtpa) à produção de minério de ferro da Vale, contribuindo para o alcance do guidance de 340–360 Mtpa em 2026. “Essa mina é muito importante. Vai alcançar 15 milhões de toneladas, das 125 milhões previstas para Minas. É um dos projetos mais simbólicos que a gente tem aqui no Estado. É um marco importante de retomada de crescimento em Minas Gerais para a gente”, celebrou o presidente da Vale, Gustavo Pimenta.

Foram investidos cerca de R$ 5,2 bilhões na reativação da unidade, que estava paralisada havia 22 anos, incluindo a modernização das instalações e a integração com outras minas da região para a otimização de processos e redução de impactos ambientais. As obras tiveram duração de cinco anos, envolveram cerca de 40 empresas e mais de 6.000 trabalhadores no pico das atividades, com priorização de mão de obra local. A operação conta com 800 empregados. A solenidade realizada nesta quinta-feira contou com a presença do governador Romeu Zema (Novo) e outras autoridades.

De acordo com a Vale, os recursos serão aplicados em processos produtivos mais seguros, inovadores e sustentáveis, priorizando a redução do uso de barragens, menor emissão de carbono e ampliação da mineração circular, com o apoio de novas tecnologias nos cinco complexos operacionais da empresa em Minas Gerais.

SOBRE A MINA

O presidente Gustavo Pimenta explicou que a planta esteve parada por mais de duas décadas devido a questões “de viabilidade e solução técnica à época”.

“Ficou parado porque tínhamos outras prioridades na carteira. Com o tempo e com a melhoria da tecnologia, a gente conseguiu olhar de novo para este projeto e retomar as atividades dele. É um projeto em que estamos utilizando 100% de caminhões autônomos. Não tem barragem, rejeito, nem utilização de água. Outro projeto em relação ao que era feito 20 anos atrás, mais moderno e, portanto, mais eficiente”, destacou.

Foram investidos cerca de R$ 5,2 bilhões na reativação da unidade, que estava paralisada havia 22 anos, incluindo a modernização das instalações e a integração com outras minas da região para a otimização de processos e redução de impactos ambientais. As obras tiveram duração de cinco anos, envolveram cerca de 40 empresas e mais de 6.000 trabalhadores no pico das atividades, com priorização de mão de obra local. A operação conta com 800 empregados. Novos investimentos

A Vale divulgou, ainda, que o investimento de R$ 67 bilhões em Minas Gerais está inserido na estratégia da empresa para 2030 de oferecer um portfólio de minério de ferro mais flexível, impulsionado por melhorias no desempenho operacional. Os aportes neste período devem gerar cerca de R$ 440 milhões em royalties por ano, movimentando R$ 3 bilhões anuais em salários para cerca de 60 mil profissionais, entre próprios e contratados.

A maior parte dos investimentos será destinada a soluções para ampliar a filtragem e o empilhamento a seco do rejeito, com o objetivo de reduzir de 30% para 20% o uso de barragens nas operações da empresa no Estado.

“Esses projetos oferecerão mais segurança na produção do portfólio de alta qualidade, que requer etapas de concentração do minério, especialmente o pellet feed high grade, essencial para as rotas de redução direta na produção de aço com menor emissão de gases de efeito estufa. Minas Gerais é estratégico no fornecimento desse produto, contribuindo diretamente para a descarbonização da indústria siderúrgica”, explica Rogério Nogueira, vice-presidente executivo Comercial e de Desenvolvimento da Vale.

Haverá investimentos na modernização dos cinco complexos operacionais da empresa, além
de incremento na gestão de estruturas geotécnicas das minas, incluindo conectividade, renovação de frota, instrumentação e monitoramento, entre outros processos que garantem a segurança, sustentabilidade e inovação na produção de minério de ferro no Estado. Os recursos abrangem, ainda, a eliminação de barragens e diques do Programa de Descaracterização de Estruturas a Montante. Desde 2019, cerca de 60% do programa foi executado. Das 13 estruturas remanescentes, oito estão em obras. Todas estão inativas e são monitoradas 24 horas por dia pelos Centros de Monitoramento Geotécnico da Vale.

A empresa vem intensificando práticas de mineração circular no Estado desde 2020, com o reprocessamento de minério de ferro de estruturas geotécnicas em descaracterização, como as pilhas de estéril da mina Serrinha e a barragem Vargem Grande da mina de mesmo nome. O reaproveitamento permite a eliminação de riscos associados às estruturas e traz ganhos ambientais, como a redução de área para disposição do material.

No primeiro semestre de 2025, foram produzidas cerca de 9 milhões de toneladas (Mt) a partir desses programas, um aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2024. No ano passado, a produção de fontes circulares somou 12,7 Mt, e há potencial para que a empresa alcance 10% de sua produção total por meio dessas fontes até 2030. Minas Gerais responde por cerca de 80% desse volume.