Primeiro embarque de Simandou pressiona preço do minério Fe
O grupo de mineração anglo-australiano Rio Tinto descobriu, em 1997, minério de ferro em um trecho da cordilheira de montanhas Simandou, no interior da República da Guiné, país africano na costa do Oceano Atlântico.
Depois de idas e vindas, o projeto foi comissionado em 11 de novembro último. A capacidade de produção de minério de ferro é tão expressiva em Simandou que a sua operação já impacta o mercado global de oferta do produto.
Em meados de janeiro, a China recebeu o primeiro embarque feito na Guiné do minério explorado no Projeto Simandou. O resultado foi que o preço do produto caiu 3% no mercado chinês, seu maior importador, para US$113,94/tonelada. A China consome cerca de 70% do volume disponibilizado no mundo.
O megaprojeto Simandou tem reservas comprovadas de minério de ferro de cerca de 3 bilhões de toneladas. O minério guineano é de alto teor e atinge 66% Fe. O plano de exploração envolve inicialmente uma faixa de 8 quilômetros de extensão, em picos de 300 a 900 metros no trecho de cordilheira de Simandou.
O início da operação da mina, um projeto de mais de US$ 20 bilhões, tem potencial para colocar a Guiné como o terceiro maior fornecedor mundial de minério de ferro, atrás apenas da Austrália e do Brasil. A expectativa é que a produção anual alcance 120 milhões de toneladas de minério de ferro (algo em torno de 7% da demanda global).
A Guiné também é o maior exportador de bauxita do mundo, respondendo por mais de 50% das importações de alumina da China.
Governo integra dois consórcios
Depois de muitos percalços políticos internos (inclusive golpes de estado) e denúncias de corrupção, em 2020 foi anunciado que o projeto Simandou ficaria dividido entre dois consórcios, com o governo de Guiné se associando a ambos os grupos com 15% em cada sociedade.
Na gestão dos blocos 1 e 2 de Simandou está o consórcio WCS, composto pela Winning International Group de Singapura, grupo focado em negócios marítimos, e a chinesa Weiqiao Aluminium (juntos, eles detém 51% da sociedade), além da Baowu, a maior siderúrgica do mundo sediada na China (com 49%). Nos blocos 3 e 4, o consórcio Simfer conta com a Rio Tinto (com 53%) e a chinesa Chalco (com 47%).
A infraestrutura para operação do Projeto Simandou, de responsabilidade de ambos os consórcios, envolveu a construção de uma ferrovia de cerca 650 quilômetros e um local de transbordo para escoamento da produção por via marítima, através do porto de Morebaya, na costa da Guiné, construído com quatro berços para navios de grande porte.
Ambas as estruturas ainda se encontram em fase final de obras, embora já ocorra embarque de minério a partir da planta. Um aeroporto de apoio a 20 quilômetros da planta será construído para melhorar a logística da mina.
Correias de 2,4 km ligam a mina à planta
A mina de ferro a céu aberto está localizada no topo da elevação. Na área da cava, o minério é desmontado com explosivos e transportado por caminhões pesados para alimentar as estações de britagem primária nas áreas periféricas da lavra.
Sistemas de correias transportadoras com 2,4 quilômetros levam o minério morro abaixo até a planta de processamento. A planta de processamento, de acordo com dados do projeto, consiste de peneiramento e britagem secundária e fica localizada próxima à área de carregamento de trens – cada conjunto de vagões do trem tem cerca de 1 quilômetro de extensão e capacidade para 8.000 toneladas.
As instalações de apoio estão localizadas adjacentes ao terminal ferroviário, que incluem oficina para equipamentos, armazenamento de combustível, geração de energia, central de concreto, escritórios administrativos, armazenamento temporário de minério e infraestrutura de gestão de água. Os rejeitos são estocados em uma cava de descarte.
Equipamentos
Em 2024, o consórcio Simfer havia feito acordo com a chinesa XCMG para fornecer um conjunto completo de equipamentos de mineração de grande porte, incluindo dezenas de caminhões diesel-elétricos e com capacidade para 230 toneladas, além de motoniveladoras. Durante a construção da planta, a XCMG chegou a entregar mais de 400 unidades de equipamentos em Simandou, incluindo guindastes, escavadeiras, rolos compactadores, caminhões de mineração e motoniveladoras.
A Metso foi contratada para fornecer equipamentos de britagem ao consórcio WCS. Segundo a indústria finlandesa, o escopo de fornecimento envolvia 16 britadores de cone secundários e terciários, além de instalações auxiliares.
A Komatsu, em acordo com o consórcio Simfer, forneceu cinco escavadeiras de produção de grande porte, quatro carregadeiras de rodas, além de mais de 30 tratores de esteira, caminhões-pipa e escavadeiras menores para manutenção e suporte na infraestrutura.


