Programa visa à recuperação ampla do Rio Doce

Projeto Olhos D’Água, que já existia antes da tragédia em Mariana, envolve a recuperaçãode nascentes e vegetação do Rio Doce, além de tratamento de esgoto.A degradação é antiga e provém da agricultura

Sebastião Salgado, fundador do Instituto Terra
Após o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), o Instituto Terra, fundado pelo fotógrafo Sebastião Salgado, reforçou a necessidade de implantação do projeto Olhos D’Água, que objetiva a recuperação das nascentes e da mata atlântica que circunda o Rio Doce. Segundo informações do instituto, o programa pretende recuperar 370 mil nascentes e instalar fossas sépticas, evitando que o esgoto seja despejado no rio.

De acordo com Salgado, a degradação já é antiga e está relacionada à atividade de agricultura, majoritariamente. Ele propôs a criação de um fundo exclusivo para recuperação do rio Doce, com capital proveniente das empresas BHP Billiton e Vale, controladoras da Samarco. A ONG estima que seja necessário R$ 5 bilhões para implantação do programa.

O instituto, fundado por Salgado, possui o maior viveiro de espécies do estado de Minas Gerais e pode treinar os técnicos e pessoal de apoio que vão trabalhar na recuperação. A ONG já viabilizou o plantio de mais de 2 milhões de mudas de árvores, ajudando a reflorestar mais de 7,5 mil hectares de áreas degradadas de Mata Atlântica em vários municípios do Vale do Rio Doce, entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. O projeto-piloto já recuperou em torno de 1.200 nascentes

Mineradoras anunciamcriação de fundo

As controladoras da Samarco, Vale e BHP, anunciaram a criação de um fundo voluntário para a recuperação do Rio Doce, atingido pela lama despejada após o rompimento de duas barragens da Samarco, em Mariana (MG). A ideia é utilizar os recursos para reparar os danos, mitigar os impactos do desastre, recuperar a bacia do Rio Doce e indenizar os moradores afetados.

De acordo com o presidente da Vale, Murilo Ferreira, o objetivo do projeto é recuperar o rio, e isso tem de abranger questões como saneamento, mata ciliar, nascentes. “É uma longa construção, mas o que queremos dizer é que vamos fazer agora”, ressaltou Ferreira durante encontro com a imprensa.

O executivo disse ainda que o fundo está aberto para a participação de outras empresas, assim como instituições e entidades.

Fonte: Revista Minérios & Minerales

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