Na era dos minerais críticos, Exposibram debate a incerteza de tirar os projetos do papel
Os minerais críticos – lítio, níquel, cobalto, cobre, grafita, nióbio e elementos de terras raras – entraram de vez como assunto principal do setor mineral. Na Exposibram 2026, que se realiza em Belo Horizonte (MG) entre 24 e 27 de maio, executivos e especialistas tratam do tema com relevância, mas admitem que há muito a se caminhar no País para transformar a abundância de reservas localizada em território nacional em oportunidade.
Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil e presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), reconhece que é preciso transformar o potencial em projetos concretos e capazes de chegar à realidade.
Ela crê que o País possui conhecimento tecnológico e instituições para, por exemplo, ampliar sua relevância na produção de cobre, mas vê falta de coordenação com as esferas governamentais. “Não basta ter solo rico. É preciso transformar capacidade em ação”, disse durante conversa com jornalistas e público em evento no estande da Anglo American.
“A gente tem uma nova era de prosperidade na mineração, se conseguir fazer acontecer a produção. As reservas já existem”, afirma Leonardo Lima, diretor da Arcadis, em entrevista à revista Minérios & Minerales. Ele ressalta que uma das discussões principais hoje sobre o assunto é sobre o beneficiamento aqui ou no exterior das terras raras exploradas no País. Isso, de acordo com o diretor, é um ponto que pode ou não atrasar o desenvolvimento do segmento no Brasil.
“Minerais críticos têm demanda e funcionalidade, mas não tem um mercado desenvolvido”, aponta. Leonardo vê uma equação ainda a ser resolvida no setor mineral, que é quem vai comprar os produtos e em que escala, para saber como financiar os projetos de minerais críticos. “Quem financiar, quer a garantia que o dinheiro vai voltar. A incerteza é como tirar do papel os projetos”, destaca.
O projeto de regulamentação da exploração de minerais críticos, que tramita no Senado do Congresso Nacional, é considerado essencial pelo mercado para que projetos do segmento saiam do papel. “Se não deixarem as regras claras ou colocar muitas amarras, isso pode distanciar ainda mais o momento de se produzir”, afirma.
Ele, por outro lado, ressalta que é preciso ter “cuidado” sobre esse novo paradigma que se tenta construir em torno dos minerais críticos. “O lítio era um novo paradigma tempos atrás. Ele subiu de preço, depois corrigiu. Hoje, o lítio está num preço que até nem viabiliza alguns novos projetos”, cita.
Transição energética
O cobre tem um mercado mais propenso à expansão, avalia Leonardo Lima, já que a transição energética depende muito dele.
Não à toa a Lundin Mining está apostando no desenvolvimento do seu projeto de expansão chamado Saúva. Os estudos indicam que a iniciativa – que tem previsão de operação em 2029 – poderá acrescentar, em média, cerca de 15 mil toneladas de cobre e 45 mil onças de ouro por ano, representando um aumento estimado de aproximadamente 30% na produção de cobre e 75% na produção de ouro de Chapada, planta existente da empresa em Alto Horizonte (GO).
“Se você olhar o mercado, até 2030, a produção e a demanda de cobre estão equilibradas. Mas a partir de 2030, a demanda continua crescendo, mas a produção entra em declínio”, diz Itamar Machado, diretor-presidente da Lundin Mining, em entrevista à revista Minérios & Minerales. Para ele, o momento é oportuno para a mineradora apostar na expansão de seus negócios no Brasil.
Gustavo Pimenta, CEO da Vale, comentou durante apresentação no Congresso da Exposibram2026 que as tendências são altas com eletrificação e mobilidade elétrica e elas devem elevar a procura global por minerais nas próximas décadas. “O nosso problema é de oferta, da capacidade de colocar esses minerais no mercado para atender à demanda crescente”, pontuou.


