Meteoric estuda refino de terras-raras no Brasil e mira início da produção em 2028 em Minas
A mineradora australiana Meteoric Resources pretende ampliar sua atuação no Brasil e avançar na cadeia produtiva das terras-raras. Além da produção de carbonato misto no Projeto Caldeira, em Caldas, no Sul de Minas Gerais, a empresa estuda implantar no país uma estrutura voltada à separação de óxidos, etapa considerada estratégica para agregar valor ao minério antes da fabricação de produtos industriais.
A possibilidade de Minas Gerais receber a planta de refino foi apresentada durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), realizado entre os dias 17 e 20 de maio, em Ouro Preto. Ainda não há definição sobre custos ou investimentos necessários para a implantação da estrutura.
O Projeto Caldeira está em fase de Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS, na sigla em inglês), etapa que deve ser concluída ainda neste ano. A previsão da Meteoric é iniciar as operações no segundo semestre de 2028, caso os prazos de licenciamento ambiental sejam mantidos.
De acordo com o geólogo coordenador de pesquisa da empresa, Rodrigo Rocha Ribeiro, a estratégia da companhia é desenvolver no Brasil etapas que normalmente ficam concentradas em outros países.
“O plano da Meteoric é conseguir montar uma cadeia de indústria para fazer também a separação de óxidos e não produzir apenas o carbonato de terras-raras. A intenção é desenvolver isso dentro do país”, afirmou.
Atualmente, a China domina boa parte da cadeia global das terras-raras, incluindo etapas de processamento e refino. Para a Meteoric, o cenário abre espaço para o Brasil ampliar participação no mercado internacional.
“O mercado global do Ocidente está procurando outro fornecedor que não seja a China, não só da commodity, mas de toda a cadeia produtiva”, disse Ribeiro.
Projeto aguarda licença para iniciar obras
A empresa já obteve a Licença Prévia (LP) do Projeto Caldeira e aguarda a emissão da Licença de Instalação (LI), necessária para o início das obras da mina e da planta de beneficiamento.
A LP foi requerida em maio de 2024, acompanhada do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Os estudos foram aprovados de forma unânime pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) em dezembro de 2025. Antes da aprovação, o projeto passou por audiência pública realizada em novembro de 2024, em Caldas, com participação de mais de 500 pessoas.
Após a emissão da licença prévia, a Meteoric solicitou a Licença de Instalação em março deste ano. O processo foi formalizado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) em abril.
Segundo a empresa, a expectativa é que a licença seja liberada até o fim de 2026. Com isso, a construção das estruturas começaria na sequência.
“Assim que sair a licença de instalação, a gente começa a construção da planta. Se os prazos forem cumpridos, a previsão é começar a produzir em 2028”, afirmou Ribeiro.
A etapa inclui a implantação da mina, construção da planta de beneficiamento, abertura de acessos e execução de medidas ambientais previstas no Plano de Controle Ambiental (PCA). O projeto também prevê ações de recuperação de áreas degradadas e monitoramento ambiental durante toda a operação.
Pesquisa com universidades
Além da implantação industrial, a Meteoric afirma ter ampliado os estudos sobre o minério encontrado em Caldas. A empresa mantém parceria com instituições de pesquisa e universidades para aprofundar o conhecimento sobre as argilas mineralizadas presentes no projeto.
Segundo Ribeiro, o objetivo é entender possibilidades de aproveitamento do material e aprimorar métodos de pesquisa mineral. “Fazemos questão de não ser apenas um produtor. Estamos estudando bastante o minério, trabalhando junto com universidades e desenvolvendo pesquisas em todas as fases do projeto”.
A empresa informou que três universidades participam atualmente dos estudos ligados ao empreendimento.
Quem é a Meteoric
A Meteoric Resources foi constituída em 2004 na Austrália. Em 2007, a companhia obteve participação minoritária no projeto Webb Diamonds, controlado pela australiana CGN Resources, que fica localizado na região de Arunta, na Austrália. Ainda em processo de sondagens, inicialmente deveria explorar diamantes, mas hoje o foco está na mineração de cobre e níquel.
No norte da Austrália, a Meteoric participa ainda do projeto Warrego North, com depósitos de cobre e ouro, também em processo de sondagens. A empresa mantinha desde 2020 um projeto de extração de ouro chamado Palm Springs, na região de Kimberley, na Austrália, mas vendeu a operação para a Win Metals em 2024. A produção estimada dessa mina no ano passado foi de cerca de 210 mil onças de ouro.
Projeto Caldeira
Custo total do projeto – US$ 450 milhões
Reserva inicial provável de minério – 103 milhões de toneladas
Vida útil inicial da mina – 20 anos
Produção anual média de Óxidos de Terras Raras Totais – 13,5 toneladas
Produção anual média de óxido de NdPr (Neodímio-Praseodímio) – 4,2 toneladas




