Empresa canadense expande ativos de terras raras no Nordeste do Brasil

Empresa canadense expande ativos de terras raras no Nordeste do Brasil

A mineradora canadense Origen Resources anunciou a assinatura de uma carta de intenções para a aquisição de um novo projeto de Elementos de Terras Raras (ETR) no Nordeste brasileiro. O acordo envolve um pacote de concessões minerais que soma 33.075 hectares situados entre os estados do Piauí e da Bahia. Com o novo ativo, a companhia passa a controlar uma área total superior a 68 mil hectares em uma faixa geológica que desponta como polo emergente para minerais críticos.

A nova área foi identificada inicialmente pela Incorporadora e Mineração Santa Rosa, que realizou coletas superficiais de solo em pontos espaçados. Os resultados preliminares apontaram uma zona anômala de aproximadamente 4 km por 6 km, com teores que alcançaram 282 ppm de óxidos de terras raras totais mais ítrio (TREO+Y). 

O alvo principal da exploração é o modelo de depósito hospedado em argila com adsorção iônica, tipo de mineralização considerado estratégico e altamente competitivo no cenário mundial, já que permite uma mineração com menor consumo de energia e processos de recuperação química menos agressivos em comparação aos depósitos em rocha dura. 

Geologicamente, a Origen interpreta que a mineralização no Piauí e na Bahia está alojada em perfis lateríticos desenvolvidos sobre o Grupo Rio Preto. O contexto é semelhante ao de outros projetos de destaque no Brasil, como o de Serra Verde, em Goiás, e o da Caldeira, em Minas Gerais. 

O contrato estabelece um período exclusivo de 150 dias para a realização da chamada due diligence (auditoria técnica), onde a Origen conduzirá trabalhos de campo sob a supervisão da consultoria Coast Mountain Geological, de Vancouver, e com o apoio de especialistas brasileiros.

Caso os resultados da auditoria sejam positivos, a mineradora poderá exercer o direito de adquirir 70% de participação no projeto. Os termos financeiros acordados incluem o pagamento inicial US$ 100.000 e a emissão de 2 milhões de ações da Origen após a assinatura do contrato definitivo. Outros US$ 100.000 e 4 milhões de ações serão incluídos no segundo aniversário do contrato. Além disso, a empresa promete investir US$ 1,5 milhão em pesquisas minerais dentro de um prazo de dois anos.

Após o cumprimento dessas obrigações, será formalizada uma joint venture entre a Origen (70%) e a vendedora Santa Rosa (30%). O acordo prevê ainda um royalty de 2% sobre a produção para a Santa Rosa, sendo que metade desse percentual (1%) poderá ser recomprado pela Origen futuramente por US$ 1,5 milhão.