Gestão da perfuração com tablets reduz custo por metro perfurado
Com reservas minerais superiores a 1 bilhão de toneladas de minério de ferro, a Minerita Minérios Itaúna Ltda. é uma empresa com capital 100% brasileiro, em operação desde 1971, que lavra, concentra e vende seus produtos para os mercados nacional e internacional. Localizada no estado de Minas Gerais, na região do Quadrilátero Ferrífero, a companhia desenvolveu um projeto que visa fornecer informações em tempo real da performance de cada modelo de ferramenta aplicada à coluna de perfuração, propiciando a escolha daquelas que apresentarem o melhor custo-benefício.
A perfuração é a etapa anterior ao desmonte, na qual são realizados furos com uma distribuição geométrica predefinida e adequada ao tipo de maciço rochoso, por meio de perfuratrizes, que variam em porte e tecnologia conforme as características da rocha e os objetivos da operação.
O controle das ferramentas utilizadas na mineração é essencial para garantir a eficiência operacional, a segurança dos trabalhadores e a sustentabilidade econômica da empresa. Dessa forma, a escolha adequada dos modelos e métodos de perfuração, como também dos tipos de ferramentas, é um processo essencial para a obtenção de bons resultados.
Ademais, é indispensável o monitoramento da qualidade técnica e da durabilidade das ferramentas de perfuração on time, objetivando uma boa gestão e obtenção do melhor custo-benefício para essa etapa. Nesse sentido, a equipe da Minerita, formada por Lúcio José Cerceau da Silva, gerente Geral de Geotecnia e Processos Minerais, e Evandro Luiz de Oliveira Leite, analista de Planejamento de Mina, desenvolveram uma solução para substituição dos registros manuais de perfuração pelo sistema do software de gestão de frotas, operados diretamente em campo por tablets.
Como começou a gestão da perfuração Segundo a Minerita, até o ano de 2021, os dados de perfuração como localização da praça de perfuração, metragem perfurada, horas trabalhadas, horas de manutenção, tipo de rocha perfurada, identificação dos bits, martelos, hastes etc., eram registradas manualmente em um relatório de diário de perfuração, sendo posteriormente repassadas para uma planilha Excel.
Devido ao fato de ser um método manual de registros, eram comuns as perdas de informações ao longo do tempo, erros nas anotações e na transcrição dos dados para a planilha.

Atualmente, o registro das informações operacionais da perfuração é realizado de forma digital, por meio de tablets utilizados diretamente em campo pelos operadores das perfuratrizes. Esses dispositivos são equipados com o aplicativo do software de gestão de frotas que permite o apontamento, em tempo real, de dados como ID do fogo e modelo de cada ferramenta aplicada na coluna, tais como: bit, martelo, haste e punho. Além dos dados operacionais, o sistema permite o acompanhamento detalhado dos ferramentais de perfuração, controle da vida útil de cada componente, registros de substituições realizadas e rastreabilidade por código único.
As informações inseridas pelos operadores são automaticamente armazenadas em um banco de dados centralizado, o que garante maior confiabilidade, padronização e disponibilidade para análise técnica e tomada de decisão. Ademais, são disponibilizados em dashboards os principais
parâmetros de performance dos ferramentais.
Além das informações inseridas pelos operadores, algumas outras são registradas e apontadas nos relatórios como, por exemplo, o tempo de operação, o tempo que a máquina ficou ociosa e metros perfurados.
RESULTADOS
Foram utilizados os bits como exemplo para demonstrar o impacto das ferramentas no processo de perfuração. Após o cadastramento das informações na plataforma e o registro das atividades pelos operadores nos tablets, os dados passaram a ser armazenados no banco de dados. A partir do momento em que as informações referentes à metragem perfurada foram devidamente registradas e com o conhecimento do custo unitário de cada bit, tornou-se possível calcular o custo específico (R$/ por metro perfurado) de cada modelo analisado.
Comparativo entre os fornecedores A e B (Minerita, 2025): (Lincoln colorir tabela abaixo)

Observou-se que o fornecedor B apresentou uma média de metragem perfurada por bit superior à do fornecedor A. Associado a esse melhor desempenho, os bits do fornecedor B também apresentaram um
custo unitário inferior. No aspecto financeiro, o modelo fornecido pelo fornecedor B apresentou um custo por metro perfurado aproximadamente 45% menor do que o modelo do fornecedor A.
Além disso, a adoção dos tablets eliminou os registros em papel, bem como o tempo gasto com a transcrição manual e a consolidação de dados, proporcionando mais agilidade ao processo. Também a diminuição dos erros de apontamento esquecimento e perdas das informações aumentou a confiabilidade dos dados.
IMPACTO DO PROJETO
A partir desta análise, ficou evidente que o controle de performance das ferramentas utilizadas no processo de perfuração é indispensável para a melhoria da eficiência operacional. A perfuração, sendo uma das etapas iniciais e mais críticas do desmonte, influencia diretamente na produtividade de toda a cadeia de lavra.
A experiência da Minerita Minérios Itaúna Ltda. demonstra como a transformação digital aplicada ao controle operacional pode impactar significativamente os resultados da empresa. rastreabilidade e na qualidade das informações utilizadas para a tomada de decisão. Para a companhia, a adoção de práticas de gestão orientadas por dados, aliada à tecnologia de coleta e tratamento das informações em tempo real, é essencial para promover ganhos contínuos de produtividade e redução de custos na mineração.




