Expansão de Barroso entra na reta final

Com exclusividade, Minérios & Minerales acompanhou o andamento das obras do mega projeto
de expansão da Holcim, que tem start-up previsto para outubro

Guilherme Arruda

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Instalação do moinho de cimento vertical, com capacidade de 450 t/h

Umas das principais obras industriais em execução atualmente no País e o maior investimento da Holcim fora de sua matriz na Suíça, a expansão da unidade de Barroso (MG) entrou em sua reta final, com 82% de avanço físico no começo de fevereiro. Para elevar a sua produção anual de cimento de 1,3 milhão t para 3,6 milhões t, a companhia está investindo cerca de R$ 1,7 bilhão na construção de uma nova fábrica, que engloba a abertura de uma nova mina de calcário, a instalação de um amplo conjunto de moinhos, alto-fornos, britadores, filtros, correias transportadoras, entre outros equipamentos.

Do total do aporte, 32% são financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Ecônomico e Social (BNDES), 18% pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), 26% por financiamento externo e 24% com recursos da própria companhia.

De acordo com Pedro Lluch, diretor do Projeto de Expansão, a ampliação da unidade, que aumentará sua área construída de 34 mil m2 para 100 mil m2, tem como objetivo atender a demanda por cimento no mercado brasileiro, principalmente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. “A expansão abrange uma linha completa, totalmente nova, com equipamentos robustos e de tecnologia avançada. Com a nova planta, visamos a atender o crescimento do mercado relacionado aos investimentos programados em infraestrutura”, afirma Lluch.

Um dos equipamentos modernos que o executivo se refere é o moinho multidrive de cimento. Sendo o maior do mundo,o moinho do tipo vertical de seis rolos, fornecido pelo consórcio entre a espanhola Cemengal e a alemã Pfeiffer, tem capacidade de 450 t por hora e está equipado com seis motores Siemens, com potência de 2.000 kW cada. Além disso, sua operação é livre de poeira e têm baixo nível de ruído.

Já o moinho de cru (mistura de calcário, argila e corretivos) Horomill 440, fabricado pela francesa Fives FCB, não necessita de água em seu processo e consome cerca de 30% a menos de energia elétrica (kWh por tonelada de cimento produzida), quando comparado com máquinas similares. É o primeiro fabricado com diâmetro de 4,4 metros; só o seu corpo pesa 240 toneladas. A FCB forneceu também sistemas de britagem, filtros, peneiras e demais periféricos. Por fim, a italiana Agudio é a responsável pela instalação e fornecimento do Flyingbelt, sistema de correia aérea transportadora com recorde de 7,5 km de extensão. Juntos, os três sistemas ou equipamentos representam 97,6% dos valores investidos no projeto.

Expansão da unidade de Barroso elevará sua produção anual de cimento de 1,2 milhão t para 3,6 milhões t

No dia 26 de janeiro, a expansão atingiu 1.000 dias trabalhados, com destaque para a não ocorrência de acidentes graves. Ao todo, cerca de 3.000 empregados atuaram na unidade durante o pico da obra em novembro e dezembro, sendo aproximadamente 90% do quadro formado por funcionários da construtora Mendes Júnior, empresa responsável pelas obras de construção civil. “A nossa prioridade a nível mundial é a segurança. Após mais de dois anos de obras, não tivemos nenhum acidente grave. Continuaremos trabalhando com empenho total nesse quesito. Estimamos uma demanda de 16 milhões de horas homem trabalhadas (hht) até o término do projeto”, destaca Lluch.

O diretor completa dizendo que após a conclusão das obras virá a etapa de comissionamento dos equipamentos e o ramp-up da fábrica, que tem tempo estimado de três meses. “Nosso foco será rodar todos esses equipamentos, com novas tecnologias. Iremos iniciar as atividades de comissionamento do moinho de cimento; sistemas de transporte e alimentadores em maio, e o forno em setembro.”, conclui Lluch.

A companhia espera a redução dos custos de produção e distribuição, expectativa creditada ao incremento tecnológico no processo de fabricaçao dos cimentos que a planta nova proporcionará e a sua localização geográfica.

Modernizaçãoe sustentabilidade

De acordo com João Butkus Filho, gerente da unidade de Barroso na época desta reportagem, a expansão da fábrica segue a política de sustentabilidade da companhia, que considera os impactos socioeconômicos e ambientais gerados pelo empreendimento. “O projeto está alinhado com o tripé de desenvolvimento da empresa no que diz respeito aos seus aspectos econômicos, ambientais e sociais. Os investimentos em novas tecnologias, mais sustentáveis e eficientes, vão ao encontro dessas diretrizes”, afirma Butkus.

O filtro de manga, que também será instalado na fábrica antiga, possui uma estabilidade maior quando comparado com o filtro eletrostático, utilizado atualmente. Nesse sentido, as emissões de particulados pelas chaminés se manterão abaixo das 10 mg por m3, volume menor aos 50mg m3 exigidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). “No âmbito da emissão de particulados, haverá uma redução da emissão de poeira fugitiva com a cobertura dos estoques de carvão. A pressão sonora gerada na planta ficará abaixo dos níveis máximos permitidos pela legislação, com a utilização de abafadores de barulho”, ressalta Butkus.

O resfriamento dos equipamentos da planta será feito com água recirculada da unidade, como acontece com a fábrica em operação. A captação é feita no Rio das Mortes, que corta o município de Barroso, e é tratada na estação de tratamento de água da empresa. Além disso, as águas das chuvas são coletadas em rede de drenagem, formada por um sistema de canaletas.

Já o novo forno de clínquer incrementará a utilização de combustíveis alternativos (borras oleosas, graxas, serragens, pneus etc), reduzindo o uso de insumos fósseis, como coque de petróleo e carvão. Para produzir cimento, a companhia utiliza cerca de 30% de escória industrial, que é rejeito da produção de ferro-gusa. Al&eac
ute;m de diminuir o uso de recurso mineral (calcário), a escória provê ao cimento propriedades específicas como resistência a sulfatos e ambientes agressivos.

Construção da base do moinho de cru Horomill
Avaliação e qualificação do cimento será feita por robô

Ampliação do terminal

Como parte do projeto de expansão de Barroso, a Holcim está ampliando o Terminal Bias Fortes, em Barbacena (MG). As mudanças são necessárias em função dos volumes adicionais de cimento a granel, que serão provenientes da entrada da produção da nova fábrica.

A capacidade anual de operação instalada do terminal passará de 350 mil t para 900 mil toneladas por ano. Além disso, serão instalados dois novos sistemas para extração de cimento dos silos para vagões graneleiros, pertencentes a malha ferroviária da empresa. Os caminhões terão dois novos pontos para descarga de cimento granel, como novos compressores e linhas de ar. O refeitório e as estruturas das salas elétricas, subestações, banheiros e vestiários também serão modernizados.

Controle de qualidadeserá feito por robô

Para o laboratório da unidade, a companhia adquiriu um robô para avaliação e qualificação do cimento. Denominado Robolab e fabricado pela FL Smidth, o equipamento, que tem capacidade para analisar mais de 30 amostras de cimento por hora, possui em sua estrutura amostradores, aparelhos de trituração e pulverização das amostras, instrumentos analíticos com tecnologia RX que fazem a espectroscopia das amostras, mecanismos que atuam no posicionamento adequado das amostras e o software QCX, para processamento das informações.

“Trata-se de um sistema completo voltado para o controle de qualidade do cimento. Com tecnologia de ponta, faz o preparo e análise de amostras para o controle de qualidade de todas as etapas do processo de fabricação do cimento, assim como também o gerenciamento destas informações”, afirma Pedro Lluch, diretor do Projeto de Expansão.

O robô traz módulos específicos de acordo com o tipo de indústria e suas necessidades de análise. Entre os principais benefícios do equipamento estão a redução dos esforços ergônomicos do operador, rapidez nos ensaios; propiciando agilidade na tomada de ações operacionais, diminuição de erros decorrentes da metodologia e de eventuais contaminações de amostras e possibilidade de manutenção e ajustes remotos via rede quando necessário.

De acordo com a equipe técnica da FL Smidth, as soluções em robótica são preferíveis se os procedimentos são mais complexos ou se mais testes devem ser feitos com a mesma amostra. Isto é porque a abordagem robótica requer menos adaptação do requisito para manutenção e automação menos dispendioso de uma ampla gama de componentes de laboratório padrão.

Com cerca de 200 robôs instalados, a FL Smidth possui clientes de variados segmentos industrias, como cimento, ouro, minério de ferro e carvão. No Brasil, a empresa forneceu o Robolab para outras cimenteiras, como Supremo e Votorantim.

Números da expansão

2011

2015

Área construída

34 mil m2

100 mil m2

Capacidade de produção de cimento

1,3 milhão t/ano

3,6 milhões t/ano

Capacidade de produção de clínquer

2 mil t/dia

6,5 mil t/dia

Capacidade de moagem

180 t/hora

550 t/hora

Fonte: Holcim

Principais fornecedores do projeto

Empresas

Equipamentos

Origem

Agudio

Correia aérea transportadora

Itália

Pfeiffer/Cemengal

Maior moinho de cimento do mundo

Alemanha/Espanha

Fives FCB

Forno, pré-aquecedor, moinho de cru, britagens e correias transportadoras

França

Obs.: As três companhias representam mais de 95% dos valores aplicados no projeto.

Tecnologia de ponta

Instalação nova

Melhorias

Forno de clínquer e filtro de mangas

Redução na emissão de pó na chaminé e nas emissões gasosas; redução do consumo específico de água, redução do consumo de energia térmica pelos for
nos; redução do uso de combustíveis derivados de petróleo.

Moinhos

Redução da emissão de pó nas chaminés; redução no consumo de energia elétrica.

Galpões e dosadores de insumos e produtos

Redução da emissão de poeira fugitiva (cobertura dos estoques de carvão); melhoria do sistema de drenagem de águas da chuva.

Fonte: Holcim

Fonte: Revista Minérios & Minerales

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