Cedro mira produção de 6 milhões t este ano e planeja produzir 100% pellet feed no futuro

Cedro mira produção de 6 milhões t este ano e planeja produzir 100% pellet feed no futuro

A Cedro Mineração mantém duas operações de minério de ferro em Minas Gerais: uma no Morro do Gama ou Cedro Extrativa, em Nova Lima, e outra em Mariana ou Cedro Mariana. Nas duas, a empresa investe no máximo aproveitamento da reserva mineral. Wanderley Santo, vice-presidente de Operações da Cedro Mineração, recebeu a revista Minérios & Minerales na planta da Cedro Extrativa. O executivo cita que as jazidas do Quadrilátero Ferrífero estão empobrecidas depois de décadas de intensa exploração. “Hoje, quem sabe trabalhar com minério pobre sai na vanguarda. A Cedro, desde sua criação há oito anos, ela é especializada em trabalhar com baixa concentração de ferro”, diz Wanderley Santo. “Nossa operação é rentável com minério pobre”, complementa.

O vice-presidente destaca que a receita para o aproveitamento ao máximo do corpo mineral é o planejamento de lavra bem alinhado. “Fazemos desmonte controlado, retiramos os minerais mais ricos, passamos pela peneira, classificamos e enriquecemos”, diz. Wanderley relata que na alimentação da planta é fundamental que o material passe por um processo primário de classificação rigoroso, separando os blocos compactos do material semicompacto e do material friável, todos com diferentes teores. Nesse processo a mineradora usa a peneira vibratória de escalpe da marca Astec. De acordo com o executivo, isso evita o descarte do material com granulometria com potencial de recuperação, não identificados nas análises geológicas preliminares.

O processo permite a retirada de camadas de blocos de rocha ou de solo que possam conter ferro. Em um segundo nível, separa materiais pobres em minério de ferro de outros com teor mais alto, aproveitáveis comercialmente (com menos de 50mm). Materiais entre 50mm e 200mm, são usados como forro de mina ou enviados a pilha de estéril, enquanto os que estão acima de 200mm, vão direto para a pilha de estéril. O resultado é que a massa lavrada pela operação que seria considerada estéril de formação ferrífera, entra para a planta de concentração magnética, resultando em minério de ferro com teor médio de 45% a 50% – com esse teor médio é possível alimentar a planta de beneficiamento para gerar produtos finais.

Mas ele ressalta que para alcançar este resultado é fundamental também treinar os profissionais envolvidos na tarefa, como operadores, técnicos, supervisores e geólogos, porque a extração do material na lavra exige precisão. O executivo tem visto muito depósito de estéril que não é aproveitado na extração, mas que poderia gerar produto comercial. “O que para outras empresas é estéril, pode se transformar em minério para a Cedro”, costuma dizer. “Com esse trabalho técnico de frente de lavra, a gente consegue fazer um aproveitamento mineral em torno de 65% de toda a massa extraída de nossa mina”, diz. A Cedro Extrativa produz 4 milhões de toneladas por ano, mas, em 2026, o plano é chegar a 6 milhões de toneladas baseado no projeto de melhor aproveitamento das reservas.

MINERADORA APOSTA NA DESCARBONIZAÇÃO

A Cedro Mineração caminha também fortemente para a descarbonização, gerando menos impacto ambiental e social em suas plantas. A mineradora já não opera com barragens em suas unidades, realizando em seu lugar o processo de filtragem e empilhamento a seco dos rejeitos gerados pela mineração de ferro.

alto aproveitamento da reserva mineral com plano de lavra e peneiramento e classificação mais refinados, diminuindo sensivelmente a geração de estéril, está também dentro do escopo da descarbonização e sustentabilidade. No caso da planta da Cedro em Nova Lima, o projeto avançou bastante, conforme relatado nesta reportagem.

A mineradora também começou os testes com caminhão basculante 8×4 totalmente elétrico na Mina do Gama, em Nova Lima. A iniciativa de descarbonização contará também com um veículo elétrico na unidade de Mariana. A meta é reduzir as emissões e testar soluções que proporcione maior desempenho na lavra.

O modelo XCMG E7 8×4 apresenta autonomia média de até 150 quilômetros, ou cerca de oito horas por ciclo, sem necessidade de recarga intermediária. A bateria pode ser totalmente recarregada em aproximadamente uma hora e ela conta com sistema de regeneração de energia durante frenagens e desacelerações, o que amplia a eficiência energética ao longo dos ciclos.

Com capacidade total de 45 toneladas, o veículo atua no transporte interno de minério. De acordo com a mineradora, durante o período de testes, os indicadores de desempenho serão acompanhados por sistemas de telemetria, que medem tempo de ciclo, produtividade, consumo energético e autonomia em diferentes condições de carga e percurso. O vice-presidente de Operações da Cedro Mineração ressalta que a análise técnica permitirá definir a viabilidade econômica desta solução em comparação com a frota convencional movida a diesel. A adoção do modelo elétrico responde a uma agenda clara de transformação, segundo Wanderley Santo. “Nosso objetivo é colocar equipamentos elétricos em toda a nossa operação”, afirma.

Wanderley Santo

Em 2025, a empresa utilizou um caminhão movido a Gás Natural Veicular (GNV) no transporte de minério de ferro entre a planta em Mariana e o Terminal Fazendão, da Vale, na mesma localidade. O teste com GNV permitiu à Cedro aferir a eficiência energética da rota com essa matriz energética. O próximo passo é a utilização de caminhões movidos a biometano, biocombustível renovável produzido a partir da purificação do biogás obtido de aterros sanitários ou outras fontes, para novos testes.

PELLET FEED, O MINÉRIO VERDE

Para a Cedro Mineração ter sucesso na descarbonização, trabalhar na produção do chamado minério verde é essencial. Trata-se do produto produzido com alto teor de ferro (igual ou acima de 66%) e baixa sílica – composto químico considerado como impureza presente no minério de ferro. Wanderley explica que o foco da mineradora tem sido a produção do pellet feed, um minério de ferro justamente com características de alto teor de ferro e reduzida sílica. O produto é destinado à produção de pelotas de minério de ferro, que são utilizadas na indústria siderúrgica, diminuindo em até 50% as emissões de carbono em relação ao minério convencional.

A Cedro quer ter 100% de sua produção em pellet feed e prevê investimento nos seus dois sites de cerca de R$ 7 bilhões para alcançar esse objetivo, mas ainda define qual mecanismo financeiro utilizar para alcançar essa meta. Para se centrar em pellet feed, a empresa precisa investir recursos principalmente em processos como moagem e flotação. Para a empresa, a aposta no pellet feed atende às demandas do mercado global, agregando valor ao minério de ferro produzido no Brasil.