CBA reduz em até 20% tempo entre lavra e recuperação ambiental de áreas de bauxita
Operação Concomitante integra extração, reconformação topográfica e reabilitação ambiental nas minas de Miraí, na Zona da Mata mineira.
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) desenvolveu um modelo de operação que reduziu em até 20% o tempo entre a extração de bauxita e o início da recuperação ambiental de áreas mineradas na região de Miraí, na Zona da Mata de Minas Gerais.
Denominada Operação Concomitante, a estratégia integra continuamente as etapas de lavra, reconformação do terreno e reabilitação ambiental.
Em alguns casos analisados pela companhia, o intervalo entre a extração mineral e o início do plantio caiu de 15 para 12 meses.
A metodologia foi desenvolvida para responder a uma característica particular das reservas de bauxita da região: depósitos superficiais, dispersos e distribuídos pelos topos e encostas do chamado “mar de morros” da Zona da Mata mineira.
Mineração de bauxita em Miraí exige uma operação descentralizada
A CBA opera minas de bauxita na Zona da Mata para abastecer sua cadeia de produção de alumínio.
Diferentemente de grandes minas concentradas em uma única área, os depósitos encontrados na região são superficiais e altamente dispersos.
Essa configuração exige uma lavra progressiva, realizada em áreas relativamente pequenas e com ciclos curtos de operação.
Pessoas, máquinas e equipamentos precisam se deslocar constantemente à medida que novas frentes são abertas e outras entram em processo de recuperação.
Antes de uma área chegar à etapa de lavra, há ainda um processo que envolve identificação do depósito, sondagem, licenciamento, negociação com proprietários rurais e liberação para operação.
Segundo a CBA, esse ciclo preparatório pode superar uma década.
Quando a extração finalmente começa, porém, torna-se necessário reduzir ao máximo o período de ocupação das propriedades.
O que é a Operação Concomitante da CBA?
A Operação Concomitante é uma metodologia que coordena diferentes etapas da mineração de maneira simultânea e progressiva.
Em vez de esperar a conclusão de toda a extração para iniciar a recuperação do terreno, a estratégia permite que diferentes áreas estejam em etapas distintas ao mesmo tempo.
Enquanto uma frente está sendo lavrada, outra pode passar pela reconformação topográfica e uma terceira já pode estar em processo de reabilitação ambiental.
A estratégia busca, dessa maneira, reduzir o tempo de ocupação das propriedades, diminuir a exposição das áreas mineradas e acelerar sua recuperação.
A CBA caracteriza essa abordagem como “farm mining”, ou fazenda de mineração, em referência à integração da atividade mineral ao ambiente rural onde as jazidas estão distribuídas.
Cinco etapas estruturam a metodologia
Para implantar a Operação Concomitante, a companhia estruturou cinco frentes principais de atuação.
A primeira foi a elaboração de um Mapa de Processos Multiáreas, capaz de organizar as diferentes frentes que se encontram simultaneamente em estágios distintos da operação.
A segunda envolveu a redefinição do ciclo de uso territorial, incluindo o manejo segregado dos horizontes do solo e melhorias nos processos de reabilitação ambiental.
A terceira frente buscou aprimorar práticas operacionais e o aproveitamento dos equipamentos, aproximando as atividades de lavra e reconformação.
Também foi adotada a reconformação topográfica plena, eliminando taludes artificiais associados às divisas entre propriedades e áreas licenciadas.
Por fim, a CBA estabeleceu uma parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) para desenvolver pesquisas científicas aplicadas à reabilitação ambiental das áreas mineradas.
Reconformação busca devolver o desenho natural do terreno
Uma das principais mudanças está na maneira como o terreno é reorganizado depois da retirada da bauxita.
A reconformação topográfica utiliza materiais provenientes das áreas exauridas para reconstruir o relevo e eliminar descontinuidades artificiais.
O objetivo é criar transições mais naturais entre as áreas mineradas e a paisagem característica da Zona da Mata.
Esse processo também favorece a absorção da água da chuva e permite desenvolver sistemas de drenagem com configurações mais próximas das formas naturais do terreno.
A estratégia busca integrar novamente as áreas recuperadas ao “mar de morros” que caracteriza a paisagem regional.
Solo é separado em camadas antes da mineração
Outra técnica incorporada ao processo foi o decapeamento seletivo do solo.
Durante a preparação das áreas, os horizontes são separados em dois grupos: O+A e B.
Esses materiais são armazenados separadamente para que possam posteriormente ser reaplicados em camadas durante a recuperação.
A segregação busca preservar melhor as características de cada horizonte e os organismos presentes no solo, elementos importantes para o processo posterior de revegetação.
Com isso, a recuperação ambiental passa a ser considerada desde a preparação da frente de lavra, e não somente depois que a extração termina.
Tempo entre extração e plantio caiu de 15 para 12 meses
A comparação realizada pela CBA entre áreas operadas pelo modelo sequencial e aquelas submetidas à Operação Concomitante apontou uma redução média de aproximadamente 20% no tempo de ocupação territorial.
Em alguns casos, o período entre a extração e o início do plantio foi reduzido de 15 para 12 meses.
A mudança foi possível porque as frentes passaram a avançar de maneira sobreposta.
A reabilitação ambiental começou a ser planejada juntamente com a estratégia de avanço da lavra, reduzindo períodos em que uma área permanecia aguardando o início da etapa seguinte.
A menor permanência das frentes também contribui para reduzir o período de exposição dos equipamentos móveis, questão relevante em uma operação geograficamente dispersa.
Operação integra mineração e recuperação ambiental
O modelo desenvolvido em Miraí mostra como características geológicas e territoriais podem determinar a própria organização da operação mineral.
No caso da bauxita da Zona da Mata, a dispersão dos depósitos e sua localização em propriedades rurais exigiram um sistema capaz de coordenar simultaneamente planejamento, lavra, movimentação de equipamentos, gestão fundiária, reconformação e reabilitação ambiental.
Ao aproximar essas etapas, a Operação Concomitante reduziu o intervalo entre extração e recuperação e incorporou a reabilitação ao planejamento operacional da mina.
O resultado apresentado pela CBA — redução de até 20% entre a extração e o início do plantio — demonstra como a gestão integrada das diferentes etapas pode diminuir o tempo de ocupação territorial em operações de mineração dispersas.
