Yara conclui planta química até dezembro em Serra do Salitre (MG)

Augusto Diniz – Serra do Salitre (MG) O Complexo Minero-Industrial de Serra do Salitre do grupo norueguês Yara, no município mineiro de mesmo nome, está na segunda fase de construção, que se refere à planta química, com cerca de 30% de avanço. Ela completa a cadeia de produção de fertilizantes fosfatados no local.

A fase primária do projeto já está em operação há um ano por meio da extração e beneficiamento de rocha fosfática.

O investimento total do projeto é de R$ 2,6 bilhões.

O empreendimento da Yara inclui mina, unidade de beneficiamento (fase 1) e área de produção (fase 2). É a primeira planta integrada do grupo no país – antes, o projeto
pertencia à empresa brasileira Galvani, que teve processo de aquisição total pela Yara concluído no ano passado.

As capacidades de produção, somadas as operações das plantas de tratamento mineral e química, serão de 1,2 milhão de t/ano de concentrado fosfático; 1 milhão de t/
ano de ácido sulfúrico; 250 mil t/ano de ácido fosfórico e 900 mil t/ano de fertilizantes granulados.

A expectativa é que até o final de 2019 seja concluída a planta química no complexo. A partir disso, a planta estará em condições de iniciar o processo de pré-operação para
ingressar em operação assistida e, em seguida, começar a operação comercial.

De acordo com Gustavo Horbach, diretor de Projetos da Yara, a operação deve começar no primeiro trimestre de 2020, com ramp up até 2021. Ele explica que o complexo irá atender o setor agrícola que tem alta taxa de importação de fertilizantes.

“O país diminuirá essa dependência”, afirma.

Os principais equipamentos que estão sendo instalados na fase 2 do complexo, chamada de química, envolvem moinhos, peneiras, trocadores de calor, tanques, reatores,
torres de absorção, torres de lavagem de gases, torres de resfriamento, granuladores, secadores, fornalhas, transportadores de correia, bombas de polpa/água/vácuo,
ciclones, tubos geradores e caldeiras.

O engenheiro explica que os equipamentos mais complexos se destinam à produção de ácido fosfórico porque exigem revestimento de vários tipos.

“Para se ter uma ideia de como os trabalhos na fase 2 são desafiadores, a fase 1, de beneficiamento, consumiu 700 t de tubulação. Agora, na fase 2, são 3 mil t de tubulação”, conta.

Atualmente, a área de produção está em fase de montagem, com quatro vezes mais equipamentos do que na planta de beneficiamento mineral. O pico das obras ocorre
em agosto próximo, com 3.800 colaboradores.

Há dois galpões (180 mil t/cada) voltados especialmente ao armazenamento de fertilizantes granulados. Eles são construídos com tecnologia própria e utilizam toras de eucalipto tratado e pré-tensionadas, sobre pilares de concreto.

Esse sistema amplia os vãos e a altura para proporcionar sustentabilidade, economia e rapidez na construção. É uma solução inovadora desenvolvida com maior espaçamento, para proteger as peças e garantir uma manutenção simplificada das juntas e encaixes galvanizados com a própria madeira.

Já a construção de um dos silos, feito em concreto armado em formato cônico e com 30 m de profundidade, tem boa parte do seu volume sob o nível do solo.

O sistema permitirá uma operação totalmente automatizada, com um único ponto de carga e descarga operado por sensores de nível. O material entrará pela parte superior, em tubos flauta para evitar a segregação, e sairá pelo fundo, em uma correia transportadora confinada em túnel enterrado de concreto armado. A solução, além de otimizar a operação, garante estocagem confiável e segura para o concentrado fosfático.

Colunas de flotação da planta de beneficiamento
As escavações na lavra ocorrem sem desmonte com explosivos

LAVRA

Na mina, a jazida tem estimados 25 anos inicialmente de vida. O P2O5 (princípio ativo do fosfato) extraído do mineral apatita tem teor de 4,7%, mas quando concentrado no beneficiamento este índice vai a 33%, explica Gustavo Horbach.

Na lavra, a rocha é friável, o que não exige desmonte com explosivos. Escavadeiras fazem diretamente a escavação da rocha. Há cerca de 3 m de estéril até o minério.

Cinco caminhões articulados da Volvo de 30 t e 13 caminhões da Mercedes-Benz de 35 t fazem o transporte do material. O ROM hoje na mina gira em torno de 3 milhões/
t, mas a previsão é que alcance a capacidade total de 12 milhões/t até 2021. A britagem primária é na lavra e um transportador de correia de 2 km leva o minério do local à área de empilhamento, ao lado da planta de beneficiamento.

Na fase 1, de mineração e já em operação, destaca-se como principais equipamentos: britadores, máquinas de pátio e correias, moinhos, bombas de polpa, bombas de água, bomba de vácuo, hidrociclones, colunas de flotação, separadores magnéticos, espessador, filtro esteira e filtro prensa.

O processamento da rocha fosfórica está sendo feita hoje na planta industrial da Yara em Paulínia (SP), mas quando a planta química estiver pronta no complexo em
Serra do Salitre, parte da rocha fosfática será processada no local.

BARRAGENS
O Complexo Minero-Industrial de Serra do Salitre possui três barragens, sendo duas de água (Jacu e Sabão 2) e uma de rejeitos (Sabão 1). A barragem de rejeito tem 40 m
de crista, e um alteamento a jusante de 10 m está sendo realizado. A água retida nessa estrutura é reaproveitada no processo. Gustavo ressalta que o grupo norueguês tem duras regras de compliance e as obras da barragem são fiscalizadas rigorosamente.

A barragem Jacu pode receber um total de 2,4 milhões de m³ de água e a Sabão 2 tem capacidade de 0,5 milhões de m³ de água. A barragem Sabão 1, de rejeitos e construída com argila e dreno sobre o terreno original, tem como capacidade de cota já licenciada 25 milhões de m³.

As duas barragens de água atenderão principalmente a produção de ácido fosfórico e ácido sulfúrico.

Uma subestação principal com entrada de alta tensão com 138 MvA atende o complexo e sua dimensão já dá ideia da escala da planta.

Quando a unidade estiver em plena operação, mais de 1,2 mil trabalhadores atuarão no local, entre próprios e contratados. A empresa pretende ter boa parte da mão de
obra de operação proveniente dos municípios mineiros de influência do complexo, que são Serra do Salitre, Patrocínio e Cruzeiro da Fortaleza – inclusive, a mão de obra já está sendo treinada.

Silos construídos com seu volume dentro do solo

Um comentário em “Yara conclui planta química até dezembro em Serra do Salitre (MG)

  • 1 de agosto de 2019 em 14:07
    Permalink

    Mérito da Família Galvani.

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