Vale e Xstrata: Os detalhes da oferta de US$ 76 bilhões rejeitada

A Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce), maior produtora mundial de minério de ferro, teve sua proposta de aquisição de US$ 76 bilhões recusada pela mineradora suíça Xstrata plc. A movimentação, reportada originalmente pelo Financial Times, representaria uma das maiores fusões da história do setor de commodities.

O Impasse sobre o Valor das Ações

O principal motivo da recusa foi o preço oferecido por ativo. A Xstrata, apoiada pela Glencore International AG (que detém 34,45% de participação), considerou a oferta insuficiente.

  • Oferta da Vale: Aproximadamente £ 40 por ação.
  • Expectativa da Xstrata: O conselho e os acionistas majoritários aguardavam propostas na casa das £ 45 por ação.

A Glencore desempenhou um papel crucial na decisão, sinalizando que a proposta em ações não refletia o valor real de mercado e o potencial de crescimento da companhia suíça naquele momento.


O Que Estava em Jogo: A Liderança Global da Mineração

Se a transação fosse concretizada, o cenário da mineração global sofreria uma transformação radical. Confira os principais impactos:

  • Vale vs. BHP Billiton: Com a aquisição, a Vale ultrapassaria a BHP Billiton, tornando-se a maior mineradora do mundo em valor de mercado e volume de produção.
  • Diversificação de Portfólio: Atualmente focada em minério de ferro e níquel, a Vale passaria a controlar ativos estratégicos de cobre, carvão e zinco da Xstrata.
  • Consolidação de Mercado: A fusão criaria um gigante com escala sem precedentes, aumentando o poder de negociação da Vale frente às siderúrgicas mundiais, especialmente na Ásia.

Nota Histórica: Esse movimento da Vale demonstrou a agressividade das empresas brasileiras no mercado internacional durante o “boom das commodities”, buscando reduzir a dependência exclusiva do minério de ferro através da diversificação mineral.