‘Depósitos de terras raras bons são aqueles de baixo custo’, diz associação

‘Depósitos de terras raras bons são aqueles de baixo custo’, diz associação

Klaus Petersen, membro da Associação de Minerais Críticos (AMC) e Country Manager da Viridis Mining and Minerals, diz que o Brasil tem muitos depósitos de terras raras e o problema maior não é encontrá-lo, mas explorá-lo de forma sustentável.

“O problema está em dissolvê-lo. Isso é custo. Se acha terras raras em muitos locais (no país), mas a extração é raramente viável economicamente”, disse ele durante o painel “Terras Raras: Oportunidades e Desafios para o Brasil”, realizado no dia 9 de setembro, durante o congresso da ABM Week, em São Paulo (SP). 

O executivo explica que terras raras são encontradas em rocha cura e argila iônica. “Os depósitos mais conhecidos, particularmente no Brasil, são de rocha dura”, afirmou. Com isso, ele explica, precisa-se processar a rocha, britá-la, moê-la e dissolver com ácido os minerais com calor para extrair os elementos químicos de terras raras. 

“No caso de argila iônica se tem uma série de vantagens, já que não precisa britar, moer, usar ácido e calor. Tem-se um custo reduzido e competitivo”, afirmou. Ele lembrou que o único projeto em operação no Brasil de terras raras, o de Serra Verde, em Goiás, os elementos são extraídos de argila iônica.

O projeto da Viridis também explorará terras raras a partir da argila iônica, assim como o da Meteoric – ambos na região de Poços de Caldas (MG).

“Os depósitos bons de terras raras são aqueles de baixo custo, que sobrevivem a um dumping (preço baixo). Nesse caso, as argilas iônicas funcionam muito bem”, comentou durante sua apresentação no evento.

Inserção na cadeia

Guilherme Abreu, Gerente Geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal Brasil, fez a abertura do painel e comentou que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo (atrás apenas da China), mas precisa definir como quer se inserir na cadeia global dos elementos.

“O debate não é só o fato de termos o minério no solo, mas o que vamos fazer na superfície com ele”, disse.

“China tem a maiores reservas de terras raras do mundo e é o único ator plenamente integrado, reunindo ao mesmo tempo reserva, escala, separação, refino, manufatura e coordenação estratégica”, relatou.

Outros mercados, como Estados Unidos, União Europeia, Índia e Canadá, segundo ele, estão avançando no processo e nas regulamentações necessárias para explorar terras raras.

“No Brasil, o marco foi a aprovação da Política Nacional dos Minerais Críticos e Estratégicos. trazendo instrumentais legais para fomentar a pesquisa, extração e transformação”, comentou.

“Isso foi passo importante, mas tem desafios. A competividade depende não só da mineração em si, mas de tecnologia, financiamento, regulação, parcerias e sustentabilidade”, complementou.

Flávio Moraes da Mota, chefe do Departamento de Indústrias de Base e Extrativa do BNDES, também participou do painel e explicou que existem desafios em apoiar empresas no segmento de terras raras. 

“Estávamos acostumados a lidar com grandes empresas, com grandes projetos. Agora, o cenário mudou e lidamos com junior companies, que são empresas pré-operacionais, ou seja, não tem balanço, nem operação e receita”, explica.

“Lançamos uma chamada pública de mercado, para que as empresas apresentassem seus planos de negócios relacionados à transformação mineral, não apenas na mineração, mas também de transformação, passando pelo desenvolvimento de materiais estratégicos até os seus produtos manufaturados”, conta Flávio.

De acordo com o executivo, 56 planos de negócio foram recebidos e 12 destes estão em fase avançada. O total de investimento requisitado pelos planos em fase avançada é de R$ 9 bilhões em financiamento.