Estudo abre a possibilidade de se reprocessar rejeitos em Paracatu

Resultados de testes realizados pela Kinross e consultorias internacionais mostram um grande potencial em reprocessar o ouro dosdepósitos de rejeito

De autoria de Thiago Tolentino silva, Pedro Alves Fenelon, Getúlio Gomes de Oliveira Júnior e Alair Agripino de Jesus, Kevin Peacocke, Martin Coniber, o trabalho “Reprocessamento de rejeitos de lixiviação de ouro retirados de depósitos em Paracatu” foi um dos contemplados pelo 18° Prêmio de Excelência da Indústria Minero-metalúrgica Brasileira da revista Minérios & Minerales. O projeto objetivou estudar a viabilidade do reprocessamento de ouro dos rejeitos presentes nos depósitos da Kinross, em Paracatu (MG).

Para isso, foram feitos testes de lixiviação com uma etapa de pré-aeração, seguidos de 24h de lixiviação para estabelecer o potencial de recuperação do ouro. Os parâmetros analisados foram adição de cal hidratada e soda cáustica como modificadores de pH, além de diferentes concentrações de cianeto durante a lixiviação. Como forma de validação dos testes, os procedimentos foram seguidos em dois diferentes laboratórios (laboratório interno da Kinross e laboratório da Peacocke & Simpson, no Zimbábue). A agitação intensiva foi avaliada para se obter maiores eficiências, focando também no potencial de degradação de carvão durante a extração do ouro.

A área de hidrometalurgia da mina consiste em dois circuitos de lixiviação que trabalham em paralelo. Combinados, a geração de rejeito é de, aproximadamente, 150 t/h. O rejeito da lixiviação da mineradora possui um material com alto teor de enxofre, ferro e arsênio. Nesses depósitos também se encontram elevadas concentrações de ouro, como já informado previamente, e prata.

Algumas áreas da mina processadas nos últimos seis anos possuíam alta quantidade de carbono orgânico, responsáveis pelo chamado efeito preg-robbing. Esse efeito consiste na adsorção preferencial do ouro já solubilizado pelo carbono orgânico presente no minério. Dependendo da atividade desse material carbonoso, o complexo cianídrico de ouro não é adsorvido pelo carvão ativado, mas sim para o próprio minério.

Para que o ouro seja novamente lixiviado no rejeito da lixiviação, pré-tratamentos devem ser feitos, como pré-aeração para oxidação de sulfetos, além de correção de pH com soda cáustica e/ou cal hidratada. Testes foram realizados externamente, em laboratório no Zimbábue (Peacocke & Simpson), e reproduzidos no laboratório metalúrgico da Kinross em Paracatu.

Devido às diferenças de resultados entre Kinross e Peacocke & Simpson, principalmente relacionados à baixa adsorção e extração em alguns testes, alguns outros passos serão realizados antes da finalização do estudo. Após testes de laboratório, testes industriais serão realizados utilizando uma planta piloto, que processará uma maior quantidade de minério de forma continua, obtendo assim resultados mais representativos. Baseado nos trabalhos experimentais realizados em Paracatu e Peacocke & Simpson, é possível identificar um potencial ganho com o reprocessamento dos rejeitos de ouro estocados nos tanques específicos em Paracatu.

Criando uma elevada taxa de oxidação, além de acelerada cinética, favorecida pela alta agitação, é possível afirmar que grande parte do ouro contido nos tanques específicos é recuperável. Os resultados dos testes mostram discrepâncias que serão estudadas mais profundamente entre Kinross e APT, visando igualar os resultados. Isso será feito através do uso dos mesmos equipamentos par realização dos testes.

O ponto negativo da intensa agitação fornecida à polpa foi a alta degradação do carvão ativado, o que poderia causar uma queda de eficiência do circuito após determinado período. Por outro lado, a agitação da polpa no teste em laboratório foi extrema e maior do que as obtidas em circuitos normais de lixiviação. Os resultados apresentados mostram um grande potencial em reprocessar o ouro dos depósitos de rejeito de lixiviação da região de Paracatu.

Conheça os autores do projeto

Thiago Tolentino Silva, engenheiro de Processos.Graduado em Engenharia Metalúrgica pela UFMG, trabalhou como engenheiro de processos desde Jan/14 na Kinross, com foco em hidrometalurgia e fundição. Atualmente trabalha no departamento de operações estratégicas, sendo responsável pelo desenvolvimento de projetos e aumento de recuperação e eficiência das Plantas.

Pedro Alves Fenelon, engenheiro de Processos. Graduado em Engenharia Metalúrgica pela UFMG, trabalha como engenheiro de processos, no departamento de operações estratégicas, na Kinross – Paracatu. Focado em desenvolvimento e gestão de projetos e reprocessamento de rejeitos. Experiência passada como engenheiro de processos na Usiminas Mineração.

Getúlio Gomes de Oliveira Júnior, gerente de Desenvolvimento Tecnológico. Graduado em Engenharia de Minas pela UFOP, trabalha como Gerente de Desenvolvimento Tecnológico na Kinross Paracatu.

Alair Agripino de Jesus, engenheiro de Processos – Graduado em Engenharia de Minas pela FINOM (Faculdade do Noroeste de Minas), trabalha como engenheiro de processos, no departamento de desenvolvimento tecnológico, na Kinross – Paracatu.

Kevin Peacocke, Sócio Peacocke&Simpson . Especialista em soluções para a área de processamento mineral e um dos responsáveis pela APT Process, no Zimbábue.

Martin Coniber, engenheiro Design de Planta Peacocke&Simpson – Engenheiro responsável por organização de testes industriais e pilotos referentes às rotas de processamento mineral estudadas pela APT Process.

Leia na integra o trabalho “Reprocessamento de rejeitos de lixiviação de ouro retirados de depósitos em Paracatu”.

Fonte: Revista Minérios & Minerales

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