Proteção da caçamba reduz custos

Novas tecnologias prolongam a vida útil do implemento,reduzem o tempo de parada da máquina, além de aumentar a sua versatilidade

Por Marcelo de Valécio

Dados da mais recente pesquisa sobre as 200 Maiores Minas Brasileiras revelam que em 50 minas selecionadas o investimento em manutenção da frota consumiu recursos da ordem de R$ 317,7 milhões em 2014. Para 2015 esse montante atinge, para 41 minas selecionadas, a cifra de aproximadamente R$ 308 milhões. Para se ter ideia da importância desses números, somente a Jacobina Mineração investirá em sua mina R$ 22,3 milhões na manutenção da frota móvel em 2015, montante 10% superior ao realizado no ano passado. A mina Cana Brava receberá investimento de R$ 13,6 milhões para sua frota de máquinas e veículos. Já na mina Buriti, da Votorantim Metais, os recursos para esse tipo de serviço atingirão R$ 11,28 milhões neste ano. Valor semelhante será empregado pela Yamana na Fazenda Brasileiro – R$ 11,26 milhões. A mina Alegria, da Samarco Mineração, programou para 2015 aportes de R$ 8,3 milhões em manutenção de frota móvel e equipamentos de lavra. Já a AngloGold Ashanti prevê gastar R$ 3,4 milhões na manutenção da frota móvel apenas da mina Cuiabá neste ano.

Tendo em vista vultosos aportes necessários para manutenção, equipamentos como caçambas, ponta e bordas instaladas nas máquinas de mineração requerem serviços especializados para sua preservação e conservação. Tais equipamentos apresentam desgaste severo ao longo do tempo, pois têm contato direto com o material carregado. Contudo, há formas de ampliar sua vida útil, eliminando procedimentos incorretos de operação e manutenção e adotando revestimentos adequados, que protegem os componentes. Por exemplo, o fundo, as laterais e as pontas da caçamba são os mais expostos a desgaste, principalmente na operação com materiais abrasivos. Qualquer sinalização de problema, avaliam os técnicos do setor, deve-se enviá-lo para reparo, de forma a evitar problemas maiores e, consequentemente, custos mais elevados. Também os materiais empregados na fabricação da caçamba são fatores importantes a serem observados. “A vida útil de uma caçamba está diretamente relacionada às matérias-primas utilizadas, envolvendo chapas estruturais ou de elevada resistência à abrasão e principalmente aos processos de fabricação aplicados, aliada à formação e experiências dos profissionais envolvidos no processo”, explica Rodnei Pinto, gerente de vendas técnicas da Esco.

De acordo com especialistas, as caçambas, se utilizadas adequadamente e de acordo com as especificações técnicas para as quais foram desenvolvidas, podem ser reparadas várias vezes, desde que não apresente trincas ou torção na base da ancoragem e articulação. Ouro indicador que não recomenda a recuperação da caçamba é quando muitos componentes precisam ser trocados (pontas, borda base, laterais, fundo). Também não se recomenda improvisações, como soldagem de chapas de aço para prevenir desgaste ou remendar avarias. A adoção desses materiais aumenta o peso e enrijece a estrutura, comprometendo a distribuição do esforço de carregamento. Nesses casos, o mais indicado é a troca do equipamento. A forma mais usual de proteção das caçambas utiliza materiais de desgaste e de instalação mecânica. Normalmente, os protetores oferecidos no mercado são verticais reversíveis, que garantem boa proteção dos cantos do equipamento, além de permitirem aplicação segura e sem uso de marreta.

“Com o material usado que tem como característica maior vida útil ao desgaste, o usuário terá uma caçamba de maior vida útil e de menor manutenção, isso pelo fato de usar um material de liga de qualidade, geralmente importada”, salienta Ramiris Beltrame Luciano, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Librelato Implementos Rodoviários. Como tecnologia inovadora, segundo Luciano, há a configuração geométrica diferenciada, que permite um maior escoamento da carga e, ao mesmo tempo, facilita o descarregamento do material durante o basculamento, influenciando diretamente na estabilidade do implemento. Em termos de insumos, o executivo aponta como novidade o aço de liga importada, que possui características mecânicas superiores às nacionais, que oferecem ao implemento resistência, leveza e ganho no processo produtivo. Entre as novidades que a empresa oferece está o semirreboque basculante de 45m³, modelo Eurobras. De acordo com a empresa, essa caixa de carga possui maior durabilidade e resistência ao impacto; melhor desempenho tanto com desgaste por deslizamento quanto por impacto; maior vida útil, resultando em menor custo por parada; e melhor valor de revenda. Sem contar que é um produto mais leve, não comprometendo a estrutura do veículo, possui maior carga útil, com consequente número menor de viagens e maior economia de combustível, com menores emissões de CO², sendo, portanto, mais amigável ao meio ambiente.

Caçambas quando utilizadas de maneira adequada e seguindo as especificações técnicas podem ser reparadas várias vezes

Segundo Rodnei Pinto, a Esco adota os mais modernos procedimentos de fabricação existentes no mercado global, aliado a projetos que permitem a maior movimentação de material por ciclo de carregamento, maximizando o percentual de enchimento da caçamba e minimizando a força operacional do equipamento. “Esses fatores contribuem significativamente para o menor desgaste das bordas e conjuntos de ponta/adaptador, considerando o correto perfil de ponta definido a cada aplicação, de acordo com o modelo do equipamento e sua força operacional”, afirma o executivo. A redução do custo operacional resulta em maior produção horária, diminuição de ciclos de carregamento e menor consumo de peças de desgaste, podendo representar uma economia de até 30%, revela.

Entre as novas tecnologias desenvolvidas pela Esco, destacam-se: pontas e adaptadores – sistemas Ultralok Mining para escavadeiras a cabo e carregadeiras de grande ponte, e Nemisys para escavadeiras hidráulicas de grande porte; revestimentos contra desgaste – chapa bimetálica SHP7000 e chapa SHP8000, as quais possuem processo de fabricação e nova composição química dos revestimentos, que resultam na maior dureza final e maior resistência aos fatores abrasão e principalmente impacto; lábios para carregadeiras – sistema Loadmaster II com adaptadores Toplok, os quais possuem fixação 100% mecânica,
maior praticidade para troca em campo e segurança total no manuseio dos componentes de reposição em campo; e lábios para escavadeiras – sistema Nemisys, mais resistente, eficiente e prático diante a novo perfil e novo conceito de fixação dos componentes, segundo a empresa.

Pontas e adaptadores, com sistemas Ultralok Mining, são as novidades da Esco

Em termos de materiais, as novidades da marca passam pelas chapas bimetálicas SHP7000 e SHP8000, aplicadas em caçambas novas ou reformadas pelo Departamento de Serviços e Reformas da empresa. Tais chapas, depois de fabricadas em unidade fabril específica da Esco, são conformadas segundo aplicação interna ou externa e conforme necessidade do cliente. “Esses novos produtos garantem a maior performance da caçamba e menor ciclo de manutenção. O moderno processo de fabricação e a nova composição química dos revestimentos resultam em maior dureza final, maior resistência aos fatores abrasão e principalmente ao impacto”, afirma Rodnei Pinto.

A Sotreq também apresenta novidades, oferecendo serviços de revestimento de caçambas com aços especiais, desenvolvidos para elevada abrasão e impacto. “Aplicamos as chapas com design adequado para proporcionar a melhor relação de custo por hora operada, mantendo a elevada produtividade do equipamento”, afirma Alexandre Rennó, diretor de operações da Sotreq. A solução completa pode proporcionar, segundo ele, ganho de até 20% de vida útil, “conforme casos de sucesso obtidos por uma grande mineradora na reforma das caçambas das escavadeiras Caterpillar modelos 365 e 390”, revela. “Disponibilizamos aos clientes soluções completas relacionadas aos materiais de desgaste de caçamba. No âmbito das pontas, cantos e entredentes ofertamos os produtos Caterpillar feitos em aço DH2 e DH3, desenvolvidos com qualidade metalúrgica, patenteados e reconhecidos em todo o mundo pela alta performance.” Outro exemplo de sucesso da empresa, segundo Rennó, é a utilização do material DH2, associado ao ferro fundido branco e à base de cromo, aplicado nas proteções laterais (chockbars), protetores inferiores e placas em uma carregadeira de rodas Caterpillar, operando em uma mina de alto impacto e elevada abrasão. “A vida útil da caçamba atingiu cerca de 1.400 horas, representando o dobro de tempo do sistema anterior, gerando um ganho financeiro de aproximadamente 30%”, sustenta.

Cantos e entredentes das caçambas das escavadeiras Caterpillar são feitas em aço DH2 e DH3

Fonte: Revista Minérios & Minerales

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