Com mais de 3 milhões t em recursos minerais, MTR busca licenças para construir mina e planta
O depósito, que no passado foi descoberto por acaso através de pesquisas em busca de urânio, hoje é o maior em recursos estimados de terras raras no Brasil: 3,5 milhões de toneladas de minério com teor médio de 3,95% de óxidos, sendo registrados neodímio, praseodimio, disprósio e térbio, que representam cerca de 90% do valor da cesta de óxidos.
Esse é o projeto Morro do Ferro, da Mineração Terras Raras (MTR), que se destaca como o primeiro em recursos estimados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). O projeto pretende produzir 6.000 toneladas anuais de óxidos.
Morro do Ferro está localizado no centro da grande cratera vulcânica de Poços de Caldas (MG), que foi o foco de estudos geológicos, geofísicos e geoquímicos e que resultaram no seu desenvolvimento. Outro depósito em destaque situado no mesmo município é o projeto Caldeira, da Meteoric Resources.
O depósito Morro do Ferro provém de um Manifesto de Mina de 1946. O nome “Morro do Ferro” deriva da existência de uma abundância de pequenos veios de magnetita, que primeiro chamou a atenção, embora não tenha expressão econômica.
A área foi pesquisada para urânio ainda na década de 60 pelo governo brasileiro em colaboração com os EUA. Não havia urânio, mas encontraram terras raras, que na época não tinha muito valor. O enge-nheiro Resk Frayha, de Poços de Caldas, no entanto, utilizou os dados da pesquisa e fez uma estimativa preliminar de terras raras publicada no Boletim 118 do então Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Este foi o primeiro documento técnico sobre a jazida”, contou Antônio Carlos Menezes, economista e um dos diretores da MTR, em entrevista à revista Minérios & Minerales.
Diferentemente da maioria das empresas de terras raras operando no Brasil, a MTR é uma sociedade anônima de capital fechado e desenvolveu o projeto exclusivamente com capital próprio, não tendo nenhum passivo financeiro. Foi fundada em 2012 por um grupo de especialistas em geologia e mineração com cinquenta anos de experiência no Brasil e no exterior.
Sob a presidência do geólogo Elmer Prata Salomão, ex-diretor geral do DNPM, órgão extinto em 2017 e substituído pela Agência Nacional de Mineração (ANM), a MTR tem como sócios a Prime Star, Santa Luz Participações, Mozart Litwinski, Bocaina Participações e a Empresa de Desenvolvimento em Mineração (EDEM), além de 5% de outros sócios.
O projeto da MTR está em fase de exploração, com licença para minerar e trabalha na obtenção das licenças ambientais para construção da mina e planta. Os levantamentos geológicos, estudos laboratoriais e testes hidrometalúrgicos foram realizados na SGS/Lakefields, Universidade de São Paulo (USP) e Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN). Mais de três mil análises químicas culminaram na identificação de um depósito mineral de alta qualidade com quinze elementos de óxido de terras raras e reservas para uma vida útil da mina de 20 anos. Esses estudos estão descritos em um Relatório Técnico certificado, executado pela RPA, uma empresa independente canadense.
Sobre os investimentos, a MTR não detalhou valores, mas informou que 80% deles estão aplicados em pesquisas, sondagens, análises, consultoria externa e estudos técnicos, além de obras no terreno da jazida e outros. A sondagem rotativa a diamante foi executada pela empresa Geosol e as análises químicas e radiológicas pela SGS/Lakefields, USP e CDTN.


