Com aporte de quase R$ 2 bilhões, St. George projeta nova fronteira para nióbio e terras raras em Araxá

Com aporte de quase R$ 2 bilhões, St. George projeta nova fronteira para nióbio e terras raras em Araxá

Reforçando sua posição como epicentro global de minerais críticos, Araxá (MG) se destaca com o avanço do projeto da australiana St. George Mining. A companhia confirmou planos de investir até US$ 350 milhões – aproximadamente R$ 1,94 bilhão na cotação atual – para desenvolver um ativo de alta relevância estratégica que combina nióbio e terras raras.

A iniciativa coloca a empresa no mesmo território de operação da gigante CBMM, mas com uma estratégia voltada à diversificação da cadeia global de suprimentos e à verticalização industrial. A decisão de investir no Brasil foi impulsionada pela volatilidade do mercado de lítio e níquel na Austrália. Em busca de ativos com maior previsibilidade e teores elevados, a St. George adquiriu o projeto Araxá da Itapol, transformando-o em sua prioridade mundial.

Segundo Thiago Amaral, diretor executivo da St. George no Brasil, o projeto preenche uma lacuna essencial no portfólio da mineradora, permitindo a transição da exploração para o desenvolvimento e futura produção.

Atualmente, o projeto possui recursos minerais comprovados de 41,2 milhões de toneladas de nióbio e 40,6 milhões de toneladas de terras raras, baseados em explorações históricas que cobriam apenas 10% da área de concessão.

Para validar e ampliar esse volume, a mineradora executa um programa intensivo de 10 mil metros de sondagem. O objetivo é aumentar não apenas a quantidade total, mas o nível de certeza geológica das reservas.

“Sabemos que vão ser mais (recursos mi-nerais), só não podemos falar o número porque precisamos terminar os modelamentos geológicos”, explica o executivo.

O aporte de quase R$ 2 bilhões será executado de forma escalonada. Nesta fase inicial, a empresa aplica cerca de R$ 20 milhões em campanhas de exploração. O próximo marco será a implantação de uma planta-piloto, com investimento de US$ 25 milhões e previsão de conclusão para o fim de 2026, em parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET).

O modelo de negócios do Projeto Araxá tem como diferencial a produção robusta de nióbio, mineral que servirá como pilar de estabilidade financeira. A estimativa inicial de produção é de 20 mil toneladas por ano. Desse total, a companhia projeta 5 mil toneladas anuais de nióbio e 15 mil toneladas anuais de terras raras.

“A partir do fim de 2026, com a planta-piloto, começamos a fazer uma extração em volume menor. Porém, os investimentos maiores começam em 2027 para a implantação da planta industrial, com previsão de início de operação em 2029”, afirma Amaral.

Portfólio da St. George Mining
A St. George Mining mantém uma estrutura diversificada entre
o Brasil e a Austrália, focando em metais essenciais para a transição
energética:

  • Projeto Araxá (Brasil):
    Ativo principal, com teores excepcionais de Nióbio (Nb) e Elementos
    de Terras Raras (REE).
  • Projeto Mt Alexander (Austrália):
    Foco em Níquel (Ni), Cobre (Cu), Platina (PGE) e Lítio (Li).
  • Projeto Ajana (Austrália):
    Focado em Zinco (Zn), Chumbo (Pb) e Prata (Ag).
  • Projeto Destiny (Austrália):
    Extração de terras raras em argilas iônicas (saprolíticas).
  • Projeto Broadview (Austrália):
    Exploração de Cobre, Níquel e PGE.
  • Projeto Paterson (Austrália):
    Busca sistemas de Cobre (Cu) e Ouro (Au).

TECNOLOGIA E IMPACTO LOCAL

Diferente de outros projetos globais que dependem do domínio tecnológico chinês, a St. George aposta no processamento da monazita, um mineral cujas rotas de beneficiamento já são conhecidas fora da Ásia. A mineradora busca completar toda a cadeia produtiva, produzindo óxidos de alto teor para posterior separação e metalização. Para isso, mantém cooperações técnicas com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai – projeto MagBras), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) e empresas estrangeiras como a AET Alliance.

No campo ambiental, o projeto planeja mitigar a geração de rejeitos através do alto teor do minério – quase 5% de terras raras e 0,7% de nióbio – e da implementação de sistemas de recuperação de água. A gestão destaca o compromisso com a comunidade de Araxá, adotando uma política de preferência por fornecedores locais.

“Nossa presença e proximidade trazem uma responsabilidade muito grande. A responsabilidade das ações do projeto é cobrada até no almoço de domingo com a família”, brinca Amaral.

SOBRE A ST. GEORGE MINING

A St George Mining Limited é uma mineradora australiana de capital aberto (ASX: SGQ; FSE: SOG), fundada por John Prineas, executivo com mais de 25 anos de experiência internacional em mineração e finanças. Recentemente, a empresa recebeu um aporte estratégico da Hancock Prospecting, um dos maiores grupos financeiros da Austrália, fortalecendo o capital para a operação em Minas Gerais.

O projeto no Brasil é conduzido por uma equipe 100% local. Além de Thiago Amaral, a diretoria de operações é ocupada pelo engenheiro de minas Adriano Rios, com histórico na gerência da Comipa e liderança em joint ventures de processamento mineral. A estrutura de acompanhamento estratégico conta ainda com o advogado e ex-ministro Adolfo Sacha, no conselho consultivo, e com Marina Spínola, diretora da Fundação Dom Cabral, com foco em sustentabilidade e práticas de ESG.

COMPROMISSO SOCIOAMBIENTAL

A viabilização do Projeto Araxá está amparada por parcerias estratégicas que visam integrar a operação ao ecossistema de inovação e desenvolvimento de Minas Gerais. Entre as principais iniciativas, destaca-se o Memorando de Entendimento firmado com a Invest Minas, do Governo do Estado, que prevê a consolidação dos investimentos de R$ 2 bilhões em solo mineiro. No campo da pesquisa e formação técnica, a St. George mantém cooperação com o CIT SENAI + ITR, voltada à inovação industrial em terras raras, além de um convênio com o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) para o desenvolvimento de tecnologias aplicadas e capacitação especializada.

No âmbito social, a empresa busca criar um legado positivo no território por meio do edital ASA (Ação Socioambiental Araxá). A iniciativa selecionou projetos locais e deu origem à Rede ASA, uma articulação dedicada ao fortalecimento comunitário e ao apoio a causas de impacto social. Essas ações reforçam a governança da companhia, que alia o rigor técnico da mineração à responsabilidade com o desenvolvimento humano e a preservação ambiental na região.