China lidera transição energética com geração, minerais críticos e veículos elétricos
China aumentou em 74% a geração de eletricidade, entre 2014 e 2024. A expansão é bem superior à registrada nos Estados Unidos, a segunda colocada no mundo para esse item, que foi de apenas 6%. Os dados são da Visual Capitalist.
A demanda global por eletricidade está acelerando impulsionada pela eletrificação – principalmente no setor de transportes – e avanço de data centers de inteligência artificial.
Em 2014, a China gerou aproximadamente 5.795 TWh de eletricidade. Em 2024, esse número saltou para 10.087 TWh. No mesmo período, a geração de energia dos EUA aumentou de 4.363 TWh para 4.635 TWh.
A Índia, a terceira colocada, a geração de eletricidade atingida em 2024 foi de 1.258 TWh, seguida pela Rússia, com 1.064 TWh, e Japão, com 1.062 TWh.
O estudo da Visual Capitalist ressalta o resultado de geração elétrica na Índia, cujo desempenho reflete sua expansão econômica e o aumento da demanda por energia proveniente de uma classe média em crescimento.
Minerais críticos
Os minerais críticos, recursos minerais essenciais para tecnologias modernas e transição energética, englobando elementos como lítio, terras raras, cobalto, cobre, níquel e grafite, têm alta concentração no mundo, aponta levantamento da Visual Capitalist.
Tais elementos são vitais para baterias de carros elétricos, painéis solares e eletrônicos, produtos-chave de substituição de combustíveis fósseis para fontes renováveis.
A China é um grande detentor de reservas de todos os minerais críticos, com previsão de possuir a maior quota (60%) no fornecimento global de minerais críticos refinados até 2030. O Brasil, de acordo com o estudo, é um grande detentor de reservas de dois grupos de minerais: terras raras e grafita.
Ainda segundo o documento da Visual Capitalist, a China dominará o futuro do refino de minerais crítico, reduzindo custos. O níquel é o único mineral crítico em que a China não está no topo de controle de reservas. A Indonésia deterá mais de 71,24% do níquel refinado, alavancando suas grandes reservas de minério e expandindo refinarias de baixo custo.
Já o refino de cobre é relativamente diversificado no mundo. A China detém 44,63% das reservas, mas 40,99% da capacidade está espalhada em diferentes países. Os EUA se destacam no setor de terras raras, com 5,14%, enquanto a Finlândia e o Canadá registram participações significativas no setor de cobalto, com 5,87% e 5,73%, respectivamente.
Veículos elétricos
Enquanto isso, os veículos elétricos já ocupam mercado no mundo, com o veículo elétrico chinês se popularizando.
Em 2025, 89,9% de todos os veículos elétricos a bateria vendidos no México foram fabricados na China, um aumento acentuado em relação aos 28,3% alcançados em 2023. Em termos de volume, as vendas de veículos elétricos fabricados na China saltaram de 3.145 unidades, em 2023, para 53.742, em 2025, informa a Visual Capitalist.
A Indonésia apresenta uma trajetória semelhante. Os veículos elétricos a bateria chineses representavam apenas 3,2% das vendas em 2023, mas esse número saltou para 61,6% em 2025. O volume de vendas subiu de 543 veículos para 64.252 no mesmo período, evidenciando a rapidez com que as marcas chinesas se expandiram em mercados emergentes.
No Reino Unido, este índice chega a 26%. Vários mercados europeus — incluindo Espanha (35,9%), Portugal (30,8%) e Itália (37%) — também apresentam penetração significativa.
Somente no Reino Unido, as vendas de veículos elétricos a bateria fabricados na China atingiram 129.069 unidades em 2025, tornando o país o maior mercado externo em volume.
A Austrália se destaca ainda mais, com marcas chinesas respondendo por 79,5% das vendas de carros elétricos chineses em 2025.
Apesar do domínio da China na fabricação global de veículos elétricos, o mercado americano permanece amplamente fechado para os veículos fabricados pelos chineses.
Em 2025, eles representaram apenas 0,5% das vendas de veículos elétricos nos EUA, ou 6.070 veículos. Políticas comerciais, tarifas e tensões geopolíticas têm limitado o acesso das montadoras chinesas ao mercado americano, ressalta a Visual Capitalist.
Para o seu mercado interno, a China vendeu quase 8 milhões de veículos elétricos fabricados no país em 2025.
Outro dado interessante da Visual Capitalist é a relação de países líderes em densidade de carregadores para veículos elétricos. A Holanda lidera globalmente nesse item, com cinco veículos elétricos por carregador público.
O fato é que a medida que a adoção de veículos elétricos se acelera, a necessidade de infraestrutura de carregamento vai se tornando um gargalo crítico.
A China se destaca pela implantação de carregadores rápidos (aqueles que se gasta menos tempo para carregar um veículo elétrico), que já representam quase metade de sua rede pública.
Apesar da alta densidade de carregadores elétricos, a Holanda tem baixa participação de carregadores rápido – apenas 3% da rede, com previsão e chegar a 5% em 2030. Vários países europeus têm aproximadamente 10 a 13 veículos elétricos por carregador público; e os EUA estão bem atrás, com 31 veículos elétricos por carregador público.
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Fabricante chinesa de transporte ferroviário, CRRC, se instala em
Araraquara (SP)
A CRRC assumiu em março unidade industrial que era da Hyundai Rotem (braço ferroviário da marca coreana) em Araraquara (SP). No local, a fabricante chinesa de transporte ferroviário fabricará material rodante.
A Trem Intercidades (TIC Trens), que vai ligar a São Paulo a Campinas por linha férrea, oferecendo um serviço expresso entre o terminal da Barra Funda, Jundiaí e Campinas, é um consórcio formado pelo Grupo Comporte (holding brasileira de empresas de transporte rodoviário e urbano de passageiros, cargas e turismo) e a CRRC. As obras da linha, inclusive, começaram em março.
Além do trem rápido entre São Paulo e Campinas, a TIC Trens assumiu o trem metropolitano (TIM) para conectar Jundiaí a Campinas, com paradas em Valinhos, Vinhedo, Louveira e Jundiaí, e a atual linha 7-rubi da CPTM, que já faz a ligação entre Barra Funda e Jundiaí, com 17 estações.
A CRRC foi fornecedora de trens para a linha ferroviária de passageiros da Vale entre Minas Gerais e Espírito Santo. Além da fabricação de trens para o projeto de ligação São Paulo-Campinas, a chinesa fará entregas para a expansão da Linha 2 do metrô de São Paulo, entre a Vila Prudente e a Penha – obra esta que já tem 60% de avanço.



