Lithium Ionic prevê iniciar obras do Projeto Bandeira ainda em 2026

Lithium Ionic prevê iniciar obras do Projeto Bandeira ainda em 2026

Contando já com parecer técnico favorável do órgão ambiental de Minas Gerais, a Lithium Ionic informou à revista Minérios & Minerales que o processo de licenciamento ambiental do Projeto Bandeira, situado em Itinga e Araçuaí, MG, no Vale do Lítio, aguarda apenas o cumprimento das etapas administrativas finais para sua conclusão, no âmbito da Licença Ambiental Concomitante (LAC), e que a expectativa da empresa é de emissão da licença no curto prazo, seguindo o cronograma de previsão do início das obras ainda em 2026. O Bandeira visa a produção de espodumênio de alta qualidade.

Já o Projeto Baixa Grande, um depósito de lítio em Salinas (MG), permanece em fase de exploração e avaliação geológica, com foco nas campanhas de pesquisa mineral e na ampliação da base de recursos. O projeto ainda não ingressou na fase de licenciamento ambiental, posicionando-se como um ativo ainda em estágio pré-viabilidade.

No final de 2025, a Lithium Ionic divulgou que foi constatado um crescimento na estimativa de recursos minerais de ambos os projetos.

sendo de 30% na Mina Bandeira, e 11,3% no Projeto Baixa Grande. Segundo a mineradora, o aumento dos recursos minerais incorporado ao Estudo de Viabilidade (FS) do Bandeira resultou em mudanças relevantes no planejamento técnico e econômico do empreendimento. A ampliação da base de recursos permitiu a otimização do plano de lavra e a extensão da vida útil da mina (LOM) de cerca de 14 anos para aproximadamente 18,5 anos, mantendo uma taxa média de produção de 1,3 Mt/ano de ROM. Essa reconfiguração contribuiu para maior eficiência operacional e diluição de riscos ao longo do tempo, além de suportar uma redução e maior racionalização do CAPEX inicial, estimado no FS em cerca de US$ 191 milhões (AACE Classe 3), refletindo ganhos de escala, otimização de infraestrutura e melhor sequenciamento das fases de implantação.

“Embora sem impacto imediato no escopo do FS do Bandeira, o incremento de recursos em Salinas reforça o elevado potencial do distrito e amplia as opções estratégicas da companhia para expansões futuras, sinergias operacionais e aumento de produção. Em conjunto, os avanços em Bandeira e Salinas fortalecem a posição competitiva da Lithium Ionic e evidenciam seu potencial para se consolidar como um player relevante no mercado global de lítio, em um contexto de crescente demanda por minerais críticos para a transição energética”, enfatizou Renato Costa, diretor de Engenharia da Lithium Ionic.

CONTRATAÇÕES E PARCERIAS PARA O PROJETO

Durante o desenvolvimento do Estudo de Viabilidade do Bandeira, a Lithium Ionic contratou empresas reconhecidas e adotou soluções consolidadas na indústria de lítio. A empresa RTEK, com experiência em engenharia de minas e processamento mineral, incluindo projetos implantados no Brasil e na África do Sul, foi responsável pelos estudos de engenharia de processo, pela definição e validação do fluxograma de concentração por DMS e pela condução de testes metalúrgicos em escala adequada, que embasaram de forma técnica e independente as decisões incorporadas ao FS. A Promon Engenharia, por sua vez, desenvolveu a engenharia básica e detalhada, com foco na otimização de CAPEX e OPEX, assegurando aderência a padrões internacionais de engenharia, previsibilidade de custos e viabilidade de implantação.

Em paralelo, a Lithium Ionic está avaliando, de forma estruturada, uma solução tecnológica para o tratamento dos finos do DMS visando incrementar a recuperação metalúrgica, ampliar a produção de concentrado e reduzir custos operacionais, com ganhos adicionais em eficiência e sustentabilidade.

Até o momento, o Projeto Bandeira contou com a mobilização de equipes multidisciplinares próprias e de empresas contratadas, incluindo geólogos, engenheiros, técnicos e consultores especializados, alocados de acordo com a evolução das campanhas de pesquisa, testes metalúrgicos e estudos de engenharia. De acordo com a companhia, durante este período, 60 profissionais próprios atuaram no Projeto Bandeira.

Uma vez concluído o licenciamento, estima-se que as obras durem no máximo 18 meses com previsão de contratação de até 1100 trabalhadores no pico de obras.

CAPEX DE US& 191 MILHÕES

No estudo de viabilidade atualizado, a Lithium Ionic divulgou que concluiu uma redução do CAPEX do Projeto Bandeira para aproximadamente US$ 191 milhões, cerca de 28% inferior ao estudo de viabilidade anterior, resultado de otimizações técnicas e de engenharia incorporadas no novo planejamento do projeto. Segundo a companhia, atribui-se à otimização do layout da planta, com redução da área industrial (“footprint”) total, a simplificação do circuito de processamento mineral e a redução de cerca de 50% na extensão das correias transportadoras.

Adicionalmente, a adoção do conceito de construção modular, com montagem da planta em módulos, permitiu reduzir significativamente o tempo e os custos de montagem eletromecânica, além de aumentar a eficiência na execução do projeto.

Os investimentos totais do Projeto Bandeira, que já consumiu R$ 200 milhões com a pesquisa, avaliação de reservas e estudos de viabilidade, permanecem concentrados na implantação da planta de beneficiamento, infraestrutura de mina, sistemas de energia e água, estruturas de disposição de rejeitos e instalações auxiliares.

No Projeto Baixa Grande, os investimentos realizados até o momento somam aproximadamente R$ 55 milhões, direcionados majoritariamente à pesquisa mineral, incluindo sondagens, estudos geológicos e geotécnicos, análises laboratoriais e demais estudos técnicos necessários para a avaliação e consolidação do potencial do depósito.