Gestão de risco ergonômico na jornada de trabalho noturno

Giovanny Laporte de Oliveira¹
Erik Rimenes Celestino²
Cristiane Ribeiro Coelho³

RESUMO

Um dos principais fatores causadores da fadiga, a privação ou má qualidade de sono, que contribui para a desatenção ou a falta de concentração de um profissional e podem ocasionar prejuízos humanos e materiais imensuráveis. O presente trabalho teve como objetivo abordar as etapas para a implantação do Programa de Gestão de Estresse e Fadiga, utilizando para esse fim o estudo de caso do colaborador J.R.C vitima de acidente laboral devido a fadiga. No decorrer da implantação do programa os processos foram aperfeiçoados, contado com o apoio de profissionais das áreas de medicina e segurança do trabalho, recursos humanos, psicologia e o serviço de assistência social. De início o programa era destinado somente para os trabalhadores do turno noturno, posteriormente verificou-se a necessidade de estende-lo para os outros turnos. Ao todo desde a sua implantação, o PGEF já atendeu 140 colaboradores, dos quais 07 colaboradores tiveram adequação do turno, 53 colaboradores apresentaram uma má qualidade do sono e atualmente encontram-se em uma boa evolução quando comparado ao seu estado ao iniciar a participação no programa.

1 INTRODUÇÃO

O estresse laboral pode ser compreendido como um fenômeno subjetivo que se expressa através do reconhecimento das pessoas a respeito de sua inabilidade de lidar com as demandas das situações de trabalho. O Estresse, aliado a outros fatores internos ou externos, se torna capaz de produzir uma série de consequências onerosas e debilitantes, afetando tanto os colaboradores quanto as organizações. Diversos aspectos psicossociais e organizacionais do trabalho vêm sendo associados com uma grande variedade de efeitos adversos relacionados a saúde dos trabalhadores, onde se pode considerar os problemas cardiovasculares, transtornos mentais, lesões musculoesqueléticas e a fadiga (MEDEIROS NETO et al., 2012).

Dentro desde contexto, a fadiga e a ansiedade estão relacionadas as consequências e alterações fisiologias e psicológicas mais comumente relacionadas ao estresse ocupacional em trabalhadores. Essas consequências podem variar entre os indivíduos conforme o gênero, o tipo do trabalho e as características individuais.

A fadiga muscular pode ser definida como a incapacidade na manutenção de um nível esperado de força, tem sido amplamente investigada nas áreas laborais. Compreender os mecanismos que envolvem a regulação da contração muscular sob condições de fadiga é de fundamental importância, na medida em que é desencadeada por uma série de fatores, tais como o tipo de músculo envolvido, duração da contração, nível de sobrecarga e tipo de tarefa executada (GARCIA e MAGALHÃES, 2004).

Autores como Oliniski, Rothbarth, Ulbrich & Felibino (2005), ressaltam que o ambiente de trabalho apresenta-se como um local naturalmente gerador de fadiga e estresse atuando como mobilizados de emoções de seus trabalhadores. As atividades laborais realizadas em turnos alternados, jornada de trabalho extensa, risco químico, biológico e físico, necessidade de atenção constante, elevado nível de complexidade para o desenvolvimento das ações, a própria natureza do trabalho e o fato de lidar com o sofrimento, dor e morte são fatores agressores à saúde e ao bem-estar dos profissionais e podem deixá-los suscetíveis à fadiga decorrente do trabalho.

O estresse ocupacional apresenta origem nas atividades laborais, o que acaba constituindo um conjunto de atividades preenchidas de valores, intencionalidades,
comportamentos e representações. Através do trabalho o indivíduo pode adquirir crescimento, transformação, reconhecimento e independência pessoal, porem as constantes mudanças impostas aos indivíduos, como o aumento da carga laboral, pressão por metas, problemas de estrutura física e de relacionamento, podem contribuir para a insegurança, insatisfação, desinteresse e irritação (BEZERRA, SILVA e RAMOS, 2012).

Neste contexto, observa-se que o trabalho pode contribuir tanto para a saúde quanto para o seu adoecimento. Assim, o trabalho em saúde, apesar dos avanços tecnológicos, permanece sustentado pela mão de obra intensiva e com níveis desiguais de domínio dos componentes que interagem no processo.

Diante dos fatos abordados, torna-se importante ponderar os impactos negativos que a fadiga pode causar sobre o desempenho das empresas, o que pode vir a ser refletido na qualidade da produção, na produtividade e no aumento do índice de acidentes de trabalho, que muitas vezes resultam em morte e incapacidade profissional. Um dos principais fatores causadores da fadiga, a privação ou má qualidade de sono, provoca a desatenção ou a falta de concentração de um profissional e podem ocasionar prejuízos humanos e materiais imensuráveis.

Conhecer a realidade, o cotidiano dos empregados, assim como seu perfil social, será fator facilitador da compreensão das variáveis que incidem na qualidade do sono, assim como possibilitará viabilizar ações preventivas, individuais ou coletivas, direcionadas a esse público a fim de prevenir acidentes de trabalho, evitar prejuízos e danos humanos e materiais e ainda contribuir no alcance das metas do programa segurança pela vida.

Assim, mediante as justificativas apresentadas acima e os fatos que antecederam e contribuíram para a elaboração e implantação do PGEF – Programa de Gestão de Estresse e Fadiga, se torna relevante considerar o acidente de trabalho ocorrido com o colaborador J. R.

C. Em outubro de 2014 o referido colaborador veio a sofrer um acidente de trabalho por volta das 05:00 horas da manhã, onde ao voltar com o caminhão carregado de material enquanto descia a pista principal em direção ao Room, cochilou, e ao acordar assustou-se e direcionou o caminhão a outra pista da direita, perdendo o controle do veículo, e posteriormente subiu a leira, provocando o tombamento do caminhão.

Como práticas de procedimento interno da empresa e do setor de medicina e segurança do trabalho, o mesmo foi encaminhado para avaliação do Médico do trabalho e em seguida foi realizada a apuração e análise do acidente. Na apuração, a causa fundamental do ocorrido foi diagnosticada como a fadiga, que ocasionou o cochilo durante a operação do equipamento, pois de acordo com relatos do colaborador, o mesmo não havia descansado corretamente no dia anterior, ficou grande período sem se alimentar e não utilizou o direito de recusa a tarefa. Como conclusão da comissão de apuração do acidente, verificou-se a necessidade da implementação de um plano de gestão de estresse e fadiga que vise a atender as necessidades individuais de cada colaborador.

Diante do ocorrido, a Ferro+ Mineração S/A, iniciou em janeiro de 2015 a aplicação do PGEF devido as condições especificas em que eram realizados os trabalhos (sono/vigília), tendo como foco inicial os colaboradores do primeiro turno (23:20 às 07:20 horas). Atualmente o programa abrange todos os turnos da empresa, onde foi possível desenvolver um trabalho multidisciplinar entre as áreas de psicologia, serviço social, medicina do trabalho, segurança do trabalho, gerências e superintendência.

O PGEF foi instituído através das iniciativas da Ferro+ Mineração S/A, no campo da saúde e segurança do trabalhador e tem como objetivos: avaliar e minimizar através de um plano de ação os índices de estresse e fadiga muscular e cognitiva de todos os funcionários da empresa, assim como os fatores/prováveis efeitos negativos que agravam esse quadro no ambiente laboral e familiar.

2 DESEVOLVIMENTO

2. 1 Sobre a empresa

No ano de 1966, nascia a J. Mendes, mineradora fundada pelo empresário mineiro José Mendes Nogueira. Com seu escritório central localizado na cidade de Itaúna, Minas Gerais, com forte presença no setor minerário e, ao longo de sua trajetória, investiu na diversificação dos negócios, expandindo suas atividades.

O grupo J. Mendes atua na extração, beneficiamento, concentração e comercialização de minério de ferro, por meio da Ferro + Mineração S.A, nas cidades de Ouro Preto e Congonhas, juntamente com a mais recente mina da JMN Mineração S.A., situada nos municípios de Desterro de Entre Rios e Piracema, também atuando no setor logístico, com participação no Terminal de Cargas Murtinho, da ferrovia SCOF, em Joaquim Murtinho.

Os constantes investimentos em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento colocam a J. Mendes entre as mais reconhecidas mineradoras do Brasil. Esse posicionamento capacita a organização para atuar no mercado mundial e dar continuidade a processos de expansão de suas atividades e crescimento de seu market share. Desde sua fundação, a J. Mendes preza por uma gestão corporativa responsável e ética, fundamentada no respeito às pessoas e ao meio ambiente, comprometida, sobretudo, com o progresso do País.

A Ferro+ Mineração S/A se encontra em atividade desde 2007, estando localizada nos municípios mineiros de Congonhas e Ouro Preto, pertencente ao quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, com foco na extração, beneficiamento e comercialização de minério de ferro. Inscrita sob o CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas: 07.10-3-01 – Extração de minério de ferro com correspondente grau de risco 04, conta atualmente com um efetivo de cerca de 435 colaboradores.

A mina possui capacidade de produtividade de 2,5 mil toneladas, com alto padrão de qualidade, sendo reconhecida pela excelência de seus processos e pela busca constante do máximo desempenho. O minério de ferro da mina tem comprovada diferenciação, evidenciada
pelo fato de toda sua da produção ser vendida para renomadas empresas como a Vale e a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional.

O capital humano se apresenta como parte essencial da estratégia do grupo J. Mendes, que acredita que o conjunto formado por capacidade, conhecimento, competência e personalidade favorece a realização de todo e qualquer trabalho. Para a empresa, as pessoas são ativos de valor, que determinam o nível de eficiência dos negócios e formam a reputação de qualquer empreendimento. Diante disso, a J. Mendes aposta em seus colaboradores e investe continuamente em desenvolvimento humano.

2.2 Estudo de Caso

Na primeira quinzena de outubro de 2014, dentro das dependências da empresa Ferro+ Mineração S/A, de acordo com relatos do colaborador J.R.C, o mesmo estava retornando da Cava Sul com o caminhão carregado de minério por volta das 05:00 horas da manhã, quando na descida da pista principal em direção ao room, veio a cochilar e posteriormente ao acordar assustou-se e direcionou o caminhão a outra pista à direita, perdendo o controle do veículo, subindo a leira o que ocasionou o tombamento do caminhão. O colaborador em seguida foi encaminhado para atendimento médico onde foram prestados os primeiros socorros e posteriormente contribui com a investigação do ocorrido juntamente com o setor de segurança do trabalho da empresa. Após apuração dos fatos, foi identificada a fadiga como a principal causa do ocorrido, que gerou o cochilo durante a operação do equipamento. Como plano de ação, foram levantadas as seguintes necessidades: o desenvolvimento de um plano de fadiga viando o atendimento às necessidades individuais de cada funcionário; a realização de um estudo para implantação de escalas alternativas de trabalho para o noturno; procurar orientação nutricional para a reestruturação da alimentação servida no turno e a realização de treinamentos/orientações sobre os riscos da fadiga no ambiente laboral e como evita-los e reconhece-los.

Na avaliação do médico do trabalho o colaborador J.R.C, relatou lombalgia e uma discreta dor no antebraço esquerdo, sendo solicitada uma ressonância magnética da coluna onde foi contatada fratura de platô superior e discopatia degenerativa, sendo indicado afastamento de suas atividades por um período de dois meses até sua plena recuperação. Assim, em pericia marcada no INSS no dia 16 de dezembro de 2014, o colaborador J.R.C, foi constatada sua incapacidade laborativa tendo seu pedido de auxilio doença deferido em espécie B91 (espécie acidentária) até 02 de janeiro de 2015.

2.3 Fase de implantação do projeto e resultados

No decorrer da fase de recuperação e afastamento do colaborador J. R. C, os setores de Segurança e Medicina do Trabalho da Ferro+ Mineração S/A juntamente com profissionais terceirizados das áreas de psicologia e assistência social, iniciaram a elaboração do PGEF, considerando as condições especificas em que eram realizados os trabalhos noturnos (sono/vigília), abrangendo primeiramente os colaboradores do primeiro turno (23:20 às 07:20 horas), tendo sua aplicabilidade iniciada em janeiro de 2015. Como ações dentro do PGEF além do acompanhamento com profissionais das áreas de medicina, psicológica e assistência social, foram implementadas a parada de segurança que ocorre de acordo com a necessidade do colaborador sendo sempre documentada e enviada para a segurança relatando o motivo da parada e o tempo de descanso, sendo disponibilizado colchonetes caso o colaborador sinta a necessidade de repousar/dormir, a tenda de banho de luz disponível em toda a duração do turno, o café de segurança que passa a ser distribuído pelos supervisores em todas as áreas da Mina a partir das 02:00 horas da manhã e os alertas de segurança emitidos via rádio.

Ressalta-se ainda que a participação dos colaboradores está condicionada a assinatura de um termo de consentimento para a concessão de uma entrevista realizada pela assistente social na residência do colaborador com a participação de um membro da família, e os testes aplicados pela psicologia são realizados em uma clínica terceirizada.

Em 05 de janeiro de 2015, o colaborador J. R. C retornou as suas atividades laborais após permanecer 03 meses afastado pelo INSS, sendo sua primeira avaliação no PGEF realizada na data de 23 de janeiro de 2015. Na avaliação social e psicológica o colaborador afirmou estar em bom estado de saúde física e mental, mantendo um ótimo relacionamento familiar com sua esposa e filho, e profissional com seus colegas de trabalho. Ressaltou ter dificuldades para dormir à noite, devido ter maior facilidade para dormir ao dia. Ao ser convidado a uma autorreflexão, o colaborador relatou não ter vícios, ser muito ligado a família e ter dificuldade para falar em público. Quanto a sua alimentação, afirma ter uma boa alimentação, consumindo raramente bebidas alcoólicas.

O colaborador foi avaliado conforme instruções do programa pelo teste de avaliação do Índice de Qualidade do Sono Pittsburgh – PSQI, Questionário de qualidade de vida e avaliação socioambiental com Score 5, apresentando qualidade de sono ruim. Relata que durante o último mês ocorreram diversos fatores que interferiram na qualidade de seu sono, porém não sentiu nenhuma indisposição ou falta de ânimo para realizar suas atividades laborais e rotineiras e atualmente realizando tratamento para apneia do sono. No teste do sono apresentou resultado: vespertino, sendo realizada uma intervenção de acompanhamento social.

A segunda avaliação do colaborador ocorreu em abril de 2015, e o mesmo apresentou excelente recuperação e, apesar de sua resistência veio a aderir ao tratamento e uso de aparelho para apneia, melhorando assim a qualidade do seu sono. Em todas as intervenções realizadas, o mesmo deixou claro sua preferência pelo trabalho noturno.

Em janeiro de 2016, o colaborador passou pela terceira avaliação do programa, sendo avaliado pela psicologia, onde foram utilizados os seguintes instrumentos: entrevista estruturada, teste de personalidade, inventário de sintomas de estresse para adultos, atenção concentrada, atenção difusa, atenção alternada e teste de inteligência não verbal. O colaborador realizou avaliação psicológica periódica de estresse e fadiga para a função de operador de equipamentos moveis I, onde observou-se que o mesmo se encontra na primeira fase de estresse conforme proposta pelo teste. A Fase de Alerta trata-se de uma fase positiva onde o organismo se prepara para lidar com situações de luta ou fuga, e bem administrada não causa nenhum dano ao organismo. Nota-se ainda potencial intelectivo dentro da média todos os subtipos de atenção observados preservados (Alternada/ Concentrada/ Difusa), boa canalização dos seus impulsos e organização nos seus trabalhos. Contudo seu potencial de energia física indica maior propensão à fadiga e dificuldades para atender as expectativas por produtividade a contento.

A quarta avaliação ocorreu em janeiro de 2017, onde o colaborador foi reavaliado conforme instruções do programa pelo teste de PSQI e questionário de qualidade de vida avalição socioambiental, tendo como resultado o Score 1, apresentando qualidade do sono boa, não sendo identificados fatores sociais que pudessem interferir em sua qualidade do sono. Considera a qualidade de seu sono boa, relata que não sentiu nenhuma indisposição ou falta de ânimo para realizar suas atividades laborais ou rotineiras, sendo posteriormente orientado a manter uma rotina de sono adequada.

No final de agosto de 2018, o colaborador foi reavaliado pela quinta vez, apresentando Score 3 onde evidenciou-se uma boa qualidade do sono de acordo com a avaliação PSQI, não sendo identificados fatores sociais que pudessem interferir na qualidade do sono. Em todas as intervenções realizadas, o mesmo deixou claro sua preferência pelo trabalho noturno, alega que já realizou teste do sono em outro momento e que foi encaminhado para empresa laudo informando que seu sono é matutino, deixando claro sua preferência e melhor desenvolvimento no trabalho noturno, sendo orientado a manter rotina de sono adequada. Afirma não ter interferências em sua residência para dormir durante o dia.

Em setembro de 2018, o colaborador foi novamente reavaliado pela psicologia, sendo utilizados os instrumentos de entrevista estruturada, teste de personalidade, inventário de sintomas de estresse, atenção concentrada, atenção difusa, atenção alternada e teste de inteligência não verbal. Com parecer psicológico conclusivo, não apresentando no momento, sinais de estresse e fadiga no trabalho estando em bom estado físico e mental para o desenvolvimento de suas atividades laborais.

Assim diante do estudo de caso apresentado, torna-se importante ressaltar que um dos grandes desafios da Ferro+ Mineração S/A para implementação das ações do PGEF foi a aceitação dos supervisores e colaboradores quanto a realização dos testes, acompanhamento social e psicológico, ocorrendo muitas vezes uma certa desconfiança quanto ao seu verdadeiro objetivo. Além da dificuldade no processo de implantação, observa-se que a fase de manutenção do programa demanda de atenção e cuidados, considerando que o PGEF já faz parte das iniciativas da empresa, mas não deixa de ser prioridade o reforço de seus objetivos para os colaboradores antigos e apresentação para novos integrantes da empresa.

3 CONCLUSÕES

De acordo com o estudo de caso apresentando acima, observa-se que diante de uma situação de adversidade onde ocorreu um acidente de trabalho que originou o afastamento do colaborador J. R. C, os profissionais da área de saúde e segurança do trabalho da empresa Ferro+ Mineração S/A, enxergaram a necessidade da elaboração e implantação de um plano de gerenciamento de estresse e fadiga. Após o retorno do afastamento, o colaborador passou a ser monitorado dentro do programa, apresentando primeiramente um Score 05 que de acordo com o PSQI, apresentava uma qualidade ruim de sono, estando na fase de resistência ao estresse. Assim no decorrer dos últimos 03 anos o mesmo vem recebendo acompanhamento, demonstrando a eficácia do PGEF ao apresentar uma evolução satisfatória para Score 03 no teste aplicado, o que indica uma boa qualidade do sono ao se considerar os scores dos setes componentes do teste PSQI (Qualidade subjetiva do sono, Latência do sono, Duração do sono, Eficiência habitual do sono Alterações do sono, Medicações para o sono). Disfunção diurna do sono, são somados para conferir uma pontuação global do PSQI, a qual varia de 0 a 21 (vide ANEXO 1).

Importante ressaltar a importância de se respeitar a caracterização das pessoas sendo matutinas ou vespertinas e os gerentes e supervisores terem uma sensibilidade de adequá-las aos horários de trabalho que melhor se adaptem ao seu estilo de vida, trazendo benefícios não somente para os colaboradores, mas também para a organização.

Durante o processo de implantação do PGEF, as ações de segurança contribuíram de forma impar para o sucesso do programa, através da parada de segurança juntamente com o café disponibilizado para os colaboradores, os alertas de segurança via rádio e a tenda de banho de luz que ajuda na estimulação do cortisol, hormônio responsável em manter as pessoas em sinal de alerta, que biologicamente baixa no período noturno.

De início o programa era fornecido aos colabores do turno noturno, mas com o tempo observou-se a necessidade de estende-lo aos outros turnos. Assim, quando se observa um colaborador mal adaptado ao seu horário de trabalho, o mesmo passa por avaliações do médico do trabalho juntamente com a avaliação psicológica e social, onde ocorre a participação de seu supervisor para análise de sua troca de turno, a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida social e profissional para o mesmo.

Ao todo desde a sua implantação, o PGEF já atendeu 140 colaboradores, dos quais 07 colaboradores tiveram adequação do turno, 53 colaboradores apresentaram uma má qualidade do sono e atualmente encontram-se em uma boa evolução quando comparado ao seu estado ao iniciar a participação no programa.

Como ações futuras a empresa pretende incluir os exames de dosagem de cortisol e melatonina que estão diretamente relacionados ao sono dos colaboradores.

1 Pós-graduado em Medicina do Trabalho pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, Especialista em Medicina do Trabalho pela ANAMT- Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Médico do Trabalho da Ferro+ Mineração S/A. E-mail: giovanny.oliveira@jmendes.com.br. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/giovanny-laporte-de-oliveira-a761a5174/.
2 Pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, MBA em Gestão de Projetos e Meio Ambiente pela FEAMIG, Pós- graduado em Engenharia de Qualidade ênfase Black Belt. Gerente de Segurança e Saúde Ocupacional da Ferro+ Mineração S/A. E-mail: erik.celestino@jmendes.com.br. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/erik-rimenes-celestino-98441a124/.
3 Pós-graduada em Direito do Trabalho e Previdenciário e Gestão de Pessoas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. E-mail: cristianeribeiro222@hotmail.com. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/cristiane-ribeiro-coelho-336089121/.

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