Programa geometalúrgico aumenta recuperação metalúrgica de cobre na planta de Serrote

Programa geometalúrgico aumenta recuperação metalúrgica de cobre na planta de Serrote

A geometalurgia consolidou-se como a ferramenta estratégica para maximizar a eficiência e sustentabilidade na mineração moderna. Na Mina Serrote, localizada em Craíbas (AL), a implementação de um programa robusto de geometalurgia foi a chave para reverter quedas de desempenho e impulsionar a recuperação metalúrgica do cobre após a transição para a Fase 2 do Plano de Lavra.

Desafios da Fase 2 e Integração de Dados

Com o início do processamento de minérios da Fase 2 em 2024, a planta de Serrote enfrentou uma maior variabilidade no desempenho da flotação. Diferente das Fases 0 e 1 (2021-2023), que apresentavam mineralização disseminada de calcopirita e bornita, os novos corpos minerais exigiram uma análise mais profunda.

O estudo envolveu:

  • Caracterização geológica e mineralógica de amostras de furos de produção (malha 15×15 m).
  • Testes de flotação em bancada e análises químicas rigorosas.
  • Uso de BI e SQL: A estruturação de um banco de dados relacional permitiu maior previsibilidade e controle do processo em tempo real.

Identificação dos Domínios Geometalúrgicos

A integração de dados permitiu subdividir o minério em domínios com comportamentos distintos de moagem e flotação:

  • Domínio 1 (D1): Predomínio de bornita, matriz média a grossa, BWI de 14,45 kWh/t e recuperação média de 83%.
  • Domínio 2 Oeste (D2W): Predomínio de calcopirita, matriz fina, BWI elevado (18 kWh/t) e recuperação de 76%.
  • Domínio 2 Sul (D2S): Predomínio de calcopirita, matriz fina a média, com 85% de recuperação.
  • Minério Tipo 2: Origem hidrotermal com forte controle estrutural (recuperação de 71% em bancada), atualmente em fase de detalhamento para 2025/2026.

Otimização: Blending e Granulometria

Os ensaios metalúrgicos revelaram que o minério do Domínio 1 possui uma resposta superior à flotação, especialmente com P80 abaixo de 106 µm. Já o Domínio 2 apresentou dificuldades de liberação mineral, com quedas bruscas de desempenho em faixas granulométricas inadequadas.

A solução aplicada pela equipe multidisciplinar da Mineração Vale Verde (MVV) envolveu:

  1. Ajuste do Blend: A proporção de 80% D1 e 20% D2 alcançou resultados de até 86,96% de recuperação na faixa de 75 mícrons.
  2. Moagem mais fina: Redução do P80 para 80 mícrons para garantir a liberação dos sulfetos mais finos do Domínio 2.

Resultado: Após uma queda para 73,8% no primeiro semestre de 2024, as otimizações elevaram a recuperação para uma média de 79,7% no segundo semestre, um ganho de +8%.

Impacto Socioeconômico e Sustentabilidade em Alagoas

A Mina Serrote representa o maior investimento privado da última década em Alagoas (R$ 700 milhões). Operada pela Bayin Non Ferrous (que adquiriu o ativo em 2025 após passagens pela Appian, Aura Minerals e Docegeo), a unidade é um marco para os metais básicos no estado.

  • Empregabilidade: São 1,2 mil empregos diretos e 5 mil indiretos, com mais de 70% de mão de obra local.
  • ESG: A MVV detém o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol e mantém o Centro de Educação Ambiental (CEA) na Fazenda Uruçu.
  • Produção: Capacidade nominal de 50 mil toneladas de concentrado de cobre/ano, com vida útil estimada em 14 anos.

A descoberta do depósito, feita pela CPRM em 1979, hoje se traduz em uma operação tecnológica que une geologia de precisão e responsabilidade social no agreste alagoano.