CEO da Fortescue: Eliminar emissões implica transformar a mineração

CEO da Fortescue: Eliminar emissões implica transformar a mineração

A Fortescue, empresa global de mineração de metais e energia com sede na Austrália, tem avançado na eletrificação de veículos pesados de operação de mina, além da adoção de iniciativas que visam a substituição do uso de combustíveis fósseis por fontes de energias renováveis. 

O CEO de Energia e Crescimento da Fortescue, Gus Pichot, em depoimento sobre o tema à revista Minérios & Minerales, reforçou que o grupo está focado em acelerar a descarbonização em escala global de forma “rápida e rentável”, começando pelas suas próprias operações de mineração na Austrália. 

A empresa prevê eliminar emissões para alcançar o Real Zero até 2030 nas suas atividades. O Real Zero significa nenhuma emissão de carbono.“Isso implica em uma transformação na atividade da mineração, substituindo combustíveis fósseis por energia renovável e desenvolvendo soluções eletrificadas em larga escala”, afirma o executivo.

Para alcançar esses objetivos, Gus Pichot explica que se construiu uma aliança global de parceiros e fornecedores nesse campo, que atuam em conjunto com as equipes internas de pesquisa e desenvolvimento da Fortescue. 

Parceria com Liebherr

Entre essas parcerias, destaca-se o acordo com a alemã Liebherr, que abrange uma frota significativa de equipamentos de mineração de grande porte com emissão zero.

Esse projeto inclui caminhões fora de estrada T 264 movidos a bateria e escavadeiras elétricas para mineração. “O cumprimento da meta de Real Zero exige a substituição de centenas de máquinas movidas a diesel por alternativas de emissão zero até 2030”, destaca o executivo.

A iniciativa está concentrada nas operações de minério de ferro em Pilbara, na Austrália, onde é possível implantar e testar as tecnologias em condições operacionais exigentes e reais, integrando-as a fontes de energia renovável e à infraestrutura de suporte, de acordo com o CEO de Energia e Crescimento da Fortescue. 

“Os resultados demonstram que os equipamentos eletrificados podem operar de forma eficaz em larga escala, proporcionando reduções concretas no consumo de diesel”, afirma.

Projetos de energia renovável

Segundo o executivo, equipamentos eletrificados já estão em operação nas minas de minério de ferro da empresa na Austrália, incluindo 12 escavadeiras elétricas, apoiadas por um portfólio crescente de geração de energia renovável e sistemas de armazenamento em baterias. “Essa combinação oferece uma base energética estável para equipamentos e infraestrutura de emissão zero”, diz. 

Gus Pichot informa que, recentemente, foi anunciado pela empresa a construção do Parque Eólico Nullagine, na região de Pilbara, com capacidade de 133 megawatts (MW), e a implantação de um sistema de armazenamento de energia em baterias de 250 megawatt-hora (MWh) no complexo solar North Star Junction, também na região de Pilbara, de 100 MW. 

“Nossos sistemas de armazenamento em baterias são o centro da nossa rede de energia renovável, permitindo a operação confiável das atividades”, afirma. “Em conjunto, esses projetos demonstram que o Real Zero já é possível e economicamente viável para a indústria pesada. A Fortescue não apenas fala sobre descarbonização, mas nós a estamos implementando agora”, conclui Gus Pichot.

Sobre a Fortescue 

A Fortescue foi fundada em 2003 na Austrália e hoje é quarta maior produtora de minério de ferro do mundo. Na região de Pilbara, mantém o importante Polo de Chichester com duas minas – Cloudbreak e Christmas Creek – e capacidade de produção anual de cerca de 100 milhões de toneladas.

No Polo Ocidental, outro hub importante da mineradora, também em Pilbara, ela concentra mais duas minas: Solomon e Eliwana. Juntas, a capacidade de produção anual é também de cerca de 100 milhões de toneladas.

Os dois polos são conectados por 760 quilômetros de ferrovia ligando à cidade portuária de Port Hedland.

A mineradora tem carteiras de projetos em desenvolvimento na Austrália, e países como o Gabão (África) e na Argentina – este voltado para minerais críticos.

Compõe o grupo a Fortescue Capital, criada como gestora de ativos, que investe em projetos, plataformas, empresas e tecnologias voltadas para o avanço da transição energética.

No Brasil, a empresa tem projeto de planta de hidrogênio verde no complexo do Pecém, no Ceará.

A Fortescue Metal Group tem ações negociadas na principal bolsa da Austrália (ASX). O empresário australiano Andrew Forrest é fundador da mineradora e acionista majoritário do grupo, com cerca de 35% das ações – o restante dos papéis é pulverizado entre investidores individuais e institucionais.